Poesia: Impressão digital, António Gedeão


Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
nao vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!

Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!

António Gedeão
“Movimento Perpétuo”, 1956

Um comentário a “Poesia: Impressão digital, António Gedeão

  1. Olá Boa Tarde!
    Lembrei-me a este propósito de ACaeiro “Porque eu sou do tamanho do que vejo
    E não, do tamanho da minha altura…”
    AG sabia que o convencional é também uma ‘construção’
    Talvez mais importante do que a construção que cada um faz do seu ‘caminho’ será acreditarmos que é dessa forma que o pretendemos percorrer…apesar da (in)certeza do fim!

    Para partilhar: http://youtu.be/x1ByRGNIpFA

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