decisão e conflito

6 04 2008

Numa abordagem a modos de olhar a decisão, considerei que

“podemos pensar a decisão de um modo epistemológico como dispositivo para actualizar o saber, que é «convocada» sempre que se revela necessário produzir um veredicto de aceitação ou de recusa de integração de um facto novo ou de algo que emerge em contexto. E podemos pensar a decisão de um modo ético, como etapa final de um processo, em que a deliberação assume maior relevo, ponto de chegada sempre que se atravessaram as perspectivas dos valores e se produz um juízo para agir.

No espaço de tensão gerada entre a teoria e a experiência, ou entre o problema e acção que o pretende resolver, a decisão encontra o seu lugar e a função de ser modo de superação, ao serviço do desenvolvimento do saber ou da melhor práxis da acção.”

Portanto, retomando a ideia do «espaço de tensão gerada entre», é melhor dar-lhe nome. Esse espaço de tensão chama-se por conflito.

Quer no campo ético, quer no epistemológico. Já agora, quer no existencial. O que a decisão faz, em termos simples, é eliminar conflito. Ou melhor, procurar eliminar o conflito.

Com mais ou menos sucesso, muitas vezes. Por isso, como pode não fazer, transformo em: “o que a decisão quer é resolver o conflito”. Cabe-lhe resolvê-lo - o que não quer dizer que consiga.

Na verdade, a decisão pode desencadear outro conflito ou agravar o pré-existente… Ou seja, falhar a sua verdadeira missão, nos processos. O risco da decisão passa exactamente nesta linha, da possibilidade de falhar a natureza do que devia ser. E instala-se a necessidade da crítica da decisão.

Parece consistente?

(imagem e excerto aqui)

To untangle the decision knot, answer these four questions:
1) What is the problem? (Not problem in the “problematic” sense, but problem in the “question to be considered, solved, or answered” sense.) This is your frame.
2) What do you want? What are you trying to achieve? What do you want to avoid? These are your objectives.
3) What can you do? What choices do you really have? These are your alternatives.
4) What might happen? After you act, what might the future hold? These are the uncertainties and potential outcomes.





ser(es) humano(s)

27 01 2008

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A experiência da contingência radical é fundante da vida humana: nada nos garante, de antemão, que as possibilidades se efectivem.

O ser humano é, inevitavelmente, ser de decisões: toda a nossa vida é uma sequência de decisões, em que nos pomos diante de alternativas diversas e  optamos. Não estamos presos a um instinto, nem plenamente determinados. Actuamos num espaço em aberto pelo que a primeira tarefa da vida pode bem ser a tarefa de construção de si mesmo. Ou seja, de se autoconfigurar no mundo, entre os Outros e com os Outros, nas diferentes possibilidades da autorealização e realização de si.

Ser  de uma liberdade situada, ser de decisão, ser do risco e da história, do projecto e da finitude. Ser humano, ser pensante. Cada Eu.

 





Mausoléu, tributo e homenagem

22 12 2007

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O Ocidente narra histórias de Páris e Helena, Ulisses e Penélope, Romeu e Julieta.

Na Índia, século XVII, Shahabuddin Mohammed Shah Jahan ergueu um enorme monumento para honrar o seu amor por Aryumand Banu Begam (Mumtaz Mahal, Jóia do Palácio). Demorou mais de 20 anos a construir, mais de vinte mil artífices, um mausoléu muito especial, com um lago e ciprestes que ladeiam.

Ao falar do Taj Mahal um dia destes, em aula, alguém disse: “já não há amores assim”. A resposta, na altura, deixou-me a pensar, pois pode acontecer que se viva e não se valore um “amor assim”.

Interrogo se se quer um amor assim, feito de póstumo, ou se se quer um amor que se reconheça existir para além de Si. De qualquer modo, talvez o amor que se sente só possa ser valorado por Quem ama e reconhecido, porque acreditado, por Quem é amado.

(imagem daqui)





da “geração de 70″: Antero de Quental

28 10 2007

Cada homem é o resultado da interacção de circunstâncias na maioria das quais não interferiu.Ninguém escolhe os progenitores, o local onde nasce ou o período da história em que construiu o pensamento e, no entanto, todas estas variáveis têm papel decisivo na evolução de cada vida e condicionam o comportamento individual.
Penso que o nosso poder de decisão, nos diversos momentos em que fazemos as nossas opções, é menor do que gostaríamos que fosse.
O Homem é um ser responsável mas limitado nessa responsabilidade, o que deveria ser assumido na avaliação dos actos individuais e colectivos.

Foi nesta perspectiva que procurei interpretar Antero de Quental, o Homem e o Poeta.

Antero e a circunstância, por Nuno Grande.





da vida

5 06 2007

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Uma das coisas que mais custa na morte talvez seja a incapacidade de consolar: o que dizer? o que fazer? como simplesmente estar?
Em momentos de morte de alguém, que conhecemos e de quem gostamos, reconhecemos como somos frágeis e como desperdiçamos o nosso tempo - de maneiras fúteis, com coisas pequenas, ou como, tantas vezes temos as prioridades do avesso.

A morte faz parte da vida e não deixa de ser curioso que apareça a lembrar que a vida é precaridade pura.

(Sunrise, Monet)





Mia Couto

11 04 2007



Nasceu na Beira, Moçambique, em 1955, António Emílio Leite Couto - e é considerado um dos mais importantes escritores africanos de língua portuguesa da actualidade.
Mais conhecido por Mia Couto, uma alcunha que conserva desde a infância, estudou medicina e biologia. Trabalha como biólogo na reserva natural da Ilha da Inhaca, em Moçambique, e escreve (poesia, crónicas, contos e romances).
Dois anos depois de «Os sete sapatos sujos», Mia Couto faz-nos pensar com «O Planeta das Péugas rotas», que é «Falando da Pessoa Humana».
Do texto, retiro:

As palavras moram tão dentro de nós que esquecemos que elas têm uma história. Vale a pena interrogar a palavra “pessoa” e é isso que começo por fazer, de modo simples e sumário. A palavra “pessoa” vem do grego antigo persona. Este termo persona tem a ver com máscara, tem a ver com teatro. Persona era o espaço que ficava entre a máscara e o rosto, o espaço onde a voz ganhava sonoridade e eco. Na sua origem, a palavra “pessoa” referia um vazio que era preenchido por um fingimento, o fingimento do actor que, tal como eu perante o traveller cheque, representava uma outra personagem. Veremos que não estamos longe dessa origem, em que nos escondemos por trás de uma máscara na encenação dessa narrativa a que chamamos vida.

Nas línguas do Sul de África, a palavra “pessoa” é uma categoria particularmente interessante. Um linguista alemão notou no século XIX que muitas línguas africanas do Sul do Sahara diziam “pessoa” usando basicamente a mesma palavra: muntu, no singular, e bantu, no plural. Ele chamou a esses idiomas de “línguas bantus” e, por extensão, os próprios povos passaram a ser designados de “povos bantus”. O que é estranho porque, à letra, se estaria dizendo que existe um conjunto de povos a quem se chama os “povos pessoas”. Recordo-me de um tocador de mbira, um camaronês chamado de Francis Bebey que encontrei na Dinamarca. Perguntei-lhe se tocava música bantu e ele riu-se de mim e disse: meu amigo, os chineses são tão bantus como os africanos.

De qualquer modo, a ideia de pessoa em África tem origem diferente e percorreu caminhos diversos da concepção europeia que hoje se globalizou. Na filosofia africana cada um é porque é os outros. Ou dito de outro modo: eu sou todos os outros. Chega-se a essa identidade colectiva por via da família. Nós somos como uma escultura maconde ujaama, somos um ramo dessa grande árvore que nos dá corpo e nos dá sombra.”





Recorte de significados: de Quintana

4 03 2007


Certezas

Não quero alguém que morra de amor por mim…Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento…e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros… Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…e que valeu a pena!!!

Mário Quintana





Vulnerabilidade

4 03 2006

A condição humana é marcada por um extremo grau de fragilidade devido a característica temporal e finita de toda a vida humana. Há muitas formas diferentes de perspectivar a Vulnerabilidade…

Por exemplo, como proteção em relação assimétrica, sendo o Direito (especificamente na Bioética) basicamente institucionalizado de forma a proteger os seres humanos vulneráveis.

Ou, por exemplo, como imperativo de cuidado e de responsabilidade, sendo assim vista como a base da moralidade (sendo esta compensatória da vulnerabilidade humana).

Emmanuel Lévinas - Totalidade e infinito. Edições 70. Lisboa.
Jacob Dahl Rendtorff - Basic Principles in Bioethics and Biolaw. University of Copenhagen. 2002





Não à indiferença!

2 07 2005


liveaid Posted by Picasa

Há meses que coloquei a tira branca do «MAKE POVERTY HISTORY»

Hoje, em passo natural, assinei e acompanho daqui…
com pena de não me estar a dirigir a Edimburg.

LIVE 8 is about justice not charity.





falar de sofrimento

6 04 2005

Sofrimento é um conceito amplo, que inclui e considera diversas formas, do psicológico ao moral, ao existencial, passando pelo físico (a dor), entre outras.
Nunca é fácil falar de sofrimento. Vivê-lo é intransmissível. Partilhá-lo compassivamente é tarefa de aprendizagem para uma vida. A ajuda ao Outro torna-nos mais humanos e recontextualiza os nossos próprios valores (também por isso, ser enfermeiro é uma forma de realização humana particularmente rica para a própria identidade).

Mas não deixa de ser verdade que as dificuldades em lidar com as situações de sofrimento e de morte têm de ser geridas no quadro do desenvolvimento pessoal de cada um - de si ao seu interior e de si para o Outro. Agir face a uma pessoa que sofre exige singular atenção a este movimento para o Outro, de modo a não abandonar a pessoa ao desespero ou à angústia nem se abandonar a si mesmo…

Noto que a afectividade dirigida ao Outro não se dá num horizonte teórico mas sim na experiência a partir das vivências afectivas.
Parece que estou a dizer a mesma coisa?
Não, vivência é aquilo que nos acontece; a experiência é o que reflectimos e aprendemos com o que nos acontece. Haverá gente com muitas vivências subjectivas mas com pouca experiência (que decorre de conhecimento adquirido a partir do vivido).
É análogo à idade - haverá quem tenha quarenta anos por ter duas vezes vinte. A questão não é meramente cronológica - não basta ter passado tempo; é preciso que esse tempo seja reflectido e integrado no percurso.

E percursos humanos comportam sempre, aqui ou além, trajectórias de sofrimento.





»» preparados para a diversidade ?!

16 03 2005


lucille Posted by Hello

Escrevo com a mão direita. Habitualmente, usando lápis, esferográfica ou caneta.
Caracteres de escrita romana, que os grafemas representam fonemas.
Escrevo em linhas horizontais da esquerda para direita, numa sequência de cima para baixo.
Os enunciados são separados palavra a palavra por meio do espaço em branco.
Ah, e uso um alfabeto com 26 letras.

Tive uma colega de curso que escrevia à esquerda, em caracteres chineses.
Pedi-lhe, vezes sem conta, que escrevesse esta e aquela palavra, na sua língua.
Ela lamentava usar a caneta e suspirava por um tipo especial de pincel.
Escrevia na vertical, com símbolos gráficos a representar ideias.
E os ideogramas serão cerca de 15.000.

Lindo ficava. E incompreensível… para mim.





preparados para a diversidade?!

11 03 2005


National Geographic_2204-flower Posted by Hello

Sou portuguesa, caucasiana do oeste do mundo ocidental.
Professora, lecciono Ética - falo de princípios, de juízo e de escolhas.
Julgo conhecer as ideias e as palavras…

Tenho uma aluna de ascendência oriental.
Com um estranho sotaque e um sorriso peculiar.
Escreve-me acerca de «Tou Tak» que afirma significar “o caminho da virtude”.
Não sei ajuizar sobre isto…





vaga de frio

24 01 2005

Toda a gente fala no assunto.

O Serviço Nacional de Protecção Civil fez recomendações.

A Direcção Geral de Saúde também (www.dgsaude.pt) alerta.

Temperaturas até aos dez negativos nas Terras Altas. E eu a imaginar as vasoconstrições periféricas…

Recomenda-se aumentar os agasalhos, gorros e luvas. (E quem não tem?!)

Recomendações de calafetar janelas e portas. (E quem não tem?!)

Pensou-se nos sem abrigo, sim. O Metro pondera abrir as portas, Lisboa aumenta o número de camas no centros de acolhimento assim como a distribuição de refeições quentes. Se passar perto e desejar, pode sempre doar agasalhos ou comida no Palácio da Folgosa.

Além dos sem-abrigo, crianças, idosos e doentes crónicos terão dias particularmente difíceis.

Continuo a achar que vale a pena olhar atentamente em redor.

Uns pelos outros.





navegando encontrei e é irrecusável: APELO PARA A HUMANIDADE

16 01 2005

Nós blogueiros, propomos desde já, unirmo-nos em um alerta para a humanidade, e implantarmos cada um de nós, a nosso modo e em nosso ambiente, medidas práticas de mudanças!

É tempo de se falar abertamente. É tempo de se abordarem as questões em profundidade e não de forma restritiva. É tempo enfim, de se falar a sério sobre a questão ambiental e ecológica. Sobre a humanidade!

(….)

Por isso apelamos a todos quantos se queiram associar a este movimento pela preservação Natureza, pela Paz e pelo desenvolvimento harmonioso da Humanidade, para subscreverem este Apelo.Ao fazê-lo estamos a afirmar a nossa cidadania, enquanto pessoas livres, que olham com preocupação o futuro da Humanidade, o futuro dos nossos filhos!


Idiomas
EnglishDeutschEspañol

ADIRAM http://www.merlin.web.pt/Apelo_Jan2004.doc





além de olhar…?

7 01 2005

Symbols, women_nurse



Vietnam Women’s Memorial:Nurse Comforts a Soldier

bensguide.gpo.gov/images/ symbols/women_nurse.jpg

Oiço as notícias - vejo as imagens -

… não há como escapar do sentimento de impotência.

Nem consigo conceber tantos milhares de mortos…



E no inimaginável do horrível e do horror, para os sobreviventes,

que afecta hoje e afectará as próximas gerações (sobretudo, na Ásia),

só consigo pensar que a solidariedade humana é um dos poucos recursos que temos…



Muitas informações estão disponíves -

ainda assim, para detalhes e números de contas, remeto para o com pinga de sangue