Publicado por: LN | 18/11/2007

de ontologias… em cinco pontos, dedilhado intermezzo

Investigação aplicada é realização de trabalho original a fim de adquirir novos conhecimentos. É, no entanto, direccionada, principalmente, para uma finalidade ou objectivo prático específico. Assim se passa com as ontologias aplicadas aos sistemas de informação, que se referem implicitamente a uma determinada visão do Domínio em que operam. O âmbito desta ontologia aplicada (sistemas de informação) é o de fazer emergir, de uma forma clara e inequívoca, conhecimento implícito e hipóteses sobre a natureza e estrutura deste domínio. Se a ontologia como disciplina filosófica estuda o ser e a estrutura geral das entidades, a ontologia aplicada investiga e desenvolve modos de estruturar através de linguagens formais e computacionais o conhecimento que está inerente a documentos que pertencem aos sistemas de informação.

vindo daqui – e continuar a ler…

Vejo a moldura com 4 lados, com a hermenêutica lá.

1. Filosofia não é uma ciência, como a vejo. Está acima, e o conhecimento que visa, assim como o sentido, são de natureza diversa da da ciência. E concordo que é do tipo que confere organização e sistemática. Ao científico como ao pensamento estético. Ou ao pensamento, apenas. Nela, a ambição pelo todo não é incompatível com a visão da parte – de um modo análogo ao que uma visão de landscape da floresta não se antagoniza com um mergulho às árvores – completam-se. Nela, a importância maior é das perguntas, das indagações que se colocam.

2. A Ontologia filosófica saiu do campo estrito e passou a admitir-se como ontologia para-definir-os-tipos de seres e entes. Portanto, também de coisas. Daí que se admita que exista «ontologia de domínio», «ontologia de tarefas», «ontologia de representação» (é desta que falamos…)

3. A Representação do conhecimento aplica teorias e técnicas dos 4 campos: Lógica ( proporciona a estrutura formal e as regras de inferência), Ontologia, Computação (apoia as aplicações que distinguem a representação do conhecimento da filosofia pura) e da Hermenêutica (as regras e técnicas da interpretação).

4. A compreensão das coisas precisa de um método analítico esclarecedor e de um procedimento de compreensão descritiva, afirma Dilthey. Compreender é apreender um sentido – e sentido é o que se apresenta à compreensão como conteúdo. Ou seja, determinam-se um pelo outro: só é possível determinar a compreensão pelo sentido e vice-versa.

5. Lógica, Ontologia, Computação e Hermenêutica fazem uma moldura. Quatro lados de um enquadramento amplo e desafiador. O que os liga, como se de cola se tratasse? Não o conhecimento, em si, mas a Representação do conhecimento.

Como Leonardo cita:

“Philosophical ontology is the science of what is, of the kinds and structures of objects, properties, events, processes and relations in every area of reality”

Afirma Alexandre Sousa que:

Para um sistema de informação, uma ontologia é uma representação de um pré – existente domínio da realidade, o qual:
(1) Reflecte as propriedades dos objectos dentro do seu domínio de tal forma que obtém uma correlação sistemática entre a realidade e a própria representação;

(2) É inteligível para o especialista no domínio;

(3) Apresenta-se formalizada de tal modo que permite o processamento automático da informação.

Uma ontologia neste sentido é uma coisa feita por um investigador ou especialista num determinado domínio. Esta coisa é uma teoria formal, que recapitula com precisão o domínio em função do tipo de entidades contido dentro dele; ou seja, não é ad hoc, mas sim, em conformidade com o mundo. Assim, uma ontologia representa uma verdade – para – o – mundo de um dado domínio. Isto está em contraste com os usos mais populares nas áreas da informação e da ciência da computação, pelo que podemos ver uma ontologia como um mero modelo ad hoc construído para algum propósito específico.

E é certo que, aquando da minha atirada para cima da mesa da homenagem a Hermes, AS afirmara:

Aquilo que nós pensávamos poder ser lidado por gente de 3 campos: lógica, ontologia, computação, vê-se a braços com a provocação proveniente da Hermenêutica. Antes desta, temos um fio condutor e aglutinador que é o conhecimento. Pacífico!

Como se diz por aí, a filosofia não pode (deve) dar cobertura às nossas ideias preferidas, gostosas e acarinhadas, uma vez que somos tentados a não as avaliarmos cuidadosamente. Pelo contrário, a filosofia impõe que façamos a respectiva avaliação critica das nossas ideias — todas — pondo em causa os lugares-comuns que sorvemos a largos golos, a bem da paz e da tranquilidade da raça.

A filosofia e o seu método obrigam-me a formular questões antes de dizer a LN que chove torrencialmente e que está um dia maravilhoso para andar no areal da Praia de Francelos. LN e o seu método provocam-me de maneira salgada e perguntam-me qual é exactamente o problema de trazer a hermenêutica para o quadro que esboçamos? E o que é exactamente ser adepto da hermenêutica?

……

e em outro excerto

 

A ciência contemporânea contraiu uma dívida elevada para com os discípulos de Hermes, pela sua permanente inquietação, pela transmutação dos elementos, pelas teorias da energia e da relatividade. Está aberta a porta a Hermes! Mas também a outros Deuses e Deusas, sobretudo aos que sabem e conseguem raciocinar perante factos observáveis. Faça-se ainda uma última ressalva: não acredito que a Pedra Filosofal me permita entrar desta vida na eternidade dos BemAventurados.

Finalizando:

Por mais que se procurem alquimias, transmutações da Pedra Filosofal, ainda resta a possibilidade de que os processos sejam o mais enriquecedor do que se faz pelos caminhos…


Respostas

  1. Os sentidos contam muito. Estive assim, parado um bom bocado, a ouvir o intermezzo. A descansar, de uma música muito maluca que me dava ambiente para escrever sobre a vida louca que toda esta gente dissipa, em especial a do meu realíssimo mundo; incluindo eu, claro.
    Navego agora, assim, no real mundo descrito por Gedeão:
    … como esta pedra cinzenta
    em que me sento e descanso,
    como este ribeiro manso
    em serenos sobressaltos,
    como estes pinheiros altos
    que em verde e oiro se agitam,
    como estas aves que gritam
    em bebedeiras de azul.

    eles não sabem que o sonho…

  2. … é tela, é cor, é pincel,
    base, fuste, capitel.
    arco em ogiva, vitral,
    pináculo de catedral,
    contraponto, sinfonia,
    máscara grega, magia,
    que é retorta de alquimista,
    mapa do mundo distante,
    rosa dos ventos, Infante,
    caravela quinhentista,
    que é Cabo da Boa Esperança,
    ouro, canela, marfim,
    florete de espadachim,
    bastidor, passo de dança.,
    Colombina e Arlequim,
    passarola voadora,
    para-raios, locomotiva,
    barco de proa festiva,
    alto-forno, geradora,
    cisão do átomo, radar,
    ultra som televisão
    desembarque em foguetão
    na superfície lunar.


    é o tel
    “bichinho alacre e sedento.
    de focinho pontiagudo,
    que fossa através de tudo
    num perpétuo movimento”.

    E então se? Porque não?
    duas das interrogações fabulosas…

    mesmo em manhã de segunda feira, com chuva.
    Dia bom.

  3. Eles não sabem, nem sonham,
    que o sonho comanda a vida.
    QUE SEMPRE QUE UM HOMEM SONHA
    O MUNDO PULA E AVANÇA
    COMO BOLA COLORIDA
    ENTRE AS MÃOS DE UMA CRIANÇA.

  4. … assim as crianças mantenham a bola na mão e a capacidade de querer brincar.
    Salvé o Homo Ludens!


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