Publicado por: LN | 07/06/2007

2 – Escrita de professores

É bom assinalar, como escreveu Rui Canário, que a acção dos professores só em parte é determinada por factores individuais e macro-sociais. Na verdade ela é fundamentalmente mediada pelas organizações onde estamos inseridos.
Como se as organizações desempenhassem o papel de filtros que deixam passar certas iniciativas e certas acções, mas não outras, segundo critérios que radicam nas suas lógicas de poder internas. Ou como se tivessem muito mais potencial de peneirar e separar elementos do que cada pessoa singularmente…
Se fizesse apelo a Edgar Morin, diria que esta profissão de ser professor é complexa, onde a incerteza e a ambiguidade ampla dos contornos são traços definidores. E para fazer face ao real, o professor conta acima de tudo consigo próprio. Contra a incerteza e as suas próprias dificuldades, com o conhecimento como referência teórica mas admitindo a sua precária transferibilidade de situação em situação, ser professor é estar envolvido num processo de construção e desconstrução, continuamente interrogativo.

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