Há comentários, que pela sua natureza e contributo, teêm mesmo de passar para entrada. É o caso deste…
Eu escrevi:
“De uma colecção de imagens da National Geographic, sobressaem estes peixes que, além da associação possível ao Peixologia e ao Trollart, levantam uma interrogação inquietante:
quando os peixes são todos iguais, como se distinguem singularmente, do cardume e no meio dele?”
“De uma colecção de imagens da National Geographic, sobressaem estes peixes que, além da associação possível ao Peixologia e ao Trollart, levantam uma interrogação inquietante:
quando os peixes são todos iguais, como se distinguem singularmente, do cardume e no meio dele?”
Ele comentou:
“A ideia de um cardume é a da segurança dos números, é criar precisamente esse tipo de interrogações: onde é que acaba um peixe e começa o outro?
Claro que é preciso mais do que inquietações filosóficas para dar origem evolutiva a este tipo de comportamento.
Cada peixe que se afasta do cardume e é comido por um predador reforça a coesão dos restantes; cada peixe diferente que os predadores individualizam e atacam contribui para aumentar a homogeneidade do património genético.
E não basta ser igual aos outros- é importante também disfarçar os próprios limites do seu corpo, tornar difícil definir contornos, esbater as fronteiras. Daí as riscas que atravessam o animal de um lado ao outro: só fazem sentido pelo efeito que têm no conjunto. Os predadores fixam-se nos padrões e deixam de ver os seres que os suportam. Um peixe destes, isolado, é tão conspícuo como um polícia num jardim de infância; um cardume deste peixes é uma massa ondulante que parece ter vida própria.
Especialmente importante é disfarçar os olhos, e por isso os peixes da foto têm uma linha estrategicamente colocada de forma a esconder aquele círculo negro tão óbvio.
Outras espécies vão ao ponto de apresentar uma mancha ocular na parte posterior do corpo, procurando provocar o microsegundo de confusão que lhes pode salvar a vida.
É uma tentação grande, esta de se esbater no cardume. Não há decisões a tomar, e a única preocupação é não ser diferente. Mas fica-se preso numa estratégia de vida que está longe de ser segura… “
espectacular… tanto cientificamente como metaforicamente.






Tem razão. Se há comentários que merecem um lugar de destaque, este é sem dúvida um deles. Adorei.
Eu também
então, a perspectiva metafórica….
Dá para motivar os corajosos e para aniquilar os fracos…
Risos, VUNF… pois, afinal, sempre se trata de sobrevivência!