Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Lya Luft






Gostei da parte “O meu destino e eu (…) nem sempre nos levamos a sério.” acontece-me e, no entanto, não tenho culpa disso afinal o destino tem a mania de fazer aparecer coisas com as quais eu não contava, isso porque nunca gostei de controlar os meus dias…não é humano controlar algo tão abstracto como o tempo e se o faço às vezes é porque sou obrigada a isso!
O meu pai é marinheiro, acho que sempre gostei também de bolinar ao sabor do vento, não representando isso a irresponsabilidade, ou a incapacidade de fazer as coisas…é a minha representação de liberdade apenas…liberdade para decidir que posso seguir assim, porque planos fá-los quem ainda não sabe que a vida pode mudar de repente…ou talvez as videntes.
Continuo a preferir o som do mar nos meus ouvidos e a areia debaixo do meu traseiro enquanto, sentada na praia, olho para o nada…
E o poema é de facto bonito.
Gostei, fui procurar mais e (claro!) gostei.
Gostei também da “Canção das Mulheres” e da “Canção dos Homens”, que podem ser lidas nas páginas do Pensador. Lya Luft, já não me esqueço.
[...] deixado aqui [...]
O poema de facto é bonito e o pensamento que o encerra … se cada um de nós, a jeito de lema, o cumprisse seria então o melhor dos melhores, não seria?
«[...] E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”»
Um óptimo fim-de-semana.