É espantosa a dimensão do papel do(a) professor(a)… e a necessidade da (sua) adaptação aos contextos em que pretende promover o aprender e o pensar.
Deveria ser diferente em cada caso, ou melhor, para cada estudante e caso-a-caso, em termos do âmbito da formação.
É diversa a acção quando se está perante um jovem recém-chegado ao ensino superior, que anda entre os 17 e os 19 anos, ou do adulto que chega à mesma etapa de realizar um curso superior.
Ou quando se está frente ao profissional em formação pós-graduada, que exerce e traz consigo os desafios dos quotidianos. E, como se não bastasse, diferente ainda é o caso-de-cada-caso, quando quem se propõe estudar, se impele a pensar sobre si e a questionar-se, ou se tem o desafio de inquietar quem não pretendia inquietar-se na tarefa.
Ensinar, que é esta tarefa de quem professa ser professor, exige respeito aos saberes que cada um dos estudantes traz, até porque as suas experiências e convicções podem suportar a discussão a que se associa a disciplina.
Mais: supõe e exige risco, tanto pela aceitação do novo e do diferente; como pela negação do velho ditado — “faz o que eu digo mas não faças o que eu faço” —, pois aquilo que ensina e diz tem de ser o primeiro a dar o exemplo.
E da lista extensa que poderia escrever em torno da ideia de «ser professor exige», hoje fico-me pelo comprometimento - sobretudo numa prática (docente) que é profundamente formadora e, por isso, ética.
Outro dia embaracei-me profundamente por um exemplo dado por professores. E o embaraço não foi pelo conteúdo da discórdia mas pelo modo - pois que julgo que o processo de expressar desacordo e dissenso, quando se trata de um professor, tem de ser patenteado com o estilo de quem pensa e a seriedade de quem enobrece o que faz.
Por isso, penso em comprometimento no sentido de reconhecer que é impossível a neutralidade e a impassibilidade - e que o desafio é maior do que ensinar o que os programas dizem, mas ir ao que é preciso discutir e problematizar, como pessoa e cidadão.
A tarefa - desafiadora e auto-criticante - é ajudar a formar gente pensante, capaz de perceber e combater injustiças, que não aceite passivamente os ditos de uma “elite”, seja ela social, política ou intelectual, antes argumente criticamente e não se resigne facilmente.
Ora juntar isto - que expressa convicção - à maleabilidade aos traços singulares de cada estudante, pode ser complicado…