Uma boa surpresa, o estilo de Bernard Schlink. Lê-se bem, «O Leitor». E podemos escolher se a história pessoal de Michael e Hanna não é apenas o mote para uma vivência geracional da vergonha. Particularmente na Alemanha, no pós-guerra. Isto, se considerarmos a partir de metade da obra, naturalmente.
As três partes da narrativa correm por décadas. Um caso de amor entre um adolescente e uma mulher madura, que teêm um ritual e em que ele é Leitor. Um reencontro durante um processo em tribunal de guerra. As décadas seguintes - em que ele volta, de outra forma, a ser Leitor - e a imprevisivel etapa final.
A riqueza de sentimentos a que se segue o embotamento, o embaraço e a vergonha são traços relevantes.
“Contudo, fomos felizes! Por vezes, quando o final é doloroso, a recordação trai a felicidade. Por que é que a felicidade só é verdadeira quando o é para sempre? Por que é que só pode ter um final doloroso quando já era doloroso, ainda que não tivéssemos consciência disso, ainda que o ignorássemos? Mas uma dor inconsciente e ignorada é uma dor?” p.28
“Não devemos aspirar a compreender o que é incompreensível nem de fazer perguntas porque aquele que pergunta, ainda que não ponha em dúvida o horror, torna-o objecto de comunicação em vez de o assumir como algo perante o qual só se pode emudecer de espanto, de vergonha e de culpa” p. 70
“Apontar o dedo aos culpados não nos libertava da nossa culpa. Mas tornava o sofrimento mais suportável. Transformava esse sofrimento passivo em energia, actividade, agressão.” p.112
Lê-lo, também é re-trazer Hannah Arendt ou Etty Hillesum.






O Leitor, de Bernhard Schlink, que li por altura do Natal, conta a história perturbadora de um advogado alemão, Michel Berg, que reencontra Hanna Schmitz, na sala de um tribunal, a qual está a ser julgada por crimes de guerra. Trata-se de uma antiga guarda de um campo de concentração que nos anos 60, o iniciou no amor, sendo ele um jovem de 15 e ela uma mulher de 36 anos.
Michel nunca ousou confessar nem aos pais nem aos amigos aquela paixão tão dolorosa e marcante, pela culpabilidade que sentia, relativamente ao facto ocorrido.
Esta história não é uma história de amor, nem uma história romântica. É uma história interessante, de descobertas, de amor esquecido no interior do corpo, onde se manifesta a filosofia do estar a ser, tipicamente alemã, do questionar-se, do dever, da ética, da moral, do amor e até da morte.
Li o livro estes dias… ando atrasada
nas leituras, é o que é.
Para me “vingar”, comecei “O Regresso”. Gostei de Schlink.