
Há muitas coisas que se lêm pela(s) vizinhança e que perpassam para aqui. Trago duas, por hoje:
O Ademar já fez um telegráfico balanço do que 2007 não foi. Do Abnoxio costumo sair de sorriso ou de cenho franzido. Nem que mais não seja, pela reflexão projectiva do que o (meu) 2007 não foi, neste caso. Algumas coisas não foi para poder ser outras, o que nem é mau… Ainda que haja uns «nãos» (dele) que corroboro (eu).
O sorriso, tanto por reencontrar Heinlein como pelo magnífico excerto no Aprender e Ensinar. Pedindo licença, JNA, traço o sofá reflexivo para a lista:
A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects.
Pensar nesta lista, mesmo como metáfora, é interessante (também) para fazer contas:
Um ser humano devia ser capaz de
trocar uma fralda,
planear uma invasão
matar um cerdo
dirigir um barco,
desenhar um edifício,
escrever um soneto,
equilibrar contas,
construir uma parede,
consertar um osso
consolar o que morre,
receber ordens,
dar ordens,
cooperar,
agir sozinho,
resolver equações,
analisar um novo problema,
espalhar estrume,
programar um computador,
cozinhar uma refeição saborosa,
lutar eficientemente,
morrer galantemente.
A especialização é para os insectos.
Felizmente (para mim), poucas coisas da lista têm qualificativo (não afirma planear eficazmente uma invasão ou escrever um belo soneto…) . Faltam dimensões do domínio afectivo - assuma-se que Heinlein estava só a pensar no que se faz. E que ao ser humano cabe poder fazer o que quiser.
Contas feitas, de mãos largas, ando pelas 15 (16, se jogar Risco contar como planear uma invasão) em 20, pois que a 21ª só poderá ser vista de fora.





Se analisarmos bem, todas essas actividades já as fizemos pelo menos uma vez na vida: peguemos nos exemplos mais complicados (risos…)…
- planear uma invasão… - podemos considerar a aplicação de insecticida para uma invasão de insectos?
- desenhar um edifício – claro! Porque não? Pode não ser exequível,… mas todos nós já rabiscámos a casa dos nossos sonhos…
- escrever um soneto – felizes os dias da mãe que nos obrigavam a escrever as palavras e poesias mais doces, por muito pobres que o vocabulário fosse
- construir uma parede – bendito Lego que me ocupava horas a fio a construir paredes, pontes, casas e sonhos
- receber e dar ordens - não fazemos isso diariamente?…
- programar um computador – (será que conta a instalação de software?)
…
- cooperar - não devíamos todos?
- morrer galantemente – não devíamos todos?
BJS e bom inicio de semana
Lembrei-me deste texto porque estou numa fase da minha vida em que faço muitas coisas que nunca pensei fazer, e aflijo-me porque se estivesse mais focado poderia progredir mais em termos de carreira. Mas não aprendia seguramente tanto com estou a aprender. Que se lixe: a especialização é para os insectos!
AeFe, a minha única (risos) reserva é ao «não devíamos todos morrer galantemente», pois que, às vezes, nem a viver…
A do navio, só mesmo na metáfora… E a do matar um cerdo, enfim, se fosse uma galinha, ainda vai que não vai. Mas começa-se melhor a semana, a pensar que, bah! especialização é para os insectos…
Risos e semana boa.
JNA, e se pudessemos ir alternando: o mergulho em profundidade e a visão panorâmica? Ainda assim, sou das que prefere a «dispersão», risos…
beijos e boas desfocagens.