
“Os escritos reunidos neste livro foram publicados entre o início de 2000 e o final de 2005, os anos do 11 de Setembro, das guerras no Afeganistão e no Iraque, da instauração de um regime de populismo mediático em Itália. Ao lê-los, o leitor comprovará que desde o fim do último milénio temos vindo a caminhar para trás a um ritmo dramático. A seguir à queda do Muro de Berlim foi necessário desenterrar os mapas de 1914. As nossas famílias voltaram a ter empregados de cor, como em E Tudo o Vento Levou. A pouco e pouco, o vídeo fez com que a televisão se pudesse converter num cinematógrafo e, graças à ajuda da Internet e das pay-tv, Meucci levou a melhor sobre Marconi e a sua telegrafia sem fios. Agora, o i-Pod reinventou a rádio.
Terminada a Guerra-fria, os conflitos no Afeganistão e no Iraque fizeram-nos regressar à Guerra Quente; desenterrámos o Grande Jogo de Kipling e voltámos aos tempos do choque entre o Islão e a Cristandade, com os novos assassinos suicidas do Velho da Montanha e os gritos de «socorro, os Turcos!».
Apareceu outra vez o fantasma do Perigo Amarelo, ressurgiram as disputas entre a Igreja e o Estado, a polémica antidarwiniana do século XIX e o anti-semitismo, e o nosso país voltou a ser governado pelos fascistas (muito post, é certo, mas alguns indivíduos ainda são os mesmos). Quase que parece que a História, cansada das confusões dos últimos dois mil anos, se está a enrolar em si própria, caminhando velozmente a passo de caranguejo.
Este livro não pretende explicar o que é que devemos fazer para reencontrar a direcção certa, propõe-se apenas travar por alguns instantes este movimento retrógrado.”
A ler, com carácter obrigatório, por quem se interesse por olhares críticos para este mundo em que vivemos. Eco pode até nem ser amável mas é acutilante; pode parecer céptico, mas obriga-nos a repensar. Como diria, hoje e noutros tempos: «cinco estrelas».
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Peço desculpa pelo preciosismo, mas os caranguejos andam sobretudo de lado (http://www.youtube.com/watch?v=iuc1nso8WyE )
O que, bem vistas as coisas, até melhora a metáfora: por mais que andemos, em termos civilizacionais, nunca avançamos. Andamos de lado, repetindo vezes sem conta os mesmos erros.
Nada de «peço desculpa», JN.
-; pensei em espiral que ´é uma espécie de círculo que se eleva ou baixa mas muda de plano… a ideia de andar de lado merece ser explorada
Fica bastante melhor, por sinal, pois uma das ideias centrais é que estamos, se bem que noutro nível, próximo de algumas coisas do século XVIII – como a divisão da Europa