Poesia, sempre…

17 12 2007

opgevagen.jpg

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!…

Alberto Caeiro


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4 respostas para “Poesia, sempre…”

17 12 2007
maria (16:05:38) :

de facto, os nossos (demasiadamente habituais) queixumes não activam nada de compensador; o que nós queremos de diferente seria, eventualmente, pior para outros…
até a natureza é ‘ilusionista’: a imagem que juntou ao texto - nem sei se é algo tecnológico, considerando a cor, a textura, a complexidade de… ; mas há um fiozinho a ligar o objecto à ‘mão’ que o ampara
que mistério é esse?…
e logo com o Caeiro que não ‘admitia’ mistérios!!

18 12 2007
pólvora (18:54:14) :

Puramente anti-metafisico, como se proclamava Alberto caeiro! “creio mais no meu corpo do que na mina alma”….uma das frases tidas como sendo dele! Creio que de facto o mistério das coisas está no facto de não terem mistério nenhum, derivam apenas do acto de pensar!

22 12 2007
LN (15:38:02) :

Maria, vejo uma gota de água, na extremidade de uma folha, com um fio de aranha…. risos…
Não se vê logo mas uma vez percebido, torna-se evidente.
Como o natural em Caeiro, diria…

22 12 2007
LN (15:38:49) :

E às vezes, Pólvora, dá-se por si a pensar «como quem tem um pé dormente», diria ele.
O mistério das coisas somos nós que o colocamos lá. Que as coisas, em si, não teêm mistérior nenhum…

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