Da sabedoria

5 04 2008

LN

Todos os dias deparamos com escolhas para as quais não existe uma resposta única, que possa ser obtida através de um processo lógico e racional. As decisões a tomar - pela sua complexidade, ambiguidade e incerteza - exigem a mobilização de experiências, de reflexões pessoais e também de sensibilidade. Estas competências - “que tornam os que as possuem mais aptos para resolver problemas deficientemente estruturados” - chamam-se sabedoria.

A maioria dos autores identifica-a, não com o conhecimento mas com o modo de o encarar e usar. A sabedoria, para Kitchener & Brenner pressupõe 4 competências: (1) a consciência da existência problemas de resolução muito difícil; (2) um saber compreensivo, caracterizado pela tolerância e profundidade; (3) o reconhecimento que o saber é incerto e de que é impossível conhecer a verdade absoluta; (4) e a habilidade para formular juízos susceptíveis de gerarem largos consensos em situações marcadas por elevada incerteza.

A sabedoria é a integração do afectivo, do volitivo e dos aspectos cognitivos das capacidades humanas em resposta a tarefas de vida e problemas - para atingir um equilíbrio entre a adaptação ao ambiente existente, dar forma aos ambientes e seleccionar novos ambientes.

the application of tacit knowledge as mediated by values toward the achievement of a common good through a balance among multiple (a) intrapersonal, (b) interpersonal, and (c) extrapersonal interests in order to achieve a balance among (a) adaptation to existing environments, (b) shaping of existing environments, and (c) selection of new environments.” (Sternberg 1998:347)

Parece ser particularmente estimulada numa atmosfera onde as ambiguidades e as contradições sejam assumidas como desafios e não como obstáculos. É assim, mais claro, que se fale do formador como um facilitador, num processo de conceptualização e apropriação da realidade - pois que o modo como se apreende e constrói o saber torna-se, por vezes, mais importante que o próprio saber.

Sugestões de leitura:

‘Adding legs to a snake’: a reanalysis of motivation and the pursuit of hapiness from a Zen Perspective

Empirical assessment of a three-dimensional Wisdom scale

Inspirational Chaos: Executive Coaching nd Tolerance of Complexity

The Pursuit of Wisdom and the future of education


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6 respostas para “Da sabedoria”

5 04 2008
pólvora (13:20:20) :

“A minha vida dava um filme indiano”, como diziam os senhores da comédia! E para ela não há sabedoria possível….afinal chovem problemas novos todos os dias, daqueles que ninguém imagina serem possíveis de acontecer senão nos filmes, ou aos outros…..aos outros…o maior erro é o de pensar que somente acontece “aos outros”.

De facto a sabedoria é bonita, na teoria, na forma como se explica o que é….e na forma como se aplica? é preciso sabedoria para aplicar a própria sabedoria e então andamos sempre aqui às voltas com os problemas presos por uma corda para não os perdermos enquanto validamos a aplicação da sabedoria em cada caso…e às vezes demoramos tanto tempo a fazê-lo que, as escolhas a fazer e os problemas do dia a dia, tendem a aumentar e quase já não os conseguimos ver….

Até podia pensar que ao não os conseguir ver eles desaparecem e nunca mais penso neles….mas a mente humana funciona de maneira mais complexa que isso…afinal o não me lembrar agora não evita que perante uma situação semelhante eu não (re)lembre o acontecimento….e agora? se não soube pensar sobre ele quando dele me lembrava….agora como vai ser…? vai ser: viver tudo de novo!

E ter dilemas de um calibre brutalmente exagerado, que nos levam de encontro aos nosso princípios só para não estragarmos a felicidade dos outros? (se é que se chama aquilo felicidade…bom, eles chamam, é isso que importa!)…poderia a sabedoria acudir?

Há coisas que nem o diabo explica! lol…há lágrimas que somente nós conseguimos entender…

Sabedoria…acho que algum dia terá que surgir!

5 04 2008
RS(criancices) (13:29:19) :

O Formador deve ser um facilitador ou coordenador de grupos que é , em sentido lato, aquele profissional que auxilia o grupo a alcançar os seus objectivos, que ajuda o grupo a identificar a razão que levou cada participante a se reunir em um mesmo curso ou formação por um tempo determinado, trabalhando sempre em parceria.
O formador deve apresentar muito claramente quais os motivos que levaram a organização a promover aquela formação e não outra e qual o resultado a ser alcançado no final da mesma.
Mesmo com a apresentação dos objectivos gerais da formação, cada formando tem as suas expectativas próprias. Assim, há que se facilitar o espaço, logo no início da formação para que, um a um, os profissionais manifestem essas expectativas.
Ser um facilitador é colocar-se, efectivamente, como tal: facilitar, não confundir com facilitismo.

5 04 2008
DK (13:56:32) :

uma entrada preciosa, com referências bibliográficas igualmente preciosas. Arigatô gozaimasu!

6 04 2008
LN (15:21:33) :

Pois é, Pólvora. Ainda que muitas vezes seja cada um a sobrevalorizar, particularmente os dilemas.

A ambivalência memória-esquecimento já deu e continuará a dar muito que escrever. Até porque a memória é necessária para a não repetição de erros e para as aprendizagens mas seria impossível (e indesejável?) não esquecer. Entre os opostos - lembrar tudo, esquecer tudo - algures, o temro que cada um encontra de valorar os eventos.

A sabedoria não surgirá :)) pois não parece ser de geração espontanea. Mas constrói-se e nutre-se…

6 04 2008
LN (15:23:01) :

RS, a «queda» da formação :))

Facilitador é o que ajuda nos caminhos. Não o que faz os caminhos por… nem o que elimina a possibilidade dos caminhos…
É também o que compreende o seu papel, na lógica de promover os modos de aprender, tanto ou mais do que os conteúdos a aprender.
Nada fácil…

6 04 2008
LN (15:27:37) :

Que bom saber-te por cá, DK :))

Arigatoo, eu :)

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