Depois de
1 - respeito singular
2 - entusiasmo
3 - curiosidade e inquietude
4 - Acreditar nas capacidades dos estudantes
5 - Humildade
“A humildade é uma virtude humilde: ela até duvida que seja uma virtude! Quem se gabasse da sua mostraria simplesmente que ela lhe falta.” afirma Comte-Sponville, o homem do Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.
A humildade decorre de uma consciência dos limites - não é a depreciação de si, não é ignorância do que se é mas antes o conhecimento, ou reconhecimento, de tudo o que não se é. Por isso é uma virtude lúcida, sempre insatisfeita consigo mesma.
Pascal critica a soberba dos filósofos (e eu acrescentaria, dos cientistas). Poderíamos chamar-lhe, até, arrogância. Pois que ser humilde é amar a verdade mais que a si mesmo - e é nisso também que todo pensamento supõe a humildade. Ao duvidar de si, reconhece a impotência e a fraqueza.
Duas ressalvas: a humildade não é servil (nem tem nada a ver com pobreza) e existem falsas humildades, apenas aparentes e ocultando uma considerável presunção.
O que tem a ver com ser professor?
Por princípio, e por suposto, o professor sabe. Mas é pela manutenção da humildade que pode abrir-se ao contributo do outro, reconhecer em cada estudante (e em cada ser humano) a mais-valia singular e própria.
Ter consciência da imensidão das questões que se levantam aos seres humanos é percorrer um trilho que cruza o sentido da humildade (e até, da pequenez).
Ao professor e ao investigador faz falta a humildade científica, não apenas porque ninguém sabe tudo ou porque não há uma verdade absoluta mas também porque existe sempre a possibilidade de aprender com os outros e de corrigir desvios do seu próprio percurso.
É por via da humildade que se combate a arrogância e a vaidade… e por melhor que seja a auto-avaliação, por mais assertivo que seja o desenho que se faz de si próprio, há sempre um espaço fundador para o reconhecimento do que não se (é, tem, sabe, pode…).
Conversamos?!







Acho que a humildade é sempre importante mas parece cada vez mais rara. Encontro mais a arrogância e o egoísmo.
ES
Eu diria que a humildade, mais do que a virtude constatada, é a virtude desejada.
ES, parece-me que existe se bem que lá vilipendiada, tem sido… Até porque encontro quem a associe â pobreza, o que tem pouco a ver.
Spring, concordo que é desejada. E desejável
por isso há esperança, de poder cultivar-se, não é?
Reconheço algumas destas virtudes. Os docentes parecem-me mais pecadores do que virtuosos, contam-se pelos dedos de uma mão os docentes que conheci e que reúnem as virtudes descritas.
O desafio foi aceite, no entanto, o desequilibro persiste. Aguardo os pecados dos alunos.
OK, Alexandre.
Mas alguns docentes serão ora pecadores, ora virtuosos, e isso (sendo da natureza humana) complexifica…
Como as virtudes dos professores vão em 5-de-7, e gosto da ideia das séries, essa virá a seguir, sobre os pecados dos alunos…