Sendo certo que as mulheres leêm mais do que os homens - pelos dados do Consumidor da Marktest, do mês passado, em 2006, as mulheres apresentam uma taxa de leitura de 40.7% e os homens de 33.1% - o título fez-me pensar se são perigosas por lerem ou se leêm por serem perigosas. Afinal, a afirmação não tem causa-efeito, apenas diz: «mulheres que leêm livros são perigosas»…
«Ler é um acto de isolamento amigável. Quando estamos a ler, procuramos tornar-nos inantigiveis. Talvez fosse isso que interessou os pintores durante muito tempo no retrato dos leitores: mostrar pessoas num estado da mais profunda intimidade não destinada a outros».
Vale a pena fazer o percurso por pinturas, fotografias e desenhos que, do século XIII ao XXI, reflectem a relação das mulheres com os livros, através dos quais elas se apropriaram de “conhecimentos e experiências que não lhes eram destinados“, como se lê por lá.
A obra divide-se em seis capítulos - por ordem, as “leitoras abençoadas”, as “leitoras fascinadas”, as “autoconfiantes”, as “sentimentais”, as “apaixonadas” e as “solitárias”.
Reúne imagens de mulheres que lêem… seria a afirmação simples.
E ler conjuga-se como existir, penso.Por isso, o livro que refoca leituras, na inseparabilidade da vida e da arte, é representativo do poder e do triunfo do livro, da arte e da vida.
Bollman explica, por outro lado, que as mulheres que aprendiam a ler (referindo-se aos finais do século XVII) eram, na época, consideradas perigosas: A Quetzal tem razão quando descreve “Mulheres que lêem são perigosas” como “uma homenagem ao poder libertador da leitura e uma reflexão acerca do papel que esta tem assumido ao longo dos tempos“. Pretexto para ir buscar a «História da Leitura» em que não pego há uns anos, e reler… e trá-lo-ei aqui, depois.
“Uma mulher que lê em silêncio cria um vínculo com o livro e foge ao controlo da sociedade e da comunidade que a rodeia“, pois “começa a criar a sua própria visão do mundo que não corresponde necessariamente à da tradição” o que “abre a porta que conduz à liberdade“.






Não resisto à provocação: será que as mulheres que escrevem em blogues também são perigosas?
LINDO! Belíssima provocação, MJM.
Pensando…
Não sendo propriamente «um acto de isolamento», pois se abre aos outros,
cruza as razões de ter um blog, com o conteúdo que se coloca lá…hum, podem ser, acho que Sim. Mas é uma questão a colocar, mesmo. Para amadurecer o sentido do «perigoso».
Beijos, votos de dia bom.