
Vim da Maré Alta, o sítio onde a Vague toca o céu, e deixou uma lista de livros.
Daqueles que mais marcaram. Livros… livro. Que cada um, em singular, dá muito mais do que percebemos ao lê-lo.
Alguns viajam décadas conosco, nos seus mundos de palavras e de ideias, de imagens que re-criaram ou fizeram emergir em nós. E são de tantos estilos… ensaios, poesia, romance, ficção, policial,… pensados, vividos, imaginados. Já reconheci a minha bibliofilia vezes sem conta. Não espantará que tenha ficado a pensar nos 10.
Porque há cadeias com elos perdidos, e as que se fazem com elos inesperados, aqui ficam os 10 que hoje, primeiro aparecem ao meu pensamento, caminhando de trás para cá.
Eurico, o Presbítero, Alexandre Herculano.
Dos primeiros livros que li e me impressionou para o resto do tempo. Na época em que ler Herculano era de «liceu», as descrições de um homem solitário e atormentado, num particular momento da história.
Estranho em terra estranha, Robert Heinlein.
Foi fabuloso ter encontrado, há mais de duas décadas, a figura de Valentine Michael Smith, e a ideia de um entendimento entre pessoas. Umas raízes de libertarismo e de idealismo utópico à mistura.
Hobbit, O Senhor dos Anéis ou As Obras Completas de J. R. Tolkien.
A companhia do Caminheiro Aragorn e dos seus amigos, Legolas em particular, nos inícios da década de oitenta foi assombrosa. Um outro mundo, metafórico no combate do Bem e do Mal, onde uma Irmandade joga um papel determinante.
Presságio de Fogo, Marion Zimmer Bradley.
Se dela, também As brumas de Avalon, voltei mais vezes à figura mitológica da amaldiçoada, que sempre diz a verdade sem ser acreditada. Ou a tragédia dos deuses se vingarem!
Pássaros feridos, Colleen McCullough.
Li-o e marca o início da minha leitura e releitura de Colleen, das Senhoras de Missalonghi à Viagem de Morgan, ou a saga do Primeiro Homem de Roma.
As escolhas de gente que faz o melhor que pode com o que lhes acontece.
Fahrenheit 451, Ray Bradbury.
A coragem de ir contra as regras e de fugir do medo, afirma a Vague.
A possibilidade de se estar iludido no seio de uma ideologia dominante. Ou a necessária coragem para verificar o que se pensa (e de o descobrir primeiro).
Antologia Poética, Miguel Torga.
Porque «poesia, sempre…» e nele os temas se encadeiam em todas as direcções. Colocava-o ao lado das
Obras completas, Pablo Neruda,
que acrescenta, em meu entender, a força e o vigor dos sentidos e dos acreditados.
Humano, demasiado humano, F. W. Nietzsche,
como símbolo de toda a obra, dos ditirambos e aforismos que desafiam além da primeira, segunda, terceira, interpretação. A vertigem do abismo, no pensamento de um outsider.
A condição humana, Hannah Arendt.
Uma outra forma de pensar, de colocar o homo em diferentes esferas, de definir-nos na(s) condição de sermos plurais e de nos tornarmos na relação com os outros. A proximidade ineludível da ética e da política.
Portas de Fogo, Steve Pressfield
porque o romance histórico é duplamente fascinante e a aventura humana das Termópilas inesgotável.
Ultrapassei os 10. Páro aqui, mas a lista continua…





Que bonito o que disseste, LN. Fiquei deliciada e feliz.
Tenho curiosidade pela Hanna Arendt. No resto temos alguns livros em comum
bj*
Obrigada, eu, pela possibilidade
e pelo feedback.
Hannah Arendt é fabulosa, se bem que escreva como quem tece uma tapeçaria.. ao fim de alguns livros, percebe-se melhor (risos)
beijos
Aprende-se muito por aqui, eu que nada sei, fico feliz em conhecer estas coisas
Obrigada In
Nada sei? isso nem é perto do real, Maria da Luz
Obrigada pela companhia e pela conversa, digo eu.
[...] certos de viagens pela imaginação e pelos olhares dos Outros. Que em Si ecoam. Dia de evocar livros significativos. De relembrar [...]