Pecados mortais dos estudantes – # 7 – a procrastinação


(fonte imagem aqui)

Depois de
1 – a preguiça intelectual
2 – a inveja
3 – a indiferença
4 – A desonestidade
5 – A calúnia
6 – A inoperância

7 – A procrastinação

À primeira vista, é uma palavra um tanto inhabitual.
Procrastinar é deixar para o dia de amanhã, adiar, protelar, demorar, deferir…
O termo procrastinação pode ter uma acepção finita ou infinita – finita é o adiamento para um amanhã determinado, infinita (a perder de vista) é um adiamento sem amanhã definido.
Procrastinar implica deixar que as tarefas de baixa prioridade antecipem as de alta prioridade – por exemplo, socializar com os colegas quando se tem um projecto para entregar esta semana, ver televisão ou jogar computador em vez de estudar, etc… O conceito de tarefa adiada abrange uma vasta amplitude de domínios.

Qualquer tipo de procrastinação envolve a decisão de adiar. Os resultados podem interferir com o sucesso académico e pessoal – aí, torna-se pecado (e entra nesta série…) para o estudante.
A procrastinação encontra-se ligada ao conceito físico de inércia – uma massa em repouso tende a permanecer em repouso. Como tal, são necessárias mais forças para iniciar a mudança do que para a manter, o que convida ao adiamento do início das tarefas. Por sua vez, este adiamento ou evitamento, ao proporcionar uma sensação de conforto temporário, reforça a própria procrastinação, o que torna mais difícil começar a agir no sentido inverso. Estamos, portanto, perante um ciclo de funcionamento que se alimenta a si próprio e que tende a perpetuar e a alastrar cada vez a mais áreas ou a assumir cada vez uma maior intensidade.

Alguns autores afirmam procrastinação biológica e psicológica (por exemplo, Jenny Maryasis, que referencio em baixo). E que esta última pode ser comportamental ou decisional.
Já o deixou o PJ, em comentário - “a primeira diz respeito a comportamentos específicos que, sendo adiados, acarretam consequências negativas para os indivíduos. Por exemplo, não entregar a declaração de IRS a tempo ou adiar a compra de presentes de Natal até à tarde de dia 24 de Dezembro. A segunda tem a ver o adiar de decisões e é de natureza mais cognitiva do que comportamental. Adia-se, por exemplo, o destino de férias e estas começam sem que se tenha qualquer plano. Curiosamente, constata-se que a procrastinação decisional se encontra associada a um padrão mais disfuncional de funcionamento psicológico por comparação com a procrastinação comportamental.”

A questão é mesmo, se e quando torna o comportamento disfuncionante.
E tem impacto na auto-estima, na realização pessoal.
Administrar o tempo é ganhar autonomia sobre a sua vida.
Diria até que o tempo é distribuído entre as pessoas de forma mais democrática que muitos (quase todos) dos outros recursos de que dependemos – cada dia tem para cada um 24 horas.
Ainda assim, é um recurso altamente perecível. E que se pode aprender a gerir – até porque fazê-lo é administrar estrategicamente a própria vida.

Há aconselhamento na gestão do tempo e na organização do trabalho.
E um alerta particular, neste início de ano lectivo, à tentação de procrastinar, de preferir sistematicamente o ócio ao compromisso.

Há muitos livros, artigos e sites dedicados ao assunto
http://www.couns.uiuc.edu/Brochures/procras.htm
Procrastination and Task Avoidance: Theory, Research, and Treatment
Procrastination: Habit or Disorder? Jenny Maryasis
ligados igualmente ao mundo
empresarial
como ao meio estudantil
e com referências de psicoterapia e saúde mental

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6 Comments on “Pecados mortais dos estudantes – # 7 – a procrastinação”

  1. Anonymous Says:

    Esse adiamento das tarefas não pode ser entendido como uma espécie de “pânico” face ao que é pedido ao aluno, optando este por fazer como a Avestruz? Não terá essa atitude alguma relação com a afinidade que se tem pelas tarefas – mais ou menos aborrecidas, mais ou menos do nosso agrado?
    Talvez seja um mix entre organização, disciplina interior e interesse pessoal no que se faz. E nesse caso é uma questão de aprender a desenvolver estratégias individuais para contornar o problema. No meu caso tenho estratégias que se vão adaptando às minhas necessidades:
    1. planeio as tarefas que cada actividade requer, priorizando e abreviando as mais aborrecidas;
    2. tento não deixar nada por fazer que possa ser feito naquele instante, mesmo que seja guardar um clip na gaveta agora ou mais logo…;
    3. adio o que não consigo fazer num determinado momento e espero por “melhores dias”.
    4. reservo sempre momentos sem nada planeado para fazer o que me apetecer que até pode ser uma daquelas tarefas aborrecidas que nunca me apetece fazer.

    È mais ou menos assim?

    Victor Victor

  2. JVC Says:

    Talvez o melhor exemplo prático, com grandes reflexos no sucesso escolar (medido por resultados de educação e não só por aprovações) seja o hábito inveterado de se estudar só nas vésperas dos exames.

  3. LN Says:

    VV, há muitas razões apontadas, pelos psicólogos, psicanalistas e afins, entre as quais:
    Má Gestão de Tempo
    Condições Ambientais e Dificuldades de Concentração
    Condições Físicas (pós-esforço)
    Ansiedade Relativamente às Expectativas Que os Outros Têm.
    Crenças e Pensamentos Disfuncionais.
    Obrigações, Deveres e Sentimento de Culpa.
    Falta de Motivação.
    Modelo de Mestria irrealista. Expectativas Irrealistas e Perfeccionismo.
    Medo de Falhar.
    Medo do Sucesso.
    Sensibilidade à Coerção.
    Baixa Tolerância à Frustração. Falta de Recompensas.
    Ambiguidade e Falta de Informação.
    Medo do Desconhecido. Agressividade Passiva.
    Dificuldades em Lidar com a Tarefa.
    Dificuldades de Asserção.
    Excesso de Tarefas.
    Mas também existe (dizem) traço de personalidade…

    Igualmente, encontram-se listas de recomendações para a gestão do tempo. E muito «counselling» em torno do assunto…
    Acho que vou fazer uma entrada a seguir sobre o assunto e podemos continuar a conversa :)

  4. LN Says:

    É um belo exemplo, o de «estudar p’ro teste»… e ao qual nós ajudamos (isto é, reforçamos indirectamente, mantemos) ao classificar apenas por testes…
    :)

  5. Alexandre Mota Says:

    Os “Pecados” são abordados de forma inteligente, e a sua descrição pode servir de doutrinação. Com espírito de autocrítica, o estudante pode retirar lições que contribuam para a evolução académica e pessoal.

  6. LN Says:

    Obrigada, Alexandre.
    Recordo que a sugestão de «virar» as virtudes e os pecados para os estudantes, foi sua!
    Vamos à etapa seguinte?
    :=


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