De vez em quando, lá se volta a falar de António Damásio. Sim, o autor do «Erro de Descartes» e das conversas com Espinosa. Via Ciência Hoje,
“Os pacientes cujo córtex frontal ventromediano - zona do cérebro situada acima dos olhos - está lesado têm geralmente menores reacções emocionais de dimensão social (compaixão, vergonha, culpabilidade) sem que a sua inteligência e a sua lógica sejam afectadas, segundo Damásio, da Universidade de Los Angeles, Califórnia.
Com Ralph Adolphs, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e outros especialistas em neurociência, colocou 30 pessoas, seis das quais com estas lesões cerebrais, face a escolhas moralmente difíceis, implicando sacrificar uma pessoa para salvar outras.
Exemplo de cenário proposto: no teu laboratório foram preparadas duas subtâncias - um líquido tóxico e uma vacina contra um perigoso vírus mortal que se propaga. A única forma de identificar a vacina é testar estas substâncias em dois pacientes. Estarias pronto a matar um deles para salvar muitas outras vidas? Confrontados com este tipo de dilema, os participantes com o córtex frontal ventromediano lesado responderam muito mais frequentemente “sim”, sem hesitações, do que os outros voluntários (12 com outros tipos de lesões cerebrais e 12 sem lesões neurológicas).
As suas opções lógicas em favor de um bem maior são consideradas “utilitaristas” pelos investigadores.
O que não significa forçosamente que agissem realmente como afirmam, nota uma outra especialista.
“Em tais circunstâncias, a maioria das pessoas sem lesões cerebrais específicas ver-se-ia confrontada com um conflito interior. Mas estes pacientes particulares não parecem experimentá-lo”, explica António Damásio na revista científica britânica Nature, que apresenta os seus trabalhos. Normalmente, um sentimento de aversão mistura a recusa do acto, emoções de dimensão social, compaixão pela pessoa envolvida, impede um homem de fazer mal a outro, acrescenta.
Face a outras escolhas menos difíceis (como guardar ou não um porta-moedas encontrado na rua), poucas diferenças de reacções foram observadas entre os três grupos participantes. Preocupado em distinguir o que resulta de uma aprendizagem social do que provém da própria estrutura do cérebro, Marc Hauser, da Universidade de Harvard, considera que este trabalho prova directamente o papel das emoções nos julgamentos morais.
(bold no corpo do artigo)





Interessante, mas não convincente. Pode ter s sua lógica quando se retiram pessoas exactamente do mesmo meio social e do mesmo seio familiar; caso contrário não concordo muito com a teoria apresentada, mas não deixa de ser interessante.
Quando leio algo, penso na sequência do raciocínio apresentado. Depois, integro (ou não) no conjunto que transporto (cada um transporta) consigo. Todavia, quiçá mais importante que decidir se concordo ou não, é explorar a ideia. E sim, “não deixa de ser interessante”…
Votos de dia bom.