«moral da história» ou histórias com sentido – 2 -

3 10 2006

“Um monge e os seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião a ser arrastado pelas águas.

O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e pegou no bichinho com a mão.
Quando o trazia para fora, o escorpião picou-o e, devido à dor, o monge deixou-o cair novamente no rio. Regressou à margem, apanhou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião com o ramo e salvou-o.

Depois, juntou-se aos seus discípulos na estrada.
Eles tinham assistido a tudo e estavam perplexos e penalizados.
- Mestre, a picada deve estar a doer muito! Porque foi salvar aquele bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o procurava salvar! Não merecia a sua compaixão!

O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu serenamente:
- Ele agiu conforme a sua natureza, e eu de acordo com a minha.”


Acções

Informação

6 respostas

3 10 2006
RG

Estou a pensar nos “escorpiões” que vou encontrando pela vida e não sei se tenho vontade de lhes estender um pauzinho…

Pode ser que não seja da minha natureza, mas “eles” também não falta nenhuma. A ninguém…

RG

6 10 2006
vague

Imperturbável devia ser a nossa natureza – é a lição a retirar desta história (pese embora eu não apreciar mto a carga moralista da palavra ‘lição’ aplicada a adultos).

É difícil pq deixamo-nos guiar pela vingança, pela reciprocidade…

Mas sermos independentes mesmo é estarmos acima da reacção dos outros, pois é.

6 10 2006
Anonymous

Nesta vida comandada pela competitividade é muito dificil não responder na “mesma moeda”… O ideal existe. Dificil é sentirmo-nos engrandecidos com isso.

Saudações

15 10 2006
LN

R, se há alguém que conheço que tem jeito para agir “estendendo pauzinhos”, tem o teu nome…
Talvez a história «só» indique que não se deve ter remorsos de agir de acordo com a sua natureza, particularmente se bondosa.
:)

15 10 2006
LN

Ah! Vague, era essa a ambição dos estóicos. Que o exterior não os afectasse – e que o que existe em redor tivesse o menor efeito.

O “drama” – me parece – é que isso tanto se aplicaria ao que afecta negativa como positivamente….
Portanto, podemos escolher não nos deixarmos afectar pelo negativo, pelo mau…

Uso dizer que as coisas têm o valor que lhes dou… portanto, posso escolher não dar :)

beijo.

15 10 2006
LN

mag’ana, usaria aqui uma frase de Frankl, que “entre um estímulo e a resposta, está um espaço de liberdade”.
Penso isso, como uma pausa em que quem define a resposta, é cada um, além do estímulo…

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