conversa de provérbios

10 04 2005


O principio da preparação Posted by Hello

Estava às voltas com o princípio da preparação - pois que planear e preparar são essenciais, sobretudo impregnados com flexibilidade - quando esta imagem me caíu debaixo dos olhos.
Ao que me parece, apela a preparar-se para uma tarefa arriscada, ainda que desejada - e os riscos que corre parecem facilmente previsíveis…
Lá diz o adágio que “quem vai para o mar, avia-se em terra”.
Mas não é, de todo «filho único» nestas matérias.
Na verdade aprecio e uso adágios e provérbios.
Cito-os muitas vezes, o que me levaria a ser francamente ostracizada pelos iluministas e olhada de lado pelos mais formalistas defensores do conhecimento formal. Contudo, “não se deve julgar um livro pela capa” e porque “um homem prevenido vale por dois”, aprofunde-se um pouco o assunto.
Os provérbios, máximas, adágios, rifões (não, não vou fazer um exercício de distinção!) foram classificados por Erasmo como vulgares e o século XVIII votou-os ao esquecimento.
Há quem lhe chame «ditados populares» mas sobre isto tenho reservas, pois muitas locuções latinas tornaram-se provérbios e não têm, de todo, origem no povo.
Como muitos deles expressam regras de conduta, julgo que se poderiam dirigir ao povo. Com isto quero dizer que entendo quem afirma que o provérbio não é, realmente, popular na origem!
Provérbio é uma expressão do conhecimento e da experiência popular traduzido em poucas palavras, de maneira ritmada, muitas vezes com alegria e bom humor.
Antonio Delicado, em Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, uma coletânea publicada em 1651, afirma: “Os adagios são as mais approvadas sentenças que a experiência achou nas acçoens humanas, ditas em breves e elegantes palavras.”

Há uns muito aceites, pois foram confirmados no curso das gerações - e muitos vieram da literatura oral, grega, suméria, latina, chinesa e outras.
E claro que há ditados para tudo, até opostos e contraditórios.
Porque “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” mas também “o que não se faz no dia de Santa Luzia, faz-se no outro dia”. Isso faz parte da riqueza interpretativa e da adequação ao contexto.
Ah, tanto que se fala hoje de contexto… como se fosse algo novo, algo nunca valorizado até aos dias de hoje. Exageros de memórias breves…

Evidente que “capa e merenda não fazem má companhia” e que os avisos subjacentes a alguns provérbios são do princípio de preparação.
Afinal, “Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.
Por mais que haja regras, “deviat a solitis regula cuncta viis” (Não há regra sem excepção).

Julgo que os provérbios não aspiram à verdade, como o conhecimento.
Valem o que vale um conselho… (”se conselho tivesse valia, ninguém dava, vendia”).

Conversamos?!


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4 respostas para “conversa de provérbios”

10 04 2005
sharkinho (14:51:00) :

Água mole em pedra dura tanto dá até que fura. E com a tua amplitude de temas e de abordagens, guardado está o bocado para quem descobrir este blogue. A tua versatilidade é notável.

13 04 2005
LN (00:28:00) :

Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, se lhe derem verga e tempo.
Obrigado pelo «notável», ainda que possa pecar por generoso - da versatilidade, gosto muito :)

13 04 2005
Paulo Lopes (21:25:00) :

“Não há regra sem excepção” não é uma contradição em si próprio por negar o que transmite? Pois se essa regra não tem excepção passa a ser uma regra sem excepção e a ideia é que todas as regras têm excepção… valha-me Deus… já estou confuso… escrevi um post há tempos sobre isto…

13 04 2005
LN (23:19:00) :

“Não há regra sem excepção” afirma que «esta» regra tem excepção.

Por isso difere da afirmação (tola) de que «tudo é relativo», utilizando um absoluto («tudo»).
Neste caso, “não há regra sem excepção”,haverá regra (pode ser uma) que não tem nenhuma excepção… e, nisto, funciona como excepção à regra (que é ter excepções)…
;)

“Quem não tem mais que fazer, faz colheres”

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