Trouxe-o de Outro Olhar:
“Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam.”
Sophia de Mello Breyner,
Mar Morto (1962)
E se hoje pudesse ser o tempo em que se revoltam? se indignam?






De tantos livros que tenho de Sophia de Mello Breyner, o poema que mais vezes me vem à cabeça, talvez seja o “Dia”:
Mergulho no dia como em mar ou seda
Dia passado comigo e com a casa
Perpassa pelo ar um gesto de asa
Apesar de tanta dor e tanta perda
É o mal de ler, há coisas que nos ficam na cabeça quando pensávamos que tínhamos fechado o livro e a história tinha ficado dentro dele. São sempre as palavras mais breves que “ficam no ouvido”….
Bem escolhido o poema que foi aqui colocado.
É «o bem» de ler … e ficam as palavras que mais ressoam, por breves que sejam…
«um gesto de asa», de voo, que sobre-voa.
como tantas vezes a vida e o próprio requer…
bons voos!