
É sempre interessante ler quando outros escrevem sobre uma das figuras que preferimos. Espiral, é.
E representa quê? entre outras coisas, o desenvolvimento em ascensão. O «círculo hermenêutico» é muito mais uma espiral que um círculo. A espiral sobre (e ou desce) em retorcer-se sobre si. O sinuoso do que se mantem em torno de um eixo, ainda assim, que quase regressa ao mesmo local, reencontrando proximidade nesse retorno.
Pensar numa espiral tanto traz a (dupla) hélice do ADN como os redemoinhos e tornados ou os círculos dos ninhos dos pássaros. Traz os celtas e o mistério da vida. Traz os astecas e o ciclo do sol. Traz os hindus e a kundalini, fluxo de energia em espiral. Traz Arquimedes e a matemática. Evoca o crescimento das conchas e das pinhas. Relembra galáxias e escadas. Traz o Nautilus, caso raro entre os do seu género, que cresce em espiral logarítmica. Recorda Descartes e o modelo de crescimento contínuo sem modificação de estrutura. Recorda a sequência de Fibonacci e as noites de insónia de Einstein.
Como todas as representações, vive das dimensões de metáfora, de analogia, de abstractos, de apresentação próxima ao real, do imagético e do recriado. A forma, essa, é mais regular.




