FWN

29 05 2008

Se tivesse liberdade de escolher

Escolhia um bom cantinho

Mesmo no meio do Paraíso:

Melhor ainda, cá fora, em frente à Porta!

Nietzsche

O desafiador por excelência. Friedrich Wilhelm Nietzsche, de nome inteiro e ar formal. Senhor dos aforismos e de breviários de citações.

Com uma visão crua da educação e dos educadores - “A educação procede geralmente dessa forma: procura determinar no indivíduo, com uma série de estímulos e de vantagens, uma maneira de pensar e de agir que, tornada por fim hábito, instinto e paixão, dominará nele e sobre ele, contra seus interesses superiores, mas ‘em benefício de todos’”

D-escritor de uma das mais controversas definições de verdade: “O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que de forma enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas.”

A fazer a apologia do esquecimento - “Não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento”.

Colocando o cepticismo e a determinação, juntos - “Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”

E a provocação, de sarcasmo e jocoso, de insulto - “Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, onde animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’: mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza.”

E, finalmente por hoje, desafios do abismo - “A alma, em sua essência diz a si mesma: ninguém poderá construir a ponte que você em particular terá de atravessar sobre o rio da vida – ninguém além de você mesmo. Evidentemente existem inúmeros caminhos e pontes e semideuses prontos para o transportar através do rio, mas somente ao preço do seu próprio ser. Em todo o mundo, existe um único caminho que ninguém além de você poderá tomar. Para onde leva? Não pergunte, apenas siga-o. Quanto antes alguém diz: Eu quero permanecer eu mesmo, mais cedo descobre que a decisão é atemorizante. Agora ele terá de descer às profundezas da sua existência”.

E a beleza das metáforas - “É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela…”


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One response para “FWN”

16 06 2008
José Neto (23:31:51) :

Ainda no sábado falei sobre o efeito da escala a que se observam as coisas.

Vistos de perto, os recentes protestos dos camionistas e dos pescadores resolvem-se com habilidades nos impostos e nos subsídios. Afastemo-nos 500 anos e vemos que eles são um minúsculo epifenómeno de um problema mais vasto: a nossa dependência dos combustíveis fósseis, que nos deu a capacidade de destruir o planeta e a nós próprios no processo.

Que teria dito Nietzsche se soubesse que o tal minuto duraria não 5 biliões de anos mas pouco mais de 10.000?

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