E se o que faz as coisas parecerem diversas, também fosse a perspectiva de onde se vêm? a distãncia, a capacidade da lente, o ângulo da captação da imagem…
As flores permanecem as mesmas e os diversos olhares não alteram o que são nem o facto de se deixarem apreender. Alteram, todavia, o modo como são ou parecem ser apreendidas.
Parece razoável… Mas pode esta hipótese ser apenas expressão desculpante da subjectividade? ou ancoragem para as diferenças?








E vivam as diferenças!
Não era tão chato se não pudéssemos ter leituras várias, opiniões contraditórias, olhares enviezados?…
Há um nome para isto: ditadura (seja em que campo for).
Acredito que há uma realidade material independente do observador. Mas também sei que aquilo que o observador percepciona dessa mesma realidade varia muito com múltiplos factores.
Desde logo a escala, a aproximação. Quando em miúdos queríamos relativizar alguma coisa (algumas vezes, infelizmente, o sucesso de um colega) perguntávamos “O que é isso comparado com o diâmetro da Terra?”
O ângulo também é fundamental, como na experiência da cadeira com três pernas mas que nós assumimos que tem 4 se a virmos de certo ângulo.
Mas entram em jogo igualmente factores como os nossos conhecimentos anteriores, as pessoas com quem estamos, o contexto em que a observação é feita, o nosso próprio estado de espírito.
E não se pense que a ciência é imune a isto. Antes pelo contrário. O que se deve é defender os mecanismos auto-correctores da ciência, e formar os investigadores no espírito que Feynman defendeu melhor do que ninguém: