Ao falar com uma aluna, voltei a usar (pela milésima vez) a etimologia da palavra.
“Muito embora optimista, sou céptica” e, perante a estranheza, acrescentei, “céptico, da palavra grega, quer dizer pesquisante….”
Chamo um defensor do cepticismo, no que se refere à visão da ciência:
“Não é preciso ter um grau académico avançado para dominar os princípios do cepticismo, como demonstra qualquer comprador bem sucedido de um carro em segunda mão. A ideia geral de uma aplicação democrática do cepticismo é que toda a gente devia dispor das ferramentas essenciais para avaliar de uma forma eficaz e construtiva qualquer pretensão de conhecimento. Tudo o que a ciência pede é que se usem os mesmos níveis de cepticismo que utilizamos quando compramos um carro usado ou na avaliação da qualidade dos analgésicos ou da cerveja que vemos anunciada na televisao.
Mas, de uma forma geral, os cidadãos da nossa sociedade não dispõem dos instrumentos do cepticismo. Raramente estes são referidos na escola, mesmo quando se apresenta a ciência, o seu praticante mais ardente, embora o cepticismo brote espontaneamente das desilusões do quotidiano. A nossa política, a nossa economia, a nossa publicidade e as nossas religiões estão impregnadas de credulidade. Todos os que têm alguma coisa para vender, os que querem influenciar a opinião pública, os que estão no poder - poderá sugerir um céptico - têm interesse em desencorajar o cepticismo”.
Carl Sagan
Um mundo infestado de demónios, p. 89






