“Uma abelha envergonha, pela qualidade de suas colmeias, a habilidade de muitos arquitetos. Mas o que distingue o pior dos arquitetos da abelha mais habilidosa é que ele construiu a célula na sua cabeça antes de a construir na colmeia” (Marx)
O conhecimento é a posse e o exercício das faculdades intelectuais e sensoriais. Dito assim, o «mecanismo director» é o pensamento conceptual. E criar e manusear representações simbólicas é traço humano, assim o afirmou Cassirer.
Sem símbolos e sem linguagem, o pensamento mantém-se a um nível rudimentar e não pode ser transmitido através do grupo, a outros ou a outras gerações. Por isso, são justamente as faculdades intelectuais que permitem a concepção no imaginário e o desenvolvimento do entendimento que se tem das coisas e dos factos - neste sentido, o conhecimento subjaz a todo o desenvolvimento.
O conhecimento não é só o que está “acumulado” no intelecto dos homens, adquirido pela experiência e pela aprendizagem. Pode fazer-se um discernimento quanto às «formas de aparência» do conhecimento:
- empírico, adquirido através da experiência e que informa o “como fazer” das coisas sem os “porquês”,
- científico, de fundamento epistemológico, onde se busca saber, além do “como”, a razão (ou as razões) pela qual.
Estes dois âmbitos do conhecimento são aprofundados por Marglin (1990) para “caracterizar diferentes formas de saber”. E questionados largamente por Boaventura de Sousa Santos, até pelo facto do conhecimento empírico se constituir, hoje, como conhecimento relevante. Mas posso ir muito mais atrás, aos gregos. E à diferença entre a techne e a episteme.
A techne é um conhecimento pessoal, de uso rotineiro, não segue princípios estruturados e depende da intuição. É o caso clássico do artesão que não descreve conhecimento uma vez que os resultados esperados são atingidos através do seu método próprio não documentado. Na realidade, é um conhecimento implícito e, principalmente, restrito a um determinado contexto de acção, isto é, diretamente ligada à prática que se tem com alguma coisa.
A episteme é o conhecimento baseado em dedução lógica a partir de princípios, onde nada deve ser deixado ao acaso ou à imaginação, mas antes seguindo-se uma rigorosa metodologia. Trata-se do conhecimento científico e, portanto, articulado - analítico, universal, cerebral, teórico e impessoal (afirma Marglin).
Os métodos de produção, de uso e de transmissão destes dois tipos de conhecimento são, naturalmente, diferentes.
O conhecimento técnico é dependente da criação e das descobertas informais e aleatórias, baseados em processos de tentativa e erro, enquanto que o conhecimento científico só se torna válido e aceite após a verificação metódica do seu conteúdo em confronto com o que deverá explicar.
Da mesma forma, enquanto o conhecimento técnico é transmitido de modo informal, o conhecimento científico só pode ser transmitido adiante através de canais formais de comunicação. O conhecimento científico fica directamente ligado à aprendizagem formal (escola, universidade, livros, artigos, etc) e o conhecimento técnico ao informal (learning-by-doing e learning-by-using).
Se a transmissão do conhecimento científico é mais complexa, é, ao mesmo tempo, mais fácil.
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