A Equipa Cienciapt.NET lançou hoje a pergunta:
De quem deve partir a educação sexual dos Jovens?
Não vou discutir a forma da pergunta. É esta… portanto, diria que:
A pergunta, ao dar enfoque ao «quem», pode ser respondida em diferentes perspectivas – até porque a educação sexual tem múltiplas dimensões, da biológica à psicológica, da sociológica à ética.
A família é a primeira e privilegiada fonte de informação e lugar de debate – por isso, o primeiro «quem» é a família, no sentido das pessoas significativas com quem a criança/jovem convivem. Neste primeiro «quem» incluo desde já o próprio – que o educando tem um papel relevante na educação, ainda que inicialmente de forma mais passiva mas progressivamente mais activa, com o amadurecimento pessoal. Tem ainda de ser tido em conta que o papel da família possa estar fragmentado e/ou ausente – na educação sexual, como em qualquer outra dimensão da educação.
O segundo «quem» é a escola, pelo próprio ciclo de desenvolvimento e de socialização. E coloquei Escola, em sentido amplo, sem me deter a considerar este ou aquele nível.
Entre estes dois, com mais influência num ou noutro dependendo dos casos concretos, coloco o «quem» ligado aos profissionais do Centro de Saúde, nomeadamente a enfermeira de saúde familiar ou a enfermeira da saúde escolar.
O quarto «quem» é a sociedade, em sentido do colectivo mais próximo (comunidade), dos meios de informação (que às vezes desinformam) e das tecnologias de comunicação (também na dimensão virtual da Internet).
Parece-me de relevar que o desenvolvimento da sexualidade e a adequação da educação sexual se integram na educação como um todo e no desenvolvimento holístico da pessoa.
De diferentes formas e com pesos diferentes, todos temos um papel…
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Acrescentaria que, não obstante existirem alguns recursos (consulta de planeamento familiar, projectos de atendimento a adolescentes, páginas da web, linhas telefónicas etc), não basta existirem se não divulgarmos e encaminharmos.
Ainda (já sei, vai longo…) que não existe idade para a educação sexual.
Corre-se o risco de se pensar que é matéria de adolescentes e jovens - mas não é.
A educação sexual, enquanto dimensão da educação, e referindo-se à sexualidade, dimensão da pessoa, atravessa toda a vida, tanto em sentido pessoal como familiar e colectivo.
Parece-me semelhante à educação para a cidadania.




