Poesia, sempre…

15 06 2008

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lya Luft


Acções

Informação

4 respostas para “Poesia, sempre…”

15 06 2008
Pólvora (11:21:45) :

Gostei da parte “O meu destino e eu (…) nem sempre nos levamos a sério.” acontece-me e, no entanto, não tenho culpa disso afinal o destino tem a mania de fazer aparecer coisas com as quais eu não contava, isso porque nunca gostei de controlar os meus dias…não é humano controlar algo tão abstracto como o tempo e se o faço às vezes é porque sou obrigada a isso!

O meu pai é marinheiro, acho que sempre gostei também de bolinar ao sabor do vento, não representando isso a irresponsabilidade, ou a incapacidade de fazer as coisas…é a minha representação de liberdade apenas…liberdade para decidir que posso seguir assim, porque planos fá-los quem ainda não sabe que a vida pode mudar de repente…ou talvez as videntes.

Continuo a preferir o som do mar nos meus ouvidos e a areia debaixo do meu traseiro enquanto, sentada na praia, olho para o nada…

E o poema é de facto bonito.

15 06 2008
JN (16:52:55) :

Gostei, fui procurar mais e (claro!) gostei.

“Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
[...] E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”

Gostei também da “Canção das Mulheres” e da “Canção dos Homens”, que podem ser lidas nas páginas do Pensador. Lya Luft, já não me esqueço.

8 07 2008
Citação do dia « Conversamos?!… (23:58:57) :

[...] deixado aqui [...]

11 07 2008
enfermped (08:03:34) :

O poema de facto é bonito e o pensamento que o encerra … se cada um de nós, a jeito de lema, o cumprisse seria então o melhor dos melhores, não seria?

«[...] E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”»

Um óptimo fim-de-semana.

Deixe um comentário

Pode utilizar estas tags : <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>