Na linha de outras “introduções à filosofia”, e que não é parecida com nenhuma das outras, Ferret optou:
“Mais do que traçar uma cartografia dos autores e dos sistemas ou de me interrogar sobre o que é a filosofia, preferi soltar as amarras e confrontar-me directamente com problemas filosóficos.”(p. 7).
Portanto, engana-se quem vai preparado para mais uma história da filosofia. E como o autor mesmo afirma, contesta a redução da actividade filosófica à actividade enciclopédica ou, melhor ainda, esse encantamento da actividade filosófica pela história da filosofia.
O grosso da bibliografia apresentada é inglesa. E percebe-se a preferência pelos problemas da filosofia da mente.
Os problemas filosóficos são apresentados sem recurso aos nomes dos filósofos - não estão lá, a não ser entretecidas no pensamento (e explícitas no Post-Scriptum).
Se gostar do estilo do autor de La leçon de choses : initiation à la philosophie, recomendaria Le Bateau de Thésée. Le problème de l’identité à travers le temps
( Collection « Paradoxe », 1996, ISBN : 2.7073.1543.5)
« Un paradoxe et plus encore une énigme : l’identité à travers le temps. Que dire, par exemple, du bateau de Thésée, bateau perpétuellement réparé dont les sophistes d’Athènes se demandaient, au fur et à mesure que les pièces en étaient modifiées ou remplacées, s’il s’agissait encore du même bateau ? »
Stéphane Ferret





(também) acho que a filosofia deve ‘acontecer’ à revelia dos grandes nomes; eu teria estudado filosofia (de modo desenvolvido) se o método socrático imperasse na universidade: em conversa, os pensamentos divagariam e encontrariam estruturação;
mas o «bateau de Thérèse», perpetuamente reparado, fez-me cair ‘na real’(malgré lui!…), pois lembrei-me de Sísifo, a arrastar perpetuamente o seu pedregulho, que, para o efeito, pode ser a metáfora da conversa de surdos; ergo, o problema são os (pseudo) filósofos…
e acho que completei o círculo…
sorriso, pelo Sisifo, naturalmente.
se…
se a filosofia não estivesse numa torre de vidro;
se saísse às ruas da cidade,
se não existisse algum «snobismo» intelectual em quem anda nesses campos,
se fosse ensinada como um jogo de pensar,
se não se fizesse gala que fosse hermética, mesmo ao nível «iniciado…
tantos ses…
Maria, eu acho mesmo que pensar e pensar-se tem ajuda na filosofia. Mas não estou certa que tenha no academismo filosófico (e isto seria um acesso de rabujice irónica…)