
(Francine Van Hove, Les dimanches de La Rochelle)
Já antes assinalei as efemérides do dezoito de Agosto.
Este ano, permito-me alguma
Ego*
Eu, Self, a parte mais consciente de mim, incluindo pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções
Centração*
uma das propriedades do tópico da conversação, a respeito de um conjunto de referentes explícitos ou inferíveis, que faz com os enunciados sejam concernentes entre si, com relevância num determinado ponto da mensagem.
Data de nascer é de festejar - por isso, hoje é dia de festa.
Contente de ter nascido na Cidade das Sete Colinas, e de pertencer a um povo com ancestrais celtas e lusitanos, que se fez ao Mar e à Vida, mesmo levando a Saudade e o Fado.
Filha de um homem do Douro Litoral e de uma mulher da Beira Baixa, nascida alfacinha num ano fantástico (62, pois sim, ano do Tigre diriam os orientais), num mês fabuloso (de Augustus, das noites de luar no rosto, água de açafrão, mel e mosto) e num dia sempre especial (1+8, noves fora, nada).
Em conversa, enuncio as convicções majores e os traços mais evidentes, que hoje reconheço, sob a fórmula celebro.
C.reio na pluralidade dos seres humanos e na sua dignidade fundamental, que cada pessoa é unica e inestimável, que o respeito é devido a todos (e faço questão de mo recordar quando conheço ou me deparo com alguém que não me apetece). Tal como creio que o modo como as pessoas se relacionam e agem pode fazer a diferença, pois o poder reside na capacidade de agirem juntas. Por isso, dialogar e debater são procuras e convicções (umas vezes, mais difíceis que outras…).
E.stou certa que os amores da minha vida, em especial os meus filhos, me tornam melhor pessoa e redimensionam o meu mundo (especialmente, quando se trata de pensar o sentido das coisas e da vida); pois que o amor e a amizade são indispensáveis à felicidade e ao meu sentido de vida boa.
L.ido bem com o diferente, a rebeldia, a dificuldade. Mas lido mal com o que julgo pequenez de alma, aborrece-me a autocomiseração, detesto a ideia de nivelar por baixo - e estas coisas, entre outras, despertam impaciência, nem sempre controlada. Daí, o mau feitio. Ainda que tenha vindo a ser temperado com os vividos e pensados.
E.nfrento os dias com alegria e optimismo militante contra o desalento e o pessimismo, o fatalismo e a renúncia, a indiferença e o desinteresse (pois que a vida também é como a vejo, as coisas têm o valor que lhes dou…). Julgo que importa a vontade e o esforço, pois as pessoas – incluindo eu – teêm a capacidade de se desenvolverem, se superarem, serem rezilientes, irem além.
B.astam pequenas coisas para estar bem, sentir-me plenamente viva. Aprecio mar e montanha, café e esplanada, sítios desconhecidos, gente diferente, sítios conhecidos … Interesso-me por tantas coisas que me é difícil não só elencá-las como nutrir todas convenientemente. Sou de entusiasmos e, para contrapôr, faço gala em não deixar tarefas por concluir nem proceder abaixo do melhor que sou capaz na altura.
R.econheço o riso fácil, a aptência para aceitar desafios e o gosto por uma boa perspectiva crítica. Ah, e um brio enorme em honrar compromissos. A contrapôr, uma teimosia do tamanho das casas e uma excessiva facilidade em dizer o que estou a pensar. E se coragem não me falta, ganhava em ser mais assertiva. Particularmente, porque prefiro cometer um erro a passar adiante ou chegar-me atrás, não tenho jeito para lavar as mãos nem para deixar que decidam por mim e tenho dificuldade ocasional em dizer que não.
O. ócio e o lazer criativo são tentações acarinhadas - ler, ver, ouvir -, especialmente, a bibliofilia - de voracidade, dir-se-ia (e considero ócio coisas que outros consideram trabalho, o que, às vezes, é tido como meio bizarro). Aceito que por mais que leia e converse, pense e aprenda, o universo de saber é infinito e eu continuo (e continuarei) a ser ignorante. O que não é, de todo, razão para baixar os braços.
Hoje. Certa de que o hoje é o que se dispõe, o amanhã o que se projecta e que onde há vontade, não falta caminho (J.R.Tolkien).