O 12 de Maio é assinalado em memória do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.
E como outros Dias, que se «rememoram» (isto é, relembram) e comemoram, parece servir a finalidade de lembrar, de alertar, não apenas factos mas também para realidades, preocupações, eventos.
Entre as lembranças e os esquecimentos, num tempo que vai sendo considerado de “crise” de valores e de referências, por detrás de todas as comemorações encontra-se a questão do tempo, que se manifesta na sua relação com o passado da história e o presente da memória.
Além disso, estão à vista os mecanismos das apropriações dos tempos históricos e os processos de construção e de transmissão de uma memória social.
A palavra «enfermo» liga-se a in-firmus, aquele que está enfraquecido, que perdeu a sua força; daí, haver quem use enfermeiro como aquele que ajuda a recuperar a força, a firmeza. Na língua inglesa, nurse também serve para referir o que influencia, nutre, promove e sustenta desenvolvimento.
A enfermagem aproxima-se (perigosamente, diria sorrindo) de um modo de vida, em que se entende o cuidado pelo outro como a finalidade de promover o seu bem-estar.
Dizia V. Henderson que fazemos pelas pessoas o que elas fariam por si mesmas se tivessem o conhecimento, a força ou a vontade para tal.
A intervenção do enfermeiro não está centrada nem circunscrita à situação de doença ou à satisfação de uma necessidade humana específica. Sobretudo, estamos sempre em presença do Outro, e prestar cuidado é uma situação sempre única, que diz respeito a uma pessoa na singularidade da sua trajectória de vida. Por isso costumo afirmar que a finalidade da enfermagem não é científica nem técnica mas moral e com sentido ético – pois que centrada no bem estar das pessoas, nos processos de viver a sua vida até à morte.
Hoje, pensa-se a Enfermagem como ciência humana, que vai progredindo, emergindo da sua própria herança e desenvolvendo os seus estudos e domínios de acção. Com a natureza dupla de ser uma disciplina científica e uma profissão, radica-se no valor supremo da dignidade humana, na visão holística da pessoa e numa epistemologia de descoberta, aberta ao mundo.
Por isso, o Enfermeiro integra a ciência, a ética, a estética, nos processos de cuidado humano – às ameaças da biotecnologia, da engenharia científica, do tratamento fragmentado e da despersonalização, da dimensão economicista, opõe a filosofia do cuidado humano, no conhecimento e na prática. Tem a responsabilidade de ser guardião do cuidar e estar na vanguarda do cuidado humano na sociedade actual e no futuro. É isso que, em meu entender, o 12 de Maio também celebra.
A este texto, de 2007, juntaria o facto de vivermos hoje grandes alterações na concepção e nos modelos organizativos das unidades nos cuidados de saúde primários.
Notaria, como releva o Kit do ICN, que os Cuidados de Saúde Primários são o primeiro nível de contacto para os individuos, famílias e comunidade com o Sistema Nacional de Saúde, trazendo os cuidados de saúde tão perto quanto possível, para os locais onde as pessoas vivem e trabalham.
(Na imagem, o coração branco, símbolo da enfermagem)






Enfermagem moderna….
E o fundador da Enfermagem Veterinária? Será que essa nobre “ciência” - contemplada com grau académico de licenciatura - também terá um dia Um Dia para celebrar? O que fazemos nós enfermeiros perante tal afronta quando “a palavra «enfermo» liga-se a in-firmus, aquele que está enfraquecido, que perdeu a sua força…”, e se vulgariza e assassina assim o termo Enfermagem?
Concordo, Ricardo. Não é, de todo, aceitável. Porque enfermagem é a disciplina e profissão que se centra no cuidado das pessoas. Ademais, existem designações europeias adequadas como assistente de veterinária ou técnico de veterinária… ou afins. Esses cursos - os tais de Veterinária - deviam mudar de nome.