something about Christmas time…

30 12 2007

You know the time will come
peace on earth for everyone
and we can live forever in a world where we are free
let it shine for you and me

There’s something about Christmas time
something about Christmas time
that makes you wish it was Christmas everyday





receita de natal

29 12 2007

 

Primeiro, ficar parado
durante um momento, de pé
ou sentado, numa sala ou mesmo
noutra dependência do lar.
Depois preparar
os olhos, as mãos, a memória
e outros utensílios indispensáveis. A seguir
começar a reunir
coisas, por ordem bem do interior
do coração e do pensamento:
a ternura dos avós, uma mancheia;
rostos de primos distantes, uma pitada;
sons de sinos ao longe, quanto baste;
a recordação duma rua, uns bocadinhos
um velho livro de quadradinhos
duas angústia mais tardias, alguns restos de azevias,
a lembrança de vizinhos ainda vivos mas ausentes
e de uns já passados.
Quatro beijos de seres amados ou de parentes
um cachecol de boa lã cinzenta aos quadrados
e um pouco de azeite puro e fresco
igual ao que a mãe usava noutro tempo saudoso.
Mexe-se bem, leva-se ao forno
e fica pronto e saboroso
- mesmo que, nostálgica, se solte uma pequena lágrima.

Nicolau Saião

(foto aqui)





memórias… (5)

25 12 2007

Holy Night

Celtic Woman, concert at Slane Castle, in Ireland.





memórias… (4)

24 12 2007

Ainda em torno de «memórias de natal»,

irresistivel deixar memória recente (2006) e de Lisboa com a maior árvore de Natal da Europa.

natal2006_lisboa.jpgarvore_natal_2006_-_lisboa_.jpg





memórias… (3)

24 12 2007

Ryuichi Sakamoto - Merry Christmas Mr. Lawrence

a música e banda sonora do filme com o mesmo nome.

Merry Christmas Mr. Lawrence trailer





memórias… (2)

23 12 2007

“Do They Know It’s Christmas?” canção escrita por Bob Geldof e Midge Ure em 1984, especificamente para angariar fundos para a Etiópia. O grupo, Band Aid, reuniu os músicos irlandeses e britânicos mais conhecidos da época…





memórias…

23 12 2007

Passando pelas ruas da cidade, começam a notar-se os penteados da época festiva. Não resisti a ir buscar Tolentino….

Chaves na mão, melena desgrenhada
Batendo o pé na casa a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena
Lho ponha ali a filha ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada
Lhe diz com a doce voz que o ar serena:
Sumiu-lhe o colchão? É forte pena!
Olhe, não fique a casa arruinada!

Tu respondes-me assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que por ter pai embarcado
Já a mãe não tem mãos? – E dizendo isto

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis se não quando, caso nunca visto
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.

(Nicolau Tolentino)

(imagem: Nefertiti)





época de festa…

23 12 2007

natal.jpg

Natal é, tradicionalmente, uma época de festa – respeitante a nascimento. Genericamente, o dia em que nascemos é o nosso natal; a terra onde nascemos é a «terra natal». endo uma festa religiosa para muitos, ligada ao nascimento de Jesus Cristo, a verdade é que parece comemorar-se por laicos, agnósticos e religiosos (com o devido respeito para alguns grupos que não comemoram mesmo o Natal) e há muito mais séculos do que como Natal cristão.

Para os mesopotâmios, o Ano Novo representava uma grande crise, um combate entre Marduk, o principal deus, e os monstros do caos que tinham de ser derrotados para se preservar a continuidade da vida na Terra. O Zagmuk, um festival de Ano Novo durava 12 dias e era realizado para ajudar Marduk na sua batalha («os 12 dias» levam de 25 de Dezembro ao Dia de Reis… curioso!)

A Mesopotâmia inspirou a cultura de outros povos, naturalmente. Como a dos gregos que celebravam por esta mesma altura a luta de Zeus contra o titã Cronos. Ou como os romanos, na base do festival chamado Saturnalia. No dia 23 de Dezembro dava-se o solstício do inverno, a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte - e a data era parte de um ciclo de infertilidade que existia desde o outono. Os dias tornavam-se cada vez mais frios e curtos, até o ponto máximo do solstício. A partir dali, o Sol ia voltar a subir, e o calor ressurgia - no dia 25 de Dezembro, quando já era notória a vitória do dia sobre a noite, eram realizadas grandes festas nas ruas em comemoração do regresso do Sol.

Nessas festas, surgiram grande parte das tradições que mantemos até hoje no Natal. Algumas tribos celebravam ao redor de um pinheiro, uma das árvores mais resistentes ao frio, o que tinha dois significados: além da força, por suportar o rigoroso inverno, a sua forma, apontando para o céu, significava a união dos homens com o Sol. Para representar essa fertilidade que se iniciava, os participantes na festa trocavam presentes entre si, e enquanto dançavam e tocavam, comiam bolos e grãos. Árvores verdes eram ornamentadas com ramos de loureiro e iluminadas por muitas velas para espantar os maus espíritos da escuridão.

Foi só em meados do século IV d.C. que se começou a festejar o Natal cristão, como se sabe, pois a data do nascimento de Jesus foi fixada no dia 25 de Dezembro. Contexto histórico àparte, o Natal foi-se mantendo como festa da família, e a própria palavra significa «nascimento». Por isso, renasça a esperança…

Finalizo com a ideia de Hannah Arendt, que combate o conceito de «homem como ser para a morte» com a esperança de um novo começo e com a afirmação de que os homens se definem como seres natais.
Cada pessoa, sendo singular, é um novo começo em virtude do seu nascimento - é “o nascimento de novos seres humanos e o novo começo a acção de que são capazes em virtude de terem nascido”. Sendo com “palavras e actos que nos inserimos no mundo humano”, agir, no sentido mais geral, é iniciar, imprimir movimento a algo.

Em virtude de termos nascido iniciamos, não alguma coisa mas a nós próprios - “homens que por terem recebido o dúplice dom da liberdade e da acção, podem estabelecer uma realidade que lhes pertence de direito”. Assim se radica o poder-de-começar…

A celebração desta quadra, em todas as nações, nos mais variados modos, tem subjacente um sentido de Natal, que transcende as barreiras da linguagem. De festa da esperança de renascimento e de maior confraternização entre nós.

Nesta época, reconcilie(mo)(nos) conosco, tornemos claro aos que amamos que os amamos, perdoemos(nos) o que não correu bem ou o que foi menos bom, e retemperemos a partir de dentro para a etapa seguinte da vida. Boas Festas e Feliz Natal a CADA DIA.