
“A morte dos intelectuais parece-me um estranho conceito. Intelectuais, nunca os encontrei. Encontrei pessoas que escrevem romances e pessoas que curam os doentes. Pessoas que estudam economia e pessoas que compõem música eletrônica. Encontrei pessoas que ensinam, pessoas que pintam e pessoas de quem não entendi se faziam alguma coisa. Mas nunca encontrei intelectuais.
Pelo contrário, encontrei muitas pessoas que falam do intelectual. E, por escutá-los tanto, construí para mim uma idéia de que tipo de animal se trata. Não é difícil, é o culpado. Culpado um pouco de tudo: de falar, de silenciar, de não fazer nada, de meter-se em tudo… Em suma, o intelectual é a matéria-prima a julgar, a condenar, a excluir…”
“Não penso que os intelectuais falem demais, porque para mim não existem. Mas penso que o discurso sobre os intelectuais esteja passando do limite e seja pouco encorajante. Tenho uma feia mania. Quando as pessoas falam tanto por falar, quando fazem discursos que ficam no ar, procuro imaginar onde levariam as suas palavras se fossem transcritas na realidade. Quando “criticam” alguém, quando “denunciam” as suas idéias, quando “condenam” o que escreve, imagino-os numa situação ideal em que têm pleno poder sobre ele. Reproduzo as suas palavras no primeiro significado: “demolir”, “abater”, “reduzir ao silêncio”, “sepultar”. E vejo abrir-se a radiante cidade em que o intelectual certamente seria prisioneiro e enforcado, com maior razão se fosse um teórico.”

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Sei que não tem nada a haver, mas porque é o ‘famoso’ doutor enf. não está nos seus links??
Por: Clementina em 21/05/2008
às 0:41
Clementina, quer saber que critérios, como blogger, utilizo para escolher os ‘links’ da minha blogList?
Por: LN em 21/05/2008
às 18:57
Como é o blogue sobre enfermagem mais referido e visitado em portugal, a curiosidade (que matou o gato
) assaltou-me….
Não quero com isto dizer nada. Era uma simples questão….
Por: Clementina em 21/05/2008
às 20:45
Percebi – a minha pergunta tinha o sentido de dizer que tenho, como todos os bloguers, critérios para decidir – e os links são mais do que cortesia blogueira. Em Enfermagem, como em qualquer uma das áreas em os «arrumo»…
Por: LN em 21/05/2008
às 23:12
“Como é o blogue sobre enfermagem mais referido e visitado em portugal”, pois é, pensando que num dos posts, em 44 comentários, 28 são anónimos e se dos que sobram (16) ainda encontramos semi-anónimos (o aluno, o este, o aquele), quantas pessoas que são credíveis no sentido em que dão o nome, “que dão a cara”, é que lá aparecem? é para reflectir ….
Será que eu estou delirando?…. Joana Santos
Por: enfermped em 22/05/2008
às 14:28
Ser anónimo significa não ser coerente? Não ter uma opinião válida?
Por: Clementina em 23/05/2008
às 19:33
Não falei em coerência… coerência é diferente de ter uma opinião válida, pois o que é vãlido para mim pode não o ser para outra pessoa, falei sim “em dar a cara”… pois é fácil, muito fácil até … falar do que quer que seja, sem se identificar….
Penso (e que eu saiba assiste-me esse direito) que se o blog está identificado com o nome verdadeiro ou diminutivo, o seu autor é obrigado a reflectir antes de postar, a verificar e a identificar as fontes, sob pena de perda total de credibilidade da parte dos seus leitores.
Joana Santos.
Por: enfermped em 23/05/2008
às 23:03
Joana, como já escrevi em “a diferença do Quem”, a principal diferença é de saber-se quem é o Quem. E estou a falar no geral…
http://conversamos.wordpress.com/2007/09/03/a-diferenca-do-quem/
Mantenho que
“Nestes três anos posso perceber a opção pelo anonimato ou pelo nickname – mas esse é (apenas) um dos traços de conduta.
A restante, também importa – do modo de estar, do estilo (e rigor) de pensamento, do que opta por valorar (e dá um certo cunho ao blog).
Muita gente que visito usa nickname – e nesses, um Quem que é anónimo-e-familiar, foi-se estabelecendo, no tempo. Não me incomoda, nem um bocadinho. Só quando de trata de um blogue fortemente opinativo e de alguma corrosão, é que me interrogo sobre quem não assume um rosto quando se quer (assim) fazer ouvir.”
Curiosamente, a tendência tem sido ir largando os nicks’s e hoje muita gente que conheci virtualmente com nick, passou a ter nome e, até, rosto, no seu blog. É aquilo que alguém chamou «factor de confiança»…
Por: LN em 24/05/2008
às 1:07
Clementina, ser anónimo é apenas «não ter nome».
Não tem a ver com a validade do afirmado, que deve ser analisado no que é escrito, em si mesmo.
Ademais, a questão não é o anonimato – é o que se faz dele e com ele…
Um anónimo pode insultar, difamar, e outros quejandos, na impunidade quase total. Aliás, já César das Neves escreveu uma crónica interessante sobre o assunto:
http://conversamos.wordpress.com/2007/11/30/far-west/
Por: LN em 24/05/2008
às 1:14
Vão-me desculpar, mas este anonimanto, neste caso concreto, penso que será uma estratégia de ‘marketing’ muito bem montada.
Depois, por vezes fico intigrada, com o volme de informação do qual a referida personagem dispõe.
Já comentou por vezes, situações, reuniões, eventos, etc, sem veiculação de informação para o público. Bem mais tarde, acabamos por saber que afinal era verdade. Apenas depois da imprensa fazer o registo. Já por duas vezes pude observar isso. Daí a minha curiosidade.
Numa consulta ao ‘Conversamos’, reparei que o blog não estava nos links e por isso surgiu a curiosidade. Apenas isso.
Bom fim de semana.
Por: Clementina em 24/05/2008
às 12:45