12 Maio - Dia Internacional do Enfermeiro
12 05 2008O 12 de Maio é assinalado em memória do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.
E como outros Dias, que se «rememoram» (isto é, relembram) e comemoram, parece servir a finalidade de lembrar, de alertar, não apenas factos mas também para realidades, preocupações, eventos.
Entre as lembranças e os esquecimentos, num tempo que vai sendo considerado de “crise” de valores e de referências, por detrás de todas as comemorações encontra-se a questão do tempo, que se manifesta na sua relação com o passado da história e o presente da memória.
Além disso, estão à vista os mecanismos das apropriações dos tempos históricos e os processos de construção e de transmissão de uma memória social.
A palavra «enfermo» liga-se a in-firmus, aquele que está enfraquecido, que perdeu a sua força; daí, haver quem use enfermeiro como aquele que ajuda a recuperar a força, a firmeza. Na língua inglesa, nurse também serve para referir o que influencia, nutre, promove e sustenta desenvolvimento.
A enfermagem aproxima-se (perigosamente, diria sorrindo) de um modo de vida, em que se entende o cuidado pelo outro como a finalidade de promover o seu bem-estar.
Dizia V. Henderson que fazemos pelas pessoas o que elas fariam por si mesmas se tivessem o conhecimento, a força ou a vontade para tal.
A intervenção do enfermeiro não está centrada nem circunscrita à situação de doença ou à satisfação de uma necessidade humana específica. Sobretudo, estamos sempre em presença do Outro, e prestar cuidado é uma situação sempre única, que diz respeito a uma pessoa na singularidade da sua trajectória de vida. Por isso costumo afirmar que a finalidade da enfermagem não é científica nem técnica mas moral e com sentido ético – pois que centrada no bem estar das pessoas, nos processos de viver a sua vida até à morte.
Hoje, pensa-se a Enfermagem como ciência humana, que vai progredindo, emergindo da sua própria herança e desenvolvendo os seus estudos e domínios de acção. Com a natureza dupla de ser uma disciplina científica e uma profissão, radica-se no valor supremo da dignidade humana, na visão holística da pessoa e numa epistemologia de descoberta, aberta ao mundo.
Por isso, o Enfermeiro integra a ciência, a ética, a estética, nos processos de cuidado humano – às ameaças da biotecnologia, da engenharia científica, do tratamento fragmentado e da despersonalização, da dimensão economicista, opõe a filosofia do cuidado humano, no conhecimento e na prática. Tem a responsabilidade de ser guardião do cuidar e estar na vanguarda do cuidado humano na sociedade actual e no futuro. É isso que, em meu entender, o 12 de Maio também celebra.
A este texto, de 2007, juntaria o facto de vivermos hoje grandes alterações na concepção e nos modelos organizativos das unidades nos cuidados de saúde primários.
Notaria, como releva o Kit do ICN, que os Cuidados de Saúde Primários são o primeiro nível de contacto para os individuos, famílias e comunidade com o Sistema Nacional de Saúde, trazendo os cuidados de saúde tão perto quanto possível, para os locais onde as pessoas vivem e trabalham.
(Na imagem, o coração branco, símbolo da enfermagem)
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“O amor existe. Sem a menor sombra de dúvida. Existe nos momentos em que se sonha acordado, com a realidade que se quer construir um dia.(…) Existe na coragem necessária para afastar o objecto do nosso amor, empurrando-o na luta pelos seus sonhos. Existe na força com que se escolhem as melhores palavras para esconder o desespero que a ausência provoca. Existe na loucura de dizer “adeus” quando se quer dizer “fica”. Existe na insanidade de confiar no outro como em nós mesmos. Existe na entrega total, de saltar sem rede, começando tudo de novo infinitas vezes. Existe na febre com que se diz “para sempre” na consciência das dificuldades do amanhã. (…)O amor existe. É vida.É onde tudo começa, onde nada termina.” PA





