“One of the tragedies of modern times is that people have come to believe that something said by someone in the past, perhaps for illustrative or provocation purposes, actually represents that person’s beliefs at the time”
“Um dos dramas dos tempos modernos é que as pessoas passaram a acreditar que algo dito por alguém no passado, possivelmente com propósito ilustrativo ou provocatório, de facto representa o que aquela pessoa acreditava, na altura”
Idries Shah
(Diego Rivera, Vendendeora de flores)






Tenho para mim que funciona assim realmente, do que eu já vivi, que ainda não é muito. Há cada palavra que desejaríamos não ter ouvido…e não ouvimos porque sabemos tão bem como a pessoa que a disse que aquilo não representa mais do que um explodir de emoções na altura…deve ser por isso que não consigo odiar ninguém, mas também não consigo gostar de ninguém em particular!
Mas atenção que há “pessoas” que estudam o que dizer para atingir os seus objectivos, mesmo que vão com o que dizem violentar os outros ao ponto de quase os “matar”.
Boa escola para o “Odiar”.
Claro, não acreditam no que dizem, dizem para atingir objectivos.
A Vendedora de Flores é o oposto do “Retrato de Natasha Zakólkowa Gelman” onde a postura da mulher de um produtor de filmes (conhecido como muito rico à data) e o vestido branco e justo espelham a forma elegante dos jarros ao fundo. Os jarros, sempre tão presentes no quintal da minha bis-avó Camila, são pão-nosso-de-cada-dia em muitas pinturas de Diego.
Olho para a imagem da Vendedora de Flores e olho para a Natasha e é tão nítido, tão nítido o passo a passo da vida de Diego Rivera, como a discussão apaixonada sobre o tipo de democracia que se vive em Angola (África), a recuperação da glória da Rússia que o Putin elegeu como missão, e como chegar ao fim da União Europeia.
Fez dois anos que, por desígnios do Céu, raramente inteligíveis, a obra de Frida Khalo foi exposta em Lisboa no CCB. Eu sou um apaixonado por Frida Khalo e se pudesse, o que eu não teria feito para ficar com Frida só para mim.
Mesmo gostando muito da obra de Rivera, gosto ainda mais de Frida.
Eu pecador me confesso…
Pólvora, por isso ele lhe chamou «tragedie»… mas o que me sobressaíu foi a permanência dos ditos, mesmo quando não eram, em essência, representativos dos pensados, mas expressões de brincadeira ou de jocoso.
E se as relações com os «alguém» fossem também espelhos das relações con-Si-go, com o Self?
Ena Rot, hoje vou acreditando que «há gente para tudo», embora recorde bem os tempos em que achava que ninguém era mau deliberadamente, só por inadvertência ou ignorância… e essa «escola» é das piores que há.
Tamos quites, Alexandre (risos). Talvez por ter cruzado com ele primeiro, gosto mais dos traços de Diego - ou seja, concordo com Frida
Ficar com a Frida assim tem raízes na ancestral vontade de ficar com o que se gosta só para si? … isto dava azo a outra conversa, porque trata-se de uma vontade de ter que pode caminhar para uma curiosa ambivalência, entre querer fechar e querer de-mostrar o que se tem em fechamento. Não sei se «e «eu, pecador, me confesso» mas será «eu, avarento me declaro»…??
bom fim de semana.