Does…?

5 12 2007

Do Developing Intelligence:

Does IQ reflect temporal acuity?

Your IQ can be reliably predicted by simple reaction time tasks - perhaps even more reliably than with much more complex cognitive tasks. This surprising psychometric fact has led to the belief in human “processing speed.” In the same way that a computer with a faster microprocessor might carry out more computations, with potentially less demand on memory, the idea is that brains with better neuronal efficiency also manifest both higher IQ and proportionately faster reaction times even in simple tasks.

To me, this story always seemed “too good to be true” - or perhaps merely “too simple to be true” - and a recent paper confirms this intuition (big hat tip to Kevin McGrew). The new paper, by Helmbold, Troche and Rammsayer, indicates that “temporal acuity” may be the reason that such simple reaction time tasks correspond with higher level cognition: the temporal resolution of neuronal processing, rather than its absolute speed, may be the factor that matters.





do peixe e de cardume

19 04 2007

Há comentários, que pela sua natureza e contributo, teêm mesmo de passar para entrada. É o caso deste…
Eu escrevi:
De uma colecção de imagens da National Geographic, sobressaem estes peixes que, além da associação possível ao Peixologia e ao Trollart, levantam uma interrogação inquietante:
quando os peixes são todos iguais, como se distinguem singularmente, do cardume e no meio dele?”
Ele comentou:
“A ideia de um cardume é a da segurança dos números, é criar precisamente esse tipo de interrogações: onde é que acaba um peixe e começa o outro?
Claro que é preciso mais do que inquietações filosóficas para dar origem evolutiva a este tipo de comportamento.
Cada peixe que se afasta do cardume e é comido por um predador reforça a coesão dos restantes; cada peixe diferente que os predadores individualizam e atacam contribui para aumentar a homogeneidade do património genético.
E não basta ser igual aos outros- é importante também disfarçar os próprios limites do seu corpo, tornar difícil definir contornos, esbater as fronteiras. Daí as riscas que atravessam o animal de um lado ao outro: só fazem sentido pelo efeito que têm no conjunto. Os predadores fixam-se nos padrões e deixam de ver os seres que os suportam. Um peixe destes, isolado, é tão conspícuo como um polícia num jardim de infância; um cardume deste peixes é uma massa ondulante que parece ter vida própria.
Especialmente importante é disfarçar os olhos, e por isso os peixes da foto têm uma linha estrategicamente colocada de forma a esconder aquele círculo negro tão óbvio.
Outras espécies vão ao ponto de apresentar uma mancha ocular na parte posterior do corpo, procurando provocar o microsegundo de confusão que lhes pode salvar a vida.
É uma tentação grande, esta de se esbater no cardume. Não há decisões a tomar, e a única preocupação é não ser diferente. Mas fica-se preso numa estratégia de vida que está longe de ser segura…
espectacular… tanto cientificamente como metaforicamente.




James Watson

2 04 2007

O Público do último sábado tinha uma entrevista com James Watson.

Lembro que o norte-americano James Dewey Watson foi prémio Nobel de Medicina (com Crick e Maurice Wilkins, em 1962) e um dos descobridores da estrutura da molécula de ADN. Dirige o Laboratório de Cold Spring Harbor, em Long Island, Nova Iorque. E vai presidir ao conselho científico da Fundação Champalimaud, de acordo com as notícias. Leia-se, dele, “A Dupla Hélice” (Gradiva).

Deixo alguns excertos da entrevista.

«James Watson protagonizou um dos grandes feitos científicos de sempre: a descoberta da estrutura do ADN. Com 78 anos, não acredita, porém, que os nossos genes possam ser mudados para melhorar a saúde.
Tem dito que as pessoas com sucesso deveriam ser pagas para ter filhos. Por que diz isto?
Neste momento, as mulheres com sucesso não estão a ter filhos. Se há uma componente genética da inteligência ou da ambição, então a sociedade terá menos pessoas talentosas.
As taxas de natalidade nos países com sucesso estão a cair.
O meu colega Francis Crick, que não era politicamente correcto, achava que devia pagar-se aos pobres para não terem filhos. Se se teve má sorte genética - por exemplo, esquizofrenia -, é-se pouco inteligente. Se se é mais inteligente, tem-se mais sucesso, porque a inteligência ajuda. Se uma pessoa não é capaz de ler ou escrever, é pouco provável que tenha sucesso, a não ser que seja um grande atleta.
(…)
Toda a gente está fascinada com o cérebro, é a grande fronteira. Não sabemos como a informação é armazenada no cérebro, que comportamentos são herdados ou como é que os genes levam à organização do cérebro.
O século XX foi a da junção entre a química e a biologia.
O século XXI será o da junção entre a psicologia e a biologia. (…)
Os receios de usar a genética para discriminação parecem-lhe reais?
Já discriminamos as pessoas. Quem tem bom aspecto, encontra emprego mais facilmente. Isto é discriminação. Se compreendermos melhor por que algumas pessoas são socialmente desajustadas, poderemos ser mais compreensivos e simpáticos. Talvez até haja menos discriminação, se soubermos mais sobre os genes. (…)
O que acha da clonagem e investigação em células estaminais?
Não sou religioso, não acredito na alma. A única coisa que pergunto é se ajudará a sociedade. Se ajudar a curar algumas das doenças graves, sou a favor. Não vejo aqui ninguém a ser prejudicado. Dizer que uma célula contém a alma é tudo superstição. Sou prático: será a clonagem boa para os portugueses? Talvez. Será má? Não. Refiro-me à clonagem de células, não de humanos.»

(Fotografia de Fernando Guerra)