
Vão-me desculpar… relevo, às vezes, um Dia Internacional como um modo de assinalar, de trazer à memória do Dia.
Todavia, há dias que teêm travos amargos. E hoje é um deles. Em 2006, a este propósito, escrevi que era ainda um dia a assinalar.
A 8 de Março de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens.
Foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarou um incêndio, e entre 130/140 mulheres morreram queimadas.
Em 1908, na mesma data, 15.000 mulheres marcharam em Nova Iorque exigindo reduções de horário laboral, melhores salários e direito ao voto. Em 1910, numa conferência internacional realizada em Copenhaga, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”. Ou seja, manter viva a memória do incêndio da Fábrica de Triangle Shirtwaist.”
Destaquei então a Convenção para a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as Mulheres. Naturalmente, não basta. A violência contra as mulheres, as discriminações sociais, laborais, políticas, culturais, entre outras, não cessam por força de nenhuma lei. Talvez seja preciso mais, muito mais. E mais do que um Dia Internacional. Ah, e sobre isso assinala-se o 25 de Novembro.
Em 1792, Mary Wollstpnecraft publicou “A vindication of the Rights of Woman“. É dela a afirmação:
It would be an endless task to trace the variety of meannesses, cares, and sorrows, into which women are plunged by the prevailing opinion, that they were created rather to feel than reason, and that all the power they obtain, must be obtained by their charms and weakness.
Relevo a seriedade do assunto e a ineficácia e insignificância de um Dia. Dir-me-ão (e dir-me-ei) que é um dia para que se assinale. Mas já há pouca paciência para rituais de efemérides… E se hoje fôr um dia como os outros, a exemplo dos dados objectivos, estaremos a falar de desigualdades de salário, de educação, de oportunidades, e, mais,… das mulheres que hoje fecharão o dia com nódoas negras ou com as flores que as acompanham no funeral.
Dia Internacional da Mulher, não pode ser referência a todas as mulheres, que seria desrespeitador sendo que a mulher, além do conceito abstracto e universal, é coisa que não existe.
Existe cada uma, as que tornam o dia mais belo, velam pelos seus, ousam “sonhar a sua caravela” (diria Derrida) e são contra-corrente na secular e desumana dominação. E tal cabe a cada uma e a todos nós, seres humanos. Em todos os dias.
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Imagem: Helena Almeida, Tela Habitada (1976)





Estranho tempo este, em que, um dos dois géneros de seres humanos, precisa ser assinalado em dia. Nem sei se em alguma parte deste mundo ainda fecham pessoas, para lhes obrigar a alguma coisa…mas as mulheres continuam a ter problemas próprios, o que demonstra talvez a primeira discriminação entre os humanos, porque resulta da diferença de género.
Lembrar, em dia, será um pequeno contibuto de cada um, mas muito importante e significativo.
Parabéns a todas as mulheres, pela coragem.
SD
Do dia a dia, parece-me que também passa muito pelo(s) modo(s) como cada mãe educa o seu(s) filho(s)…
`Será para quando o dia do homem, não é necessário, verdade?
Sou mulher e com todo o gosto na minha condição, na minha familia no meu trabalho na sociedade.
Gosto de ser quem sou…
Um grande abraço para todas as mulheres e especialmente para as que vou encontrando por aqui neste conversamos
é mais um dia que é assinalado pela pior razão, como todos os outros dias assinalados… para nos lembrar de alguma coisa que está verdadeiramente mal, o que quer dizer que nos esquecemos no dia a dia de fazer as coisas bem, ou porque simplesmente não nos interessa o que se passa à nossa volta.
então, temos que continuar a celebrar dias, mas desejando no futuro um calendário sem dias para celebar!
bom fim de semana!
Um BOM DIA para todas as MULHERES!
UM BOM FIM-DE-SEMANA!
RS.
Pois é, SD, Ser Humano não precisava de ser, em si mesmo, dividido, cindido, desigualado. Mas tem sido, e é.

Não concordarei que é um contributo importante e significativo, mas é uma espécide de lembrete…
obrigada, pelo reconhecimento da coragem.
RC, educação pode ser uma das chaves, eventualmente. Ou A chave. de que as outras são complemento. Mas tem um clima social e cultural a pesar…
Maria da Luz, igualmente. Mulher, com muita honra. E a des-gostar de coisas como quotas e afins :))
Abraço e votos de boa semana.
Pois é, Só Maria - e apetece considerar que é triste e de lamentar que se tenha de assinalar.

Gosto dessa ideia: de um futuro sem Dias a assinalar. Seria, pelo menos, expressão de bem estar global.
RS, igualmente. Um Bom dia a cada dia. Para todos.