Imagine-se Maio de 1945.
Dia 3, em Portugal, o governo de Salazar decreta luto oficial de três dias pela morte de Hitler (que se suicidou a 30 de Abril).
Dia 4, os alemães aceitam render-se na Holanda, Dinamarca e nordeste da Alemanha.
Dia 7, o general Jodl assina a rendição incondicional das forças alemãs, no quartel-general de Eisenhower, em Reims.
Dia 8 de Maio, Churchill e Truman declaram o dia como «V.E. Day» - Dia da Vitória na Europa.
Dia 9, ratificada a rendição das tropas alemãs em Berlim.
Neste artigo, encontrei referência interessante ao dia 8 de Maio.
“A História não é só uma sucessão de fatos, mas também o que fazemos deles. Nos últimos 60 anos, faltou consenso na Alemanha sobre como se deveria lembrar a Segunda Guerra e como interpretar a própria História. Um dos mais renomados conhecedores desta tenebrosa fase da história alemã é o historiador Ian Kershaw, autor de uma biografia sobre Hitler. Em entrevista à DW-WORLD, ele falou do significado do 8 de maio de 1945″ .
Ian Kershaw: O 8 de Maio foi o fim de uma era, o final das duas guerras mundiais. Embora a Europa estivesse em ruínas, o 8 de Maio de 1945 possibilitou um novo começo na Alemanha e na Europa. Naturalmente que isto levou tempo. O acontecimento principal, no entanto, foi o fim da Segunda Guerra Mundial.
…
(…) o final da guerra estabeleceu um marco na história europeia, especialmente na alemã.
Foi a transição entre as duas metades do século passado. Embora a segunda metade do século 20 seja marcada pela guerra, o 8 de maio possibilitou à Alemanha a chance de um novo começo, mesmo que de forma diferente para os dois lados do país.
Pode-se comparar o 8 de maio de 1945 com algum outro importante acontecimento da história mundial?
A única analogia possível talvez fosse o fim da era napoleônica. 1815 foi, da mesma forma, um recomeço para a Europa. Só que a ruptura de 1945 foi maior que a de 1815. Não há comparação. Depois de uma guerra, são necessários alguns anos até que a situação se estabilize, mas as modificações na Europa pós-1945 foram muito maiores do que as que se seguiram a 1815.
(…)
Nas décadas de 60 e 70, a opinião pública debateu pouco o Holocausto. Houve algumas obras científicas, mas pelo que sei não receberam muita atenção. Foi aceite que a Alemanha esteve envolvida em coisas terríveis. Mas não se estava disposto a investigar o papel do país ou da sociedade alemã nestes acontecimentos. A responsabilidade foi passada a Hitler e ao seu regime totalitário.
(…) Teme-se que com o falecimento das testemunhas que vivenciaram a Segunda Guerra também morra o interesse pelo conflito. O senhor compartilha esta opinião?
Sessenta anos após o final da guerra, pode ser esta a última oportunidade de refletir em conjunto com os sobreviventes. O interesse da opinião pública parece saturado. Na Grã-Bretanha, os programas sobre a Segunda Guerra não têm mais tantos telespectadores como antigamente. Mas isto é muito natural. Mesmo assim, a importância da guerra, do Holocausto e da era nazi permanece. Foi a mais dramática das tentativas de criar uma sociedade desumana. Enquanto os princípios humanitários continuarem sendo o fundamento social da Europa, não mudará a posição em relação a Hitler e à Segunda Guerra Mundial.




