num cinema perto de si…

Pode ser uma história ecológica. A terra atulhada de lixo e habitada por um robot, WALLE (acrónimo de Waste Allocation Load Lifters – Earth) enquanto a humanidade vagueia numa nave, todos obesos, quase zombies. A mensagem ecológica e a crítica aos hábitos da vida moderna estão ali, à vista para serem vistos.
Pode ser uma história sobre viver. Na primeira meia hora recebemos as informações sem palavras, na consciência de uma organizada solidão. Percebemos os gestos e os olhares para as coisas. Compreendemos que diferencia um garfo entre outros, que escolhe as coisas que guarda. Que é, ironicamente, um robot que cultiva uma vida, coisa que não poderá dizer-se dos humanos a bordo da Axiom. E até o grupo de robots em terapia, rejeitados por defeituosos, nos poderiam fazer pensar nas analogias com os humanos e o que se considera «disfuncionante».
Pode ser uma história de mistura de géneros. Há uns quês no filme que trazem, de novo, Blade Runner ou o toque dos filmes franceses dos anos 70.

Pode ser uma história de amor. WALLE passa a ter um propósito na vida, quando conhece Eve. E enquanto cuida dela, tanto quanto consegue. Dar a mão era tudo o que parecia querer ao longo do filme. E oferecer-lhe a planta que representa a vida, na Terra.
Pode até ser uma história infantil. Que retome outros olhares para «isto» de ser humano.De alguma forma, WALLE e EVE fazem com que os seres humanos voltem a ser humanos de novo. A caminhar de pé.
19/08/2008 at 15:16
Bastante bom o filme, tirando um ou outro pormenor. Há que dar graças aos efeitos sonoros de Ben Burt, espectaculares mesmo!
19/08/2008 at 15:21
Quase esquecia! não menos impressionante é também a nova Short Story da pixar apresentada antes do começo do Wall-e, de nome “Presto”! a melhor das 7 short stories já produzidas por eles desde 1989!
23/08/2008 at 6:36
Achei o filme super interessante.Acredito que são mensagens assim, transmitidas de forma sutil que poderam nos fazer levar em consideração as questões que são de interesse mundial.
26/08/2008 at 0:14
Pólvora, vá lá, deixe os «pormenores» menos bons de lado
) houve uns que afastei deliberadamente,. Como diziam os behavoristas?? o todo é maior que a soma das partes??
e, sim, a short story é uma verdaderia delícia
26/08/2008 at 0:15
Também achei, JoJo. E tratando-se de um filme infantil, «passam» mesmo…. às crianças e aos pais
31/08/2008 at 7:38
Disseram que esse filme era para crianças, que mal tinha diálogos… mas as metáforas estão presentes no filme inteiro, para quê falar mais
Um excelente post, com uma excelente imagem de fundo azul
Parabéns….
31/08/2008 at 12:14
Obrigada.
São boas razões para não se «acreditar» invariavelmente no que dizem… cada um vê e ajuiza com os seus olhos. Também me pareceu que as metáforas estão muito presentes, sim.