Poesia, sempre

25 03 2008

 

E Então Que Quereis?…

 

Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.

 

Maiakovski

(imagem aqui)

(1927)

 


Acções

Informação

2 respostas para “Poesia, sempre”

26 03 2008
Daisy (12:13:24) :

Chama-se a isso aprender com a História?
Acaba-se sempre por atravessar ameaças e guerras… tal como estas continuarão a sucederem-se - irremediavelmente?…

28 03 2008
LN (09:04:03) :

Maiakovski é um poeta pragmático e, ainda assim, optimista, de que havemos de conseguir atravessar as guerras e coisas más. Não sei se irremediavelmente, mas parecem tão ligadas à natureza (animal) humana…

Deixe um comentário

Pode utilizar estas tags : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>