obriga a estar atento

8 02 2005



a sombra Posted by Hello

A depressão e os sintomas depressivos aumentaram, genericamente, nas últimas décadas.

Números da Sociedade Portuguesa de Suicidiologia apontam que cerca de 600 pessoas se suicidam, anualmente, em Portugal e talvez umas 24.000 protagonizem comportamentos para-suicidas ao ponto de serem atendidas em Serviços de Urgência.

Fala-se de ideacção suicida e, por vezes, sabemos que esta ou aquela pessoa pôs termo à vida (sem eufemismos, matou-se) ou tentou.

«Existem muitos jovens que fazem tentativas de suicídio (e de para-suicídio) e que fazem auto-mutilações, devidas a mal-estares psicológicos de inquietação e de ansiedade que necessitam de uma resposta por parte dos educadores e dos profissionais de saúde», afirmou Daniel Sampaio.



Com frequência, os adolescentes e jovens deprimidos apresentam sintomas complexos, em que emergem as perturbações do humor, ansiedade, inibição ou diminuição do rendimento intelectual, baixa actividade física e comportamentos autodestrutivos (como as condutas suicidárias ou adictivas). Os estudos demonstram elevada frequência de ideação suicida na população universitária.

Tratar-se de uma área de estigma, associado ao tratamento psicológico e psiquiátrico, não ajuda.

Por isso, é importante que existam serviços na comunidade que promovam a ajuda e o encaminhamento, desmistificando preconceitos e ideias erradas.

Há iniciativas que ajudam - e vou citar apenas três, de fontes diferentes.

A Associação Académica de Coimbra criou a linha SOS-Estudante em 1997, com a finalidade de fazer a prevenção do suicídio, dar apoio emocional em situações de crise, angústia, solidão, ou simplesmente uma escuta activa.

A Universidade do Porto tem (desde 2001, salvo erro) uma Linha SOS - em cujos objectivos se contam a ajuda psicológica e a prevenção do suicídio dos universitários.

Os Serviços de Acção Social (1993) do Instituto Politécnico de Setúbal, através do gabinete de Psicologia, desenvolvem actividades de aconselhamento psicológico e apoio psicoterapêutico.

Mas de que serve existirem alguns meios, se não forem usados?

Pergunto-me: quando notamos alguns comportamentos de risco, encaminhamos alunos para os Serviços de Acção Social (SAS), os Gabinetes de Integração Escolar e de Apoio Social (GIEAS) ou seus congéneres?!

http://www.spsuicidologia.pt/principal.php

http://www.admd.pt/depressao/depressao_juventude/depressao_juventude.htm


Acções

Informação

5 respostas para “obriga a estar atento”

8 02 2005
MJMatos (22:29:00) :

Há algum apanhado das razões comuns para o suicídio nos universitários, LN?

8 02 2005
LN (23:54:00) :

Bela pergunta!
Preparado?! Lá vou eu…
Para me aproximar a uma resposta, deixe-me usar três vertentes, do mais geral ao particular:

(1) o que se conhece pelo mundo

O maior estudo/relatório que se conhece foi publicado na revista “Professional Psychology: Research and Practice” (Fevereiro 2003), por Sherry A. Benton, baseando-se em formulários preenchidos por terapeutas (depois de tratarem mais de 13 mil alunos, entre 1989 e 2001).
O que está atrás do aumento de problemas e de suicídio continua incerto. Uma maior consciência sobre a questão pode ter alguma influência. Mas os especialistas também citam as pressões impostas aos estudantes e a falta de apoio familiar como fatores.
Em 2002, os diretores de serviços de aconselhamento reportaram 116 suicídios em 55 universidades dos EUA.

(2) A relação à depressão

De acordo com a American Foundation on Suicide Prevention, na maioria dos casos o suicídio está ligado a depressão.
Entre nós, a depressão aparece como a terceira causa de morte juvenil
http://www.admd.pt/depressao/depressao_juventude/depressao_juventude.htm
embora noutros países, como em Espanha ou nos EUA, seja a segunda.
http://www.preventsuicidenow.com/suicide-statistics.html

A National Mental Health Association tem um Report notável
- Safeguarding Your Students Against Suicide
Expanding the Safety Net: Proceedings from an Expert Panel on Vulnerability, Depressive Symptoms, and Suicidal Behavior on College Campuses
http://www.nmha.org/suicide/report.pdf

(3) Portugal

Há alguns estudos em grupos de estudantes específicos (por exemplo, estudantes de medicina, de psicologia, de direito, de enfermagem etc).
Na área destaca-se o NES (Núcleo de Estudos de Suicídio) - transcrevo uns parágrafos do estudo

“Os jovens recorrem a uma multiplicidade de causas, atitudes e razões para explicar o suicídio - remetendo para uma abordagem multidimensional - onde se salientam as representações de natureza afectivo-emocional e intra-individual (como a insegurança, a baixa auto-estima, os sentimentos de perda, a dor ou a desilusão). As explicações e representações do suicídio variam com o sexo, a idade, o ano de escolaridade, a região (onde os jovens estudam) e o facto de já terem ou não pensado em suicídio. Esta constatação assume particular importância para o delinear de estratégias preventivas adequadas a cada contexto e situação específica.”
http://www.tu-importas.org/geral/Investigacao.asp

Podia ter respondido apenas com isto?! :)
Não,porque este estudo decorreu com estudantes do 10º ao 12º ano…

Finalmente (eu disse três mas…) o estudo da ideação do suicídio em estudantes universitários mostrou que, removendo o efeito da depressão, houve diminuição das idéias de suicídio.
(A.F. de MAN- Correlates of suicide ideation in high school students: the importance of depression. J. Genet. Psychol. 160:105-14, 1999).

Portanto, um enfoque relevante pode dar-se à detecção dos factores de risco e pistas de comportamento depressivo.

Embora alguns suicídios não tenham «aviso», muitas pessoas mostram sinais do seu distress: perda importante ou quebra de relações, depressão (muitas vezes reactiva aos problemas), o consumo de substâncias, isolamento e retirada dos amigos e das actividades, correr riscos desnecessários ou autodestrutivos, falar de morte e de suicídio , baixa capacidade de concentração, tentativas suicidas ou para-suicidas anteriores e história familiar que inclui suicídio.

Deixei os links para poder explorar o assunto se o entender.

Desculpe a extensão - mas ainda acrescento que uma colega que trabalha comigo realizou tese sobre ideacção suicida em estudantes do ensino superior.Tão logo se possam discutir os resultados, fá-lo-ei.
:-)

9 02 2005
Anonymous (02:26:00) :

Associada à adolescência existem uma serie sinais que até a olhos menos treinados são indicadores de que algo não corre bem…no entanto, para outros “olhos” esses movimentos são levianamente apelidados de “crises da adolescência” - quando me refiro a adolescência não me refiro somente aos jovens do liceu, entenda-se… Por outras vezes, esses sinais são associados a movimentos intelectuais dos alunos tais como as crises existenciais. Será que temos todos a capacidade de perceber e interpretar sinais que nos levam a pensar que existem alunos que precisam de ser ajudados? E não são precisos cursos de Psicologia para isso… Será que temos a presunção de dizer que as pessoas que nos rodeiam e que fazem parte da nossa vida, nas suas diversas instâncias, não precisam de ajuda? E isso porque não reconhecermos a veracidade dos seus sinais? “chamadas de atenção!” - cliché muito frequente quando nos queremos descartar de situações constrangedoras. Os serviços de apoio até podem funcionar muito bem, mas é necessário que estes jovens cheguem lá…
António

9 02 2005
MJMatos (10:42:00) :

Obrigado, LN. Vou explorar.
A universidade virtual existe mesmo, como se v�

11 02 2005
LN (20:38:00) :

MJMatos, depois de explorar, se houver alguma coisa interessante, diga-me, está bem??

António: é verdade que existe alguma tendência em «racionalizar» os sinais ou para desvalorizar, achando que é «só» chamada de atenção… Ainda que seja, se se chama a atenção, alguma carência está detrás…

Deixe um comentário

Pode utilizar estas tags : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>