Nem o 5º sinal vital resiste a discriminação de género…

10 05 2008

Dor da mulher é mais ignorada e subvalorizada que a do homem

A dor das mulheres é subvalorizada em relação à dos homens, sendo considerada menos genuína e grave pelos profissionais de saúde, principalmente pelos profissionais do sexo masculino, segundo um estudo do ISCTE. O estudo, realizado a 205 estudantes de enfermagem e concluído no final do ano passado, mostra que a dor das pacientes do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica considerada menos grave e urgente que a do homem.

“O projecto partiu de constatações de outros estudos que mostravam que as mulheres relatavam sentir mais dores que os homens e que a sua dor era mais vezes sub-diagnosticada que a dos homens”, explicou à Lusa Sónia Bernardes, investigadora no Centro de Investigação e Intervenção Social no ISCTE e autora do estudo “Os enviesamentos de sexo nos julgamentos sobre dor lombálgica”.

No entanto, só com este estudo se percebeu quais os factores que podem influenciar a apreciação da dor dos pacientes, nomeadamente em que medida o tipo de dor, a forma como o doente apresenta a sua dor e o sexo de quem julga influenciam a ocorrência de enviesamentos de sexo nos julgamentos.

A investigadora chegou à conclusão de que “a dor da paciente do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica como menos grave e urgente que a do homem” em contextos de dor aguda e de curta duração ou na ausência de manifestações explícitas de ansiedade.

“Espera-se que as mulheres sejam mais expressivas e quando não apresentam sintomas de ansiedade e agem de forma controlada sem recorrer muito aos profissionais de saúde acabam por ser subvalorizadas”, explicou Sónia Bernardes.

O estudo concluiu ainda que os estudantes de enfermagem do sexo masculino fazem mais enviesamentos de sexo nos julgamentos sobre a genuinidade da dor do que as estudantes do sexo feminino.

Perante estas conclusões, Sónia Bernardes sublinha que “as evidências mostram que embora as mulheres reportem sentir mais dores que os homens ao longo das suas vidas, as suas dores são frequentemente desvalorizadas, sub-diagnosticadas ou sub-tratadas comparativamente com as do sexo masculino”.

Este estudo é um dos últimos da tese de doutoramento que começou há cerca de quatro anos e que deverá ser entregue ainda este verão. O estudo data de finais de 2007, foi realizado a 205 estudantes de enfermagem e está enquadrado num projecto de investigação mais amplo financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.”

29.04.2008 - Trazido daqui

Natualmente, passei pela International Association for the Study of Pain (IASP)

2008 foi decretado ano mundial contra as dores em mulheres, porque, de acordo com estudos realizados, as dores crónicas afectam mais as mulheres (é o caso das fibromialgias, artrite reumatoide, osteoartrite, dor pélvica crónica, enxaquecas) que têm dores mais recorrentes, mais graves e mais prolongadas do que os homens.

2008, Global Year Against Pain in Women - Real women, real pain

Fact Sheets disponíveis

(imagem, Sleeping lady, Tamara de Lempicka - alterada)





questões de higiene e género

20 09 2007


Os homens lavam menos as mãos…

De acordo com um estudo publicado esta semana, um terço dos homens não se incomoda a lavar as mãos depois de usar a casa de banho, comparando com 12% das mulheres.

Há dois anos, com o mesmo inquérito, 1/4 dos homens não lavavam as mãos contra 10% das mulheres.

http://www.chicagotribune.com/news/nationworld/sns-ap-dirty-hands,1,3790008.story
http://www.nysun.com/article/62809
http://www.wtop.com/?nid=106&sid=1250020
http://www.sun-sentinel.com/features/health/sfl-917bathroomuse,0,7374890.story





pergunta que dava uma longa conversa…

8 07 2007

Na sequência de «Mulheres que leêm livros são perigosas»,
uma provocação que vale a pena colocar no «hall» da casa.
será que as mulheres que escrevem em blogues também são perigosas?
(
grata, MJM).

conversamos?!





Das questões de género na enfermagem (2)

24 06 2007


Género e Enfermagem. Um estudo sobre a minoria masculina
de Joaquim Simões e Lígia Amâncio.

A questão da enfermagem é atravessada por dois aspectos centrais e interligados. A permanência da prática de cuidados como a grande razão de ser da profissão e o facto de o seu percurso histórico se confundir com o feminino. (…) No entanto, a investigação sociológica sobre as profissões da saúde negligenciou a perspectiva do género, até à década de 1990, como afirma Elianne Riska (1993), tanto ao nível da profissão médica, como na relação entre esta e a enfermagem (Carpenter, 1991) e outras profissões da área da saúde (Hug man, 1991). Este autor mostra, com efeito, que a divisão de trabalho entre sexos se estabelece não só entre a profissão médica, predominantemente masculina, e as profissões ligadas aos cuidados, predominantemente femininas, como no seio da própria enfermagem, onde os homens, sendo minoritários ao nível da prática de cuidados estão, no entanto, sobrerrepresentados a todos os níveis de gestão e supervisão. (…) A investigação sore os enfermeiros constitui, assim, um contexto ideal para a mobilização do género enquanto id ologia, e para a desconstrução da frequente assimilação do conceito ao sexo de pertença dos indivíduos, uma vez que eles re presentam uma minoria imersa num universo que, à primeira vista, poderia ser considerado dominado pelas mulheres no plano simbólico, tal como é, de facto, no plano numérico. (…) O objectivo do estudo preliminar foi o de analisar os efeitos da socialização para a profissão, e do seu exercício, nas crenças ligadas à profissão da enfermagem e ao cuidar em enfermagem. Assim, pedimos a 56 estudantes do 1.º ano de uma Escola Superior de Enfermagem, 50 do 3.º ano da mesma escola e 66 profissionais em exercício, de ambos os sexos, que referissem os atributos pessoais que lhes vinham à ideia quando pensavam na “profissão da enfermagem” e o que lhes fazia pensar “cuidar em enfermagem”. As palavras mais frequentes e mais utilizadas por todos os grupos de participantes foram, no caso dos profissionais de enfermagem, “solidário”, “responsável”, “humano”, “disponível”, “empático”, “paciente” e “competente”; as associações mais consensuais ao cuidar foram “relação de ajuda”, “educar para a saúde” e “atitude de escuta”.”
continuar a ler





Das questões de género na enfermagem (1)

24 06 2007

Esta imagem fazia-se acompanhar de
2006 Central and Eastern Michigan Area Health Education Center
“It’s A Guy Thing” Male Nurse Poster Campaign Competition

É c
oisa de homens.

Enfermagem é, de acordo com o conceito mais tradicional e conforme os números apresentam, um mundo predominantemente feminino. Na maior parte dos países a presença dos homens na profissão anda entre os 4 e os 10%, menos frequentemente entre os 15 e os 20%.
Por exemplo, entre os RN (registered nurse, nível 5, como nós) dos EUA, de acordo com uma
pesquisa de 2004, tinham aproximadamente 5,7% de homens (numa população de
2,909,467). No Brasil, serão cerca de 10%. O estudo Nurses in Europe faz referência ao aumento de enfermeiros na Alemanha (15-20%).

Em Portugal, sempre se formaram homens para a profissão (se bem que durante umas décadas se entendesse - e um decreto-lei da década de 40 o afirme - que deviam ser colocados nos serviços de psiquiatria, ortopedia e urologia; que a profissão era «essencialmente feminina» e nos Hospitais Civis de Lisboa as enfermeiras não pudessem casar - tirocínio exclusivo para mulheres solteiras ou viúvas sem filhos). Serão cerca de 18% de homens no universo profissional português.

Numa pesquisa rápida, encontram-se artigos e estudos sobre a relação da enfermagem com o género, provenientes de muitos países e diferentes continentes
Men in Nursing: Ambivalence in care, gender and masculinity
ou
A inserção do masculino no cuidado de enfermagem
ou Why so few male nurses?
ou Infirmier en service de pédiatrie
Encontram-se l
eituras de tipo sociológico em artigos (como em “The interaction of gender and class in nursing: appropriating Bordieu and adding Butler», de Kate Huppatz) ou teses (Race, gender, age and the US nursing shortage, Wilmer Alvarez, 2005).

Bourdieu refere-se profissões enquanto construção social: “…produto de todo um trabalho social de construção de um grupo e de uma representação dos grupos, que se iniciou docemente no mundo social” (O poder simbólico. Lisboa, Difel, 1989, p. 40).

E entendendo as profissões como construções sociais, e tratando-se, no início, de uma espécie de espaço entre o doméstico e o institucional, ao longo do século XX foram-se vivendo processos de reconfiguraçao e recomposiçao profissional. Estou convencida que as questões da identidade profissional e da imagem social da profissão se cruzam com questões de género e com o percurso histórico, social e político. Mas isto nem será nada de extraordinário, enquanto fenómeno socio-histórico.
Apesar do número crescente de homens na profissão, Male Nurses still face Bias

Em Minority Nurse lê-se:
Approximately 5.4% of the 2.1 million R.N.s employed in nursing in the United States are men, according to the National Sample Survey of Registered Nurses conducted in March 1996 by the Health Resources and Services Administration. Of these working male R.N.s, the racial and ethnic breakdown is:

“The last survey showed a progressively aging work force and that we needed to do more to encourage young people from diverse backgrounds to go into nursing,” says Vincent C. Rogers, D.D.S., M.P.H., the HRSA’s associate administrator for health professions. “The 2000 survey results will help us develop policies and programs to strengthen the nurse work force in practice and education.”

The survey also found that roughly 13% of students enrolled in nursing schools are men. Dwight Elliott, a senior in nursing at East Carolina University, is one of two men in his class of approximately 80 students. “I am the only black male in my graduating class,” he notes. “It has been kind of tough being a black male in a predominantly white female profession. I’ve caught some looks like, ‘What is he doing in nursing? He doesn’t look like a nurse.’ I feel like I must work twice as hard as others because one, I’m black, and two, I am a male.”

Elliott is not the only one turning heads as a male nurse. Ifeanyi John Nwokocha, R.N., B.S.N., a staff nurse at La Rabida Children’s Hospital in Chicago, recalls receiving a few strange glances himself while at a previous nursing job. He explains, “When I used to work in med/surg, I got reactions like, ‘Oh—a male nurse?’ I even got questions like, ‘Are you an orderly?’ People do not expect to see a black male nurse.”

(…) Stereotypes of nurses as being female and white have persisted throughout the years but do seem to be lessening as the number of minorities (including men) in the nursing profession has gradually increased.

(…) “Because of years of publicity and propaganda, [the image of nurses] is fixed in the mind of the general public as being white and female and trustworthy. Minorities in nursing do not have this image.”

Mais artigos in Men in Nursing.

E a publicidade de e para recrutamento tem roupagens diversas.

Curiosa a perspectiva do Oregon Center for Nursing, (Oregon Nurses Association is a professional and labor organization representing nurses on a wide range of clinical, professional, and workplace-related issues) e do RNMen (register nurse men) -

«Are you man enough to be a nurse?»





…dar conta de…

8 06 2007

Texto aqui

“O Mundo precisa da Ciência.
A Ciência precisa das Mulheres.
Por isso, a L’Oréal e a UNESCO juntaram-se para promover as Mulheres na Ciência.
Por isso, nasceu o programa internacional L’Oréal-UNESCO For Women in Science que, todos os anos, desde 1999, reconhece cinco cientistas consagradas, uma de cada continente.

E nasceram também as Bolsas Internacionais UNESCO-L’Oréal que apoiam, anualmente, 15 jovens cientistas na sua pesquisa de pós-doutoramento. Juntos, os projectos já distinguiram mais de centena e meia de cientistas, de mais de 50 países.

Inspirada nestes programas internacionais, a L’Oréal Portugal lançou, em 2004, a sua iniciativa local de apoio às Mulheres na Ciência. Com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), fundou o programa “Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência”.

Com um júri científico composto por figuras eminentes da comunidade científica nacional, as Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência nasceram para incentivar o trabalho das mais promissoras jovens cientistas, recém doutoradas, motivando-as a prosseguir a sua investigação no âmbito das ciências da vida.

Após concluídas as três primeiras edições - 2004, 2005 e 2006 - a L’Oréal Portugal, a Comissão Nacional da UNESCO e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia voltam, em 2007, a lançar as Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência e a distinguir novas cientistas.

Na sua quarta edição, vai galardoar 3 promissoras e jovens cientistas, atribuindo a cada uma a respectiva Medalha de Honra e 20 mil euros de financiamento, um montante duas vezes superior ao concedido nos anos anteriores.

As candidaturas estão abertas entre 1 de Junho e 15 de Julho, devendo ser remetidas, em CD, à Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Podem concorrer todas as investigadoras que efectuem o seu trabalho em universidades ou outras instituições portuguesas no domínio das Ciências da Vida, com grau de doutoramento há menos de 5 anos e com idade até aos 35 anos.





raridade…

14 09 2006

A Vindication of the Rights of Woman

Mary Wollstonecraft

Published in 1792, A Vindication of the Rights of Woman was the first great feminist treatise. Wollstonecraft preached that intellect will always govern and sought “to persuade women to endeavour to acquire strength, both of mind and body, and to convince them that the soft phrases, susceptibility of heart, delicacy of sentiment, and refinement of taste, are almost synonimous [sic] with epithets of weakness.”

E está on line - aqui.





DIM, ou um dia ainda a assinalar

8 03 2006

A 8 de Março de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens.
Foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarou um incêndio, e entre 130/140 mulheres morreram queimadas.
Em 1908, na mesma data, 15.000 mulheres marcharam em Nova Iorque exigindo reduções de horário laboral, melhores salários e direito ao voto.
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada em Copenhaga, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”.
Ou seja, manter viva a memória do incêndio da Fábrica de Triangle Shirtwaist.

Existindo diversa legislação, destaco a

Convenção para a Eliminação de todas as formas de
Discriminação contra as Mulheres

Adoptada em 18 de Dezembro de 1979 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Convenção é frequentemente descrita como uma “international bill of rights for women”.

Por discriminação contra as mulheres entende-se “qualquer distinção, exclusão ou limitação imposta com base no sexo que tenha como consequência ou finalidade prejudicar ou invalidar o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das mulheres, independentemente do estado civil, com base na igualdade de homens e mulheres, dos direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político, económico, social, cultural e civil, ou em qualquer outro domínio” (artigo 1º).

Entre as obrigações dos Estados previstas para assegurar a igualdade das mulheres com os homens, inclui-se:
- a revogação das disposições penais nacionais discriminatórias das mulheres (artigo 2º, alínea g);
- a adopção de medidas com vista a eliminar o tráfico de mulheres e a exploração da prostituição das mulheres (artigo 6º);
- a garantia do direito de voto e do direito de exercer de cargos públicos ou funções públicas (artigo 7º);
- a garantia dos mesmos direitos no campo da educação (artigo 10º);
- a garantia dos mesmos direitos no campo do emprego, designadamente direito ao trabalho, a oportunidades de emprego idênticas, à livre escolha da profissão e do emprego e a remuneração igual (artigo 11º, nº1);
- a proibição do despedimento com base na gravidez ou licença por parto e a introdução de licença remunerada por parto ou benefícios sociais idênticos (artigo 11º, nº2);
- a concessão de igualdade de tratamento perante a lei (artigo 15º, nº1);
- a concessão, em questões civis, de capacidade legal idêntica e de oportunidades idênticas de exercer essa capacidade (artigo 15º, nº2);
- a garantia dos mesmos direitos e responsabilidades em matéria de casamento e relações familiares (artigo 16º).

Naturalmente, não basta.
Mas não me vou alongar sobre um assunto que será, hoje, da ordem do dia.
Só considerar que a violência contra as mulheres, as discriminações sociais, laborais, políticas, culturais, entre outras, não cessam por força de nenhuma lei.
Talvez seja preciso mais, muito mais.
E mais do que um Dia Internacional.





Dia Internacional da Mulher

8 03 2005


Richmond Posted by Hello

Por princípio, considero que o «Dia Internacional» pretende ser uma forma sociopolítica de alerta…
O caso do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, é paradigmático.

Historicamente, celebra a entrada em greve das operárias de uma fábrica de têxteis de Nova Iorque (em 1857), para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas - note-se que recebiam um terço do salários dos operários homens.
Ocuparam a fábrica e foram nela fechadas; declarou-se um incêndio e 130 delas morreram queimadas.
Frases curtas que não abreviam uma tragédia. Nem narram a incontornável revolta de quem não se podia ter revoltado e perdeu o que mais precioso tinha para perder.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto.
Caminhavam com o slogan Pão e Rosas, símbolos do banimento da fome e de uma melhor qualidade de vida.

Hoje, olho à volta.
Apesar dos movimentos democráticos e do caminho percorrido, não se poderá afirmar a paridade entre os dois géneros. Continua a haver descriminação - seja no acesso a certos cargos, seja na diferença de salários; ouvem-se os receios de quem engravida face à precaridade de emprego. Sei que as leis protegem e que, às vezes, não passam de papéis.

Mulheres e Homens são seres humanos dotados de igual dignidade.
Apenas iguais em dignidade e em direitos - em tudo o resto, diversos e plurais entre si e entre uns e outros.
Afirmar o Dia de um dos géneros tem verso e reverso: por um lado, as mulheres têm um percurso ganho a pulso, designadamente nas profissões ditas «femininas» e por isso socialmente desvalorizadas, mas ainda se continuam a ver poucas mulheres em lugares estratégicos, seja na política ou no mundo das empresas; por outro lado, a imensa força de cuidado e de responsabilidade pelos outros, é das mulheres.

De certa forma, o 8 de Março funciona também como Memorial.
Reproduzo aqui o poema que o folheto do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses escolheu para celebrar a efeméride

Diz

Diz mulher
Ao teu país
Como lutaste até hoje
O que fizeram de ti
O que quiseram que fosses
Como prenderam teu grito
Sobre a boca amordaçada
Mas como cantaste assim
Do teu desgosto apartada
Diz mulher
Ao teu país
Conta a vida em que cresceste
Como algemaram teus pulsos
Conta aquilo que aprendeste
Do saque da tua vida
Relata os dias passados
Da cadeia em que estiveste
Descreve o pavor rasgado

Não cales mais a recusa
Do que quiseram que fosses
Não silencies a renúncia
A que te viste obrigada
Não desistas de gritar
Tua vida encarcerada

Maria Teresa Horta
in http://www.sep.pt/