Saúde da Mulher, saúde de todos

28 10 2007

Quem levantou o assunto foi LifePassenger, do Cogitare, na sequência do Sociedade Civil.
A vacina do Colo do Útero deve ou não ser comparticipada?

A ponderação de uma vacina integrar o PNV decorre de que critérios? poderia ser a primeira pergunta… E, a seguir, se a comparticipação deve ser total ou parcial…porquê, isto é, com que critérios. Por exemplo, a vacina da Hepatite B tem 40% de comparticipação, salvo para os seguintes casos, em que é gratuita: (1) crianças no 1º ano de vida; (2) jovens dos 10 aos 15; (3) profissionais de saúde; (4) pessoas sujeitas a frequentes transfusões; (4) recém-nascidos com mães portadoras do vírus; (5) outras pessoas em situação de risco.

Hoje, o cancro do colo de útero tem 3,5 de taxa de mortalidade (dados do PNS). A meta para 2010 é de 2.

A vacina contra o Papiloma Vírus Humano (quadrivalente, recombinante, com os tipos 6, 11, 16 e 18 - ou seja, os que se desenvolvem em carcinomas benignos e malignos) recebeu opinião positiva da U.S. Food and Drug Administration (FDA) Vaccines and Related Biological Products Avisory Committee. Foram aprovados os dados dos estudos de fase II e fase III que suportam a eficácia e segurança da vacina para a prevenção do cancro do colo do útero e para a prevenção do cancro da vulva e da vagina e de lesões vaginais pré-cancerosas causados em mulheres pelo Papiloma Vírus Humano (HPV) do tipo 16 e 18. O comité concordou que as conclusões suportam a eficácia e segurança da vacina para a prevenção de outras lesões cervicais, da vulva e vagina causadas pelo HPV de tipos 6, 11, 16 e 18, incluindo as verrugas vaginais (condilomas).

Este é o «melhor estado da arte», portanto. Os factos são:
1) Na Europa, os casos detectados anualmente rondam os 33.500 e 15 mil são fatais, o que equivale à morte de 40 mulheres por dia, ou cerca de duas por hora.
2) Portugal tem a mais alta incidência da Europa deste cancro, cuja principal causa é o vírus HPV, registando 900 novos casos por ano e mais de 300 casos mortais.
3) Estima-se que 70% das pessoas sexualmente activas possam estar expostas ao PVH.

Na Alemanha, a vacinação contra o Papilomavírus Humano é comparticipada na totalidade, desde Dezembro de 2006, por fundos de seguros de saúde. Em Espanha, aqui ao lado, comparticipada a 100%.

Na minha concepção, a saúde é um bem, que nos cabe a todos (sociedade) proteger o melhor que pudermos e se existe uma vacina que reduza seguramente a morbilidade ou a mortalidade, deve ser totalmente comparticipada, particularmente nos grupos etários de maior risco ou em que aprevenção seja mais eficaz. O anúncio, este mês, de comparticipar a 40%, mesmo sendo medida política e melhor que antes, é claramente insuficiente. Naturalmente, a vacinação tem de ser acompanhada por outras medidas - porque a incidência estimada do Cancro do Colo do Útero em Portugal é de mil novos casos por ano e os programas de rastreio devem ser reforçados, independentemente da utilização da vacina. O que não invalida que a vacina devesse ser comparticipada a 100%.


Acções

Informação

4 respostas para “Saúde da Mulher, saúde de todos”

30 10 2007
José Manuel N. Azevedo (01:44:04) :

Não estudei este assunto em particular, mas tenho o pré-conceito de que os vírus não causam cancro. Mas independentemente de questões científicas de fundo, estas discussões deixam-me sempre a pensar no dilema dos recursos finitos: o que é que vai deixar de ser comprado para fazer esta comparticipação?

Claro que eu gostaria que se comparticipassem todas as vacinas (assim como gostaria que elas não fossem obrigatórias), que todas as intervenções médicas fossem gratuitas, que todos os remédios oferecidos. Assim como acho que todas as crianças têm direito a uma alimentação impecável, à melhor educação deste mundo e do outro, a terem todos os brinquedos que lhes apetecem. Mas não pode ser, não é?

Então repito a pergunta: esses 40% vêm de onde? E acrescento outra: e não havia um sítio melhor para irem?

30 10 2007
lifepassenger (10:54:21) :

Temos pois ,antes que o Governo decida o que fazer ou investir, que incentivar os Centros de Saúde, os Cuidados Primários a Educarem a nossa População. Isso requer contratualização dos elementos que faltam e\ou renovação e contratos para que haja Continuidade no trabalho realizado! Pessoalmente conheço alguns bons casos , mas temo que esta Politica de Privatização “mate” estes projectos que traziam ganhos em Saúde.

30 10 2007
LN (20:14:12) :

Ok, JNA, a pergunta é muito pertinente. Todavia, parece que a educação e a saúde são prioritárias, não? Para as pessoas, pelo menos. O ambiente, sim, idem. Para onde não podem ir, como sítio «melhor para irem», sabes melhor que eu… e onde se consome demasiado dinheiro, não é, de todo, na Protecção da Saúde.
E se o que fôr deixado de ser comprado fosse um novo parque automóvel de… , ou uns equipamentos de guerra que.., ou… é que, na linha diametral oposta, penso numa série de coisas para onde não vai melhor…
:)

30 10 2007
LN (20:15:53) :

Concordo que o investimento na Protecção da saúde não seja apenas a(s) vacina(s). E que sendo investimentos de longa duração, de prazo demorado, com frutos de futuro, seja menos evidentes para “colheitas de curto prazo”…
E, não obstante, todos nós cidadãos, e nós em particular, enfermeiros, temos uma enorme responsabilidade de proteger o futuro, portanto, de centrar nos Cuidados de Saúde Primários.

Deixe um comentário

Pode utilizar estas tags : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>