
Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
nao vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!
António Gedeão
“Movimento Perpétuo”, 1956
Olá Boa Tarde!
Lembrei-me a este propósito de ACaeiro “Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…”
AG sabia que o convencional é também uma ‘construção’
Talvez mais importante do que a construção que cada um faz do seu ‘caminho’ será acreditarmos que é dessa forma que o pretendemos percorrer…apesar da (in)certeza do fim!
Para partilhar: http://youtu.be/x1ByRGNIpFA