Por princípio, considero que o «Dia Internacional» pretende ser uma forma sociopolítica de alerta…
O caso do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, é paradigmático.
Historicamente, celebra a entrada em greve das operárias de uma fábrica de têxteis de Nova Iorque (em 1857), para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas - note-se que recebiam um terço do salários dos operários homens.
Ocuparam a fábrica e foram nela fechadas; declarou-se um incêndio e 130 delas morreram queimadas.
Frases curtas que não abreviam uma tragédia. Nem narram a incontornável revolta de quem não se podia ter revoltado e perdeu o que mais precioso tinha para perder.
Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto.
Caminhavam com o slogan Pão e Rosas, símbolos do banimento da fome e de uma melhor qualidade de vida.
Hoje, olho à volta.
Apesar dos movimentos democráticos e do caminho percorrido, não se poderá afirmar a paridade entre os dois géneros. Continua a haver descriminação - seja no acesso a certos cargos, seja na diferença de salários; ouvem-se os receios de quem engravida face à precaridade de emprego. Sei que as leis protegem e que, às vezes, não passam de papéis.
Mulheres e Homens são seres humanos dotados de igual dignidade.
Apenas iguais em dignidade e em direitos - em tudo o resto, diversos e plurais entre si e entre uns e outros.
Afirmar o Dia de um dos géneros tem verso e reverso: por um lado, as mulheres têm um percurso ganho a pulso, designadamente nas profissões ditas «femininas» e por isso socialmente desvalorizadas, mas ainda se continuam a ver poucas mulheres em lugares estratégicos, seja na política ou no mundo das empresas; por outro lado, a imensa força de cuidado e de responsabilidade pelos outros, é das mulheres.
De certa forma, o 8 de Março funciona também como Memorial.
Reproduzo aqui o poema que o folheto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses escolheu para celebrar a efeméride
Diz
Diz mulher
Ao teu país
Como lutaste até hoje
O que fizeram de ti
O que quiseram que fosses
Como prenderam teu grito
Sobre a boca amordaçada
Mas como cantaste assim
Do teu desgosto apartada
Diz mulher
Ao teu país
Conta a vida em que cresceste
Como algemaram teus pulsos
Conta aquilo que aprendeste
Do saque da tua vida
Relata os dias passados
Da cadeia em que estiveste
Descreve o pavor rasgado
…
Não cales mais a recusa
Do que quiseram que fosses
Não silencies a renúncia
A que te viste obrigada
Não desistas de gritar
Tua vida encarcerada
Maria Teresa Horta
in http://www.sep.pt/







É verdade, hoje é o dia internacional das mulheres, daquelas que são filhas, esposas, mães, avós, bisavós …, estudantes, profissionais, e muito, muito mais, mas sem dúvida que também é o dia das Pessoas, das Amigas. Mesmo já tardiamente, quero deixar-te um beijo e dizer-te:
- Que giro este caminho que iniciaste!…
Té qu’enfim!!! E sorrio ao escrever e pensar «isto»! Bem vinda, claro. Até por trazeres a minha (bem-amada) metáfora dos caminhos…Um destes dias ainda escrevo (de novo?) sobre as metáforas!
Beijos, A.