EE’s - Epistemologia e Enfermagem: convicções

9 03 2008

cyrus_cilinder.jpg

em Fundamental Patterns of Knowing, Carper identificou quatro componentes fundamentais do conhecimento em Enfermagem - no decurso do texto, identifica-os: científico, ético, estético e de conhecimento pessoal, que se tornaram muito lidos e comentados.

os estudos de Jacobs Kramer e Chin, na operacionalização de um modelo, clarificaram a expressão de um contexto social e político, pelo que, mais de uma década depois de Carper, na revisão e update, introduz-se uma quinta dimensão aos padrões de conhecimento.

Hoje, na configuração da disciplinariedade de o paradigma epistemológico, sou pelo ecletismo e pluralismo metodológico.

É minha convicção que o princípio que hoje se apresenta para uma análise epistemológica é o da heterogeneidade, ou seja, a pluralidade metológica que nega algum monismo ainda vigente. Não existe um único método que não deva ser seguido nem um método rigoroso de comparação entre os diferentes programas de investigação (alguém atento perceberá alguma adesão a Imre Lakatos, pelo uso da expressão «programas de investigação»).

A Enfermagem não pode fundar-se senão sobre uma determinação crítica do seu objecto, irredutível a uma simples fenomenologia do existente. Esta é uma questão polémica que liga o projecto epistémico da enfermagem ao programa de uma filosofia crítica da enfermagem - definimos a finalidade da acção, estabelecemos standards de cuidados, entendemos intuitivamente o sentido de ser «disciplina científica» mas é preciso ir mais além, e um dos desafios passa por aqui: pela ligação necessária de um projecto epistémico a uma filosofia crítica de ciência.

Nem sempre acontece, mas está de leitura livre na Questia:
E P I S T E M O L O G Y OR THE THEORY OF KNOWLEDGE

imagem: Cyrus Cilinder


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2 respostas para “EE’s - Epistemologia e Enfermagem: convicções”

10 03 2008
VV (06:53:39) :

Se entendi o sentido da ligação que defende, aquela supõe sermos capazes de transmitir não só o que afirmamos serem os fundamentos da Enfermagem, mas a sua natureza, a forma como os incorporamos nos cuidados que prestamos, os meios de que nos socorremos para os validar; também implica que sejamos capazes de incorporar a cientificidade no nosso trabalho e ao mesmo tempo que consigamos argumentar a favor de caminhos que não estão propriamente definidos pelos critérios da ciência moderna, o que é de facto um enorme desafio. Implica questionar tudo, deixando de se valer tanto das ideias feitas, dos chavões que foram ficando de tanto serem repetidos e de algumas teorias ou pensamentos, que embora muito importantes, não são a disciplina em si.

VV

16 03 2008
LN (15:36:48) :

:), pois, VV, realmente é um desafio. O que se apresenta - da pluralidade e heterogeneidade metodológica - e o que se requer - ecletismo, pois claro…
E os padrões de conhecimento vão muito além do científico estrito.

Bom fim de semana.

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