“Penso poder estar seguro que quem quer que veja uma criatura com a sua própria forma e feitio, embora esta nunca tenha tido durante toda a sua vida mais razão do que um gato ou um papagaio, ainda lhe chamaria um Homem; ou quem quer que ouça um gato ou um papagaio falar, raciocinar e filosofar chamar-lhes-ia ou pensaria não serem mais do que um gato ou um papagaio e diriam que aquele era um Homem estúpido e irracional e este um papagaio muito inteligente e racional”.
John Locke, O Ensaio sobre o Entendimento Humano
A “forma e o feitio”, não a capacidade de raciocinar, parecem pois os critérios determinantes do que é humano. Contudo, o tempo de Locke já vai longe. E as neurociências evoluíram muito.
Um animal não passa a ser humano pelo hipotético elevado grau de racionalidade, nem tampouco um ser humano o deixa de ser se considerarmos que pode apresentar graves (e profundas) deficiências mentais.
Ou será que não?!
Pretendemos proteger a dignidade das pessoas, afirmamo-la por se nascer pessoa.
Ou nem tanto?!
Estaria aqui uma (excelente) «ponte» para as questões da eugenia ou da (controvérsia) da qualidade de vida do ser humano.
A discussão-debate, começou pela justiça,
http://conversamos.blogspot.com/2005/01/citando-sobre-justia.html#comments
Ficou claro que não existe justiça natural (e nisto os intervenientes estavam de acordo).
Mas outras coisas ficaram pendentes.
Retomo uma delas: o que me (nos) distingue dos outros animais??!!
Vou pensar no post seguinte…







Só para começar e provocar… diria que “ser humano” é ter:
- a capacidade de fazer promessas (ou assumir compromissos);
- a liberdade de perdoar.
E será “ser humano” o da mesma espécie, mesmo aquele que ainda não tem (ou nunca terá) a possibilidade da sua expressão ou esta seja já limitada ou extinta…
De entre os poderes dos humanos, vejo-te escolhendo o prometer e o perdoar. Traços humanos.
Das capacidades mentais/espirituais.
«E será “ser humano” o da mesma espécie, mesmo aquele que ainda não tem (ou nunca terá) a possibilidade da sua expressão ou esta seja já limitada ou extinta…».
Já agora, «qualquer um» da mesma espécie -
portanto, prima facie contra Peter Singer e as «pessoas não humanas», tipo os gorilas?
portanto, quaisquer que sejam as capacidades fisicas e mentais reais (ou concretas) de um dos indivíduos da espécie?
é isto?!
ah! ah!
Eu gosto muito dos gorilas, mas… se tiver que optar, prefiro os da “espécie” ligeiramente (reconheço que só ligeiramente) mais “evoluída”.