
Defende-se a existência de uma pedagogia própria do ensino superior e pode ser interessante distinguir os intervenientes. Um professor que procura ensinar e um estudante que pode (ou não) aprender. E sabemos que conhecimento não basta - é necessário desenvolver aptidões e comportamentos adequados, dirigir-se às esferas mentais do estudante: à cognitiva, com o saber-saber, à esfera sensório-emotiva, isto é, à educação dos comportamentos e atitudes, do saber ser e do saber estar, e à esfera psicomotora, a das aptidões, do saber fazer.
Releve-se que sabemos que se deve treinar para a capacidade de aquisição e assimilação crítica mais do que para um repertório de informação; que se deve fomentar a interactividade do ensino, com participação dos estudantes; que os métodos devem ser diversificados, tornando o ensino mais atraente.
Repararam nos três «deve» na frase anterior?
E tudo isto contra a pesada herança de um ensino tradicional, com a elevada carga escolar (lectiva) a que estão sujeitos (em alguns cursos) os estudantes - que lhes deixa pouca disponibilidade para o estudo ou a procura de informação, para a vivência cultural, algum voluntariado ou a sociabilidade e solidariedade de grupo.
Por vezes, a problemática não se coloca em termos do que sabemos mas do que fazemos (ou podemos fazer) com o que sabemos.
E o paradigma das metodologias centradas na aprendizagem é um paradigma mais humanista, de desenvolvimento do Outro… Mas tem de ser levado «a sério». Por exemplo, vale pouco falar de «novos públicos» e depois pretender que os maiores de 23 anos se ajustem ao modelo tradicional de estudante do ensino superior. Além de pouco congruente, é um tanto esquizóide. Para entrarem, vale reconhecer outros percursos. Já dentro da IES, têm de seguir as metodologias ou os processos tradicionais, tendentes a agravar as dificuldades.
Chamar à liça os estilos de aprendizagem é interessante – mas requer mais do que a evocação teórica. É para todos os estudantes, sejam quais forem as formas de acesso, que se desloca a atenção, do ensino para a aprendizagem.
E se não fosse desafio bastante, ainda haveria que cruzar o respeito pelo estudantes com o respeito pelo desenvolvimento do professor – que possa escolher mais em termos de investigação, mais em termos de relação com a comunidade, mais em termos da pedagogia. Vale de pouco propagar a valorização do papel do professor, pedagógico, com os estudantes, e depois creditar a sua acção apenas a partir do número de artigos publicados ou de trabalhos de investigação.
Talvez este seja uma espécie de momento híbrido - em que se pretende modificar as práticas que remanescem ligadas ao passado, se tem ideias e aspirações para o futuro, mas muitos contrangimentos se colocam. Incluindo os dos hábitos e os dos financiamentos.
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Um excelente post e que me tocou essencialmente no “E se não fosse desafio bastante, ainda haveria que cruzar o respeito pelo estudantes com o respeito pelo desenvolvimento do professor – que possa escolher mais em termos de investigação, mais em termos de relação com a comunidade, mais em termos da pedagogia. Vale de pouco propagar a valorização do papel do professor, pedagógico, com os estudantes, e depois creditar a sua acção apenas a partir do número de artigos publicados ou de trabalhos de investigação”. recordando muitas lembranças e vivências que vivi …
Tocaste todos os pontos chave. De facto o momento actual é de uma grande esquizofrenia, com o que se diz a enquadrar-se muito mal com o que se faz.
Ou melhor, o momento é de cacofonia: uns dizem e fazem o que dizem, outros dizem muito e não fazem nada, outros haverá que fazem sem o alardear. Faltam-nos, de facto, mecanismos para distinguir o trigo do joio, quer a nível individual, quer dos cursos e das instituições.
Pois, RS, quando lemos há sempre umas coisas que nos tocam mais, porque nos tocam
Boas férias.
São preocupações, JN. Mesmo.
É uma altura de (se) pensar porque uma pausa, entre anos lectivos, é também momento de balanço e de decisões.
E «adorei» a imagem, na perfeita simbologia de híbrido. Bem humorada, que me parece ingrediente essencial.
Boas férias.
[...] post Do ensino superior e dos híbridos, relendo o comentário de JNA e olhando em redor, apetece(-me) acrescentar…. Talvez este seja [...]