Pecados mortais dos estudantes – # 6 – a inoperância

Depois de
1 – a preguiça intelectual
2 – a inveja
3 – a indiferença
4 – A desonestidade
5 – A calúnia

6 – A inoperância

Trata-se da qualidade ou estado do que é in-operante. Logo, que tem in-capacidade de operar, não é efectivo, não produz – logo, associo à de co-operar, naturalmente.
Enquanto inoperantes, não estamos a falar da (presumível?) categoria dos “desacreditados”, os que podem ser identificados no tocante a alguma «marca» que se torna visivel quando expostos às interações sociais mais «normais» (leia-se, regulares) no meio estudantil.
Excluamos o estigma, o estereotipo. Excluamos, por agora, as trajectórias existenciais complicadas e as incapacidades exteriores à vontade.

Trata-se mesmo de não ser produtivo, nem eficiente.
Da negação do investimento, da finalidade de ou em realizar algo.
Pode ser décalage excessiva (entre os tempos de dever e os tempos de fazer, por não ser feito)…
Contudo, também me parece que pode ser visto de modo organizacional – sim, estou a pensar na inoperância ligada ao sistema de participação, as ausências ao Conselho Geral e a Conselho Pedagógico, o papel ocasionalmente inoperante das Associações.
Tenho para mim que a inoperância é parente da estagnação e, em certas variantes, decorrente de algum umbigocentrismo.

conversamos?!

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7 Comments on “Pecados mortais dos estudantes – # 6 – a inoperância”

  1. Alexandre Mota Says:

    Reconheço bastantes casos de falta de eficiência, há muito potencial mas não existe estímulo. Talvez por falta de acompanhamento familiar ou mesmo por desinteresse nato, mas principalmente por descrédito.
    Sem querer generalizar. Os valores perdem-se, o importante passa a ser o ‘eu’, na melhor das hipóteses, um grupo. E assim se fazem os mínimos em prol do ‘eu’ ou do grupo.

  2. Anonymous Says:

    A inoperância ao nivel individual talvez possa ser aparentada com uma certa forma de parasitismo porque os inoperantes vivem e sobrevivem. Não têm iniciativa e o que produzem irrita. Mas associam outras estratégias a essa sua atitude e muitas vezes até parece que são o que na realidade não são. Conheço vários casos.

    A nivel organizacional é tudo pior porque os maus hábitos começam na escola e depois são transportados para o mundo laboral, se ali não houver exigência para que se seja diferente. Estou a lembrar-me por exemplo, das comissões que há nos hospitais e que (nalguns casos) são perfeitamente inoperantes. Porque, lá está, não se cultivou uma atitude pró-activa na escola e as pessoas habituaram-se a “fazer parte” e não a “ser parte” de qualquer coisa.
    Acho que esta forma de estar nas coisas, desapaixonada e sem grandes ondas, sem grandes nem pequenos investimento, é uma coisa aborrecida.

    Victor Victor

  3. LN Says:

    A questão do estímulo far-nos-ia pensar se, «naquele» caso conreto, o estudante tem um «locus de controle» interno ou externo.
    Parece-me que existe uma predominância do locus de controle externo, em que o estímulo e a recompensa têm de vir do exterior ou pouco se faz em termos de «motivação para a realização»… Mas é só uma opinião.

  4. LN Says:

    VV, apreciei mesmo a última frase.

    “Acho que esta forma de estar nas coisas, desapaixonada e sem grandes ondas, sem grandes nem pequenos investimento, é uma coisa aborrecida”
    E aborrecedora…

    As linhas de continuidade escola, emprego, vida social,e tc, são «asseguradas» pelas pessoas.
    Aliás, eu não creio mesmo no sistema enquanto algo abstracto…

    E se se vive bem sendo inoperante, subsiste a pergunta: para quê mudar?

  5. Alexandre Mota Says:

    Viver na inoperância é vegetar. Pelo menos para mim.

  6. Anonymous Says:

    “Para quê mudar?” Essa questão é ao mesmo tempo pergunta e resposta.

    Talvez haja sempre gente inoperante, sendo isso tolerável desde que não predomine essa atitude quase como um traço cultural numa organização e que não contamine os outros, a quem ainda sabe bem algum “empreendedorismo” mesmo em pequenos detalhes do dia a dia.

    Nos estudantes seria importante tentar trabalhar o “locus de controle” no sentido de serem menos sensíveis ao exterior – ao bom e ao mau. Porque essa sensibilidade muito focalizada no exterior pode condicionar demais os comportamentos futuros.

    Victor Victor

  7. Anonymous Says:

    Chamemos a responsabilidade…
    Será que, de alguma forma, os inoperantes responderam pelo seu “não fazer”, poderão reflectir a mudança?
    Ou de outro modo (que aprecio mais), se os professores proactivamente, estimularem o trabalho apelando à responsabilidade pelo papel escolhido…talvez se combata a inoperância.
    SD


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