saber esperar

22 02 2006

É um dos cinco saberes complexos, de Morin.
A espera traz a dimensão do tempo e a nossa época parece dar primazia ao tempo medido em relação ao vivido - a dimensão quantitativa, de transformar o tempo numa coisa, quase numa espécie de mercadoria. Numa concepção linear do tempo, caminhamos sobre uma recta, em direcção a uma meta final (a morte). Essa linearidade contribui para que encaremos a morte como um ponto final que nos apavora e não como um dado da vida. Tende a fazer com que desvalorizemos a passagem, a trajetória, e tudo aquilo que com ela se relaciona - o que dificulta a prática da tolerância, da serenidade e da compaixão.

Todavia, do ponto de vista qualitativo, o tempo não se ganha nem se perde: vive-se.
É preciso reaprender a aguardar o nascer do dia, o cair da noite, a chegada de uma estação do ano, as fases da lua, o desenvolvimento de uma ideia. Os ciclos da vida incluem o tempo de espera. Vivemos neles e eles em nós. Há coisas que não adiante perseguir - aliás, a experiência mostra (e insistimos em não aprender com) que é a ansiosa perseguição da felicidade que muitas vezes nos faz infelizes.

Saber esperar não é uma condição que deriva de um conjunto de regras, de um sistema filosófico ou de um posicionamento pragmática. Trata-se de uma dimensão importante da condição humana, e negá-la é negar a própria essência do viver. Da vida, da qual nos queixamos, e à qual, ao mesmo tempo, nos apegamos.


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