sempre no horizonte: virtudes e pecados…

30 10 2007

Eye of Envy

Daqui, seguiram para o Bom para Tutor, os sete pecados mortais dos estudantes. Foi interessante ter encontrado!

E por falar em pecados mortais, faço um retake de uma entrada do Directriz, a propósito da inveja, apenas em alguns excertos:

1. «A inveja é um mecanismo de defesa que pomos em actuação quando nos sentimos diminuídos no confronto com alguém, com aquilo que tem, com o que conseguiu fazer. É uma tentativa desajeitada de recuperar a confiança, a estima de nós próprios, minimizando o outro», escreveu FRANCESCO ALBERONI, no seu “Os Invejosos” (…)

2. Na inveja há um confronto, subsequente a uma necessidade interior de defesa e resposta, com deformação ética. Um confronto interior com terrível dispêndio de energias. É que, afinal, o terreno onde germina a inveja parece ser o mesmo onde germina a competitividade; mas, depois, tudo se tolda: o invejoso perde-se e perde dentro da sujidade da inveja, desviando a energia positiva da competição para o pântano confuso e trapalhão da cólera, do ódio, da tristeza ou da renúncia interiores, iluminado pela frustração e pela mesquinhez disfarçada de distância.

No entanto, esta artificial distância do invejoso em relação ao invejado enfrenta um contradição insanável: a necessidade de julgar o outro. É que quando o invejoso julga, ele está a evitar a auto-humilhação ao invejar, pois nesse momento ela é um recuo estratégico para fugir à evidência que o corrói; e o invejado é, à vista do invejoso, melhor do que ele. (…)

A inveja é, assim, um mal que o invejoso sente que recebeu, mas que ninguém lhe fez, em que a experiência interna do invejoso não se coordena bem com o juízo moral da sociedade sobre as virtualidades das comparações, donde brota a inveja competitiva, ou depressiva, ou obsessiva, ou maldosa, ou avarenta ou iniciadora (…)

o resto, texto inteiro de Paulo H. Pereira Gouveia, ler lá

Noutra perspectiva, vale a pena ler o artigo Gestão educacional: a inveja nas organizações.

(imagem: Eye of Envy)





colectânea de conversas

29 05 2007

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Conversámos aqui sobre as virtudes capitais dos professores
1 - respeito singular
2 -
entusiasmo
3 -
curiosidade e inquietude
4 -
acreditar nas capacidades dos estudantes
5 -
humildade
6 -
gerir a relação e os afectos
7 - procurar ser justo nos processos
bem assim como os pecados mortais
1- da arrogância titulada
2 - da acédia ou a inacção profissional
3 - da discriminação ou a des-igualdade
4 - da ignorância-quando-era-suposto-saber
5 - da pequenez de visão e de espírito
6 - do embotamento emocional
7 - da pressa
e dos des-cuidar
E igualmente, virtudes capitais dos estudantes
1 - a humildade
2 - a irreverência
3 - a generosidade
4 - a ousadia
5 - a resiliência
6 - a solidariedade

7 - o empenhamento
e pecados mortais
1 - a preguiça intelectual
2 - a inveja
3 - a indiferença
4- A desonestidade
5 - A calúnia
6 - A inoperância
7 - a procrastinação

ainda que vistos da perspectiva do professor.

Caminho(s) de tese era para ter sido o início de uma «rubrica». Referente, de novo (e sempre) à tarefa e ao papel do professor, numa peculiar dimensão.
Aprendentes Adultos, seguia essa ideia, de ajustamento e de adequação, requerida ao professor.

Faz tempo que vou escrevendo «escrita de estudantes» e agora, está no tempo de entrar a escrita de professora… já a seguir…





Pecados mortais dos estudantes - # 7 - a procrastinação

25 09 2005


(fonte imagem aqui)

Depois de
1 - a preguiça intelectual
2 - a inveja
3 - a indiferença
4 - A desonestidade
5 - A calúnia
6 - A inoperância

7 - A procrastinação

À primeira vista, é uma palavra um tanto inhabitual.
Procrastinar é deixar para o dia de amanhã, adiar, protelar, demorar, deferir…
O termo procrastinação pode ter uma acepção finita ou infinita - finita é o adiamento para um amanhã determinado, infinita (a perder de vista) é um adiamento sem amanhã definido.
Procrastinar implica deixar que as tarefas de baixa prioridade antecipem as de alta prioridade - por exemplo, socializar com os colegas quando se tem um projecto para entregar esta semana, ver televisão ou jogar computador em vez de estudar, etc… O conceito de tarefa adiada abrange uma vasta amplitude de domínios.

Qualquer tipo de procrastinação envolve a decisão de adiar. Os resultados podem interferir com o sucesso académico e pessoal - aí, torna-se pecado (e entra nesta série…) para o estudante.
A procrastinação encontra-se ligada ao conceito físico de inércia – uma massa em repouso tende a permanecer em repouso. Como tal, são necessárias mais forças para iniciar a mudança do que para a manter, o que convida ao adiamento do início das tarefas. Por sua vez, este adiamento ou evitamento, ao proporcionar uma sensação de conforto temporário, reforça a própria procrastinação, o que torna mais difícil começar a agir no sentido inverso. Estamos, portanto, perante um ciclo de funcionamento que se alimenta a si próprio e que tende a perpetuar e a alastrar cada vez a mais áreas ou a assumir cada vez uma maior intensidade.

Alguns autores afirmam procrastinação biológica e psicológica (por exemplo, Jenny Maryasis, que referencio em baixo). E que esta última pode ser comportamental ou decisional.
Já o deixou o PJ, em comentário - “a primeira diz respeito a comportamentos específicos que, sendo adiados, acarretam consequências negativas para os indivíduos. Por exemplo, não entregar a declaração de IRS a tempo ou adiar a compra de presentes de Natal até à tarde de dia 24 de Dezembro. A segunda tem a ver o adiar de decisões e é de natureza mais cognitiva do que comportamental. Adia-se, por exemplo, o destino de férias e estas começam sem que se tenha qualquer plano. Curiosamente, constata-se que a procrastinação decisional se encontra associada a um padrão mais disfuncional de funcionamento psicológico por comparação com a procrastinação comportamental.”

A questão é mesmo, se e quando torna o comportamento disfuncionante.
E tem impacto na auto-estima, na realização pessoal.
Administrar o tempo é ganhar autonomia sobre a sua vida.
Diria até que o tempo é distribuído entre as pessoas de forma mais democrática que muitos (quase todos) dos outros recursos de que dependemos - cada dia tem para cada um 24 horas.
Ainda assim, é um recurso altamente perecível. E que se pode aprender a gerir - até porque fazê-lo é administrar estrategicamente a própria vida.

Há aconselhamento na gestão do tempo e na organização do trabalho.
E um alerta particular, neste início de ano lectivo, à tentação de procrastinar, de preferir sistematicamente o ócio ao compromisso.

Há muitos livros, artigos e sites dedicados ao assunto
http://www.couns.uiuc.edu/Brochures/procras.htm
Procrastination and Task Avoidance: Theory, Research, and Treatment
Procrastination: Habit or Disorder? Jenny Maryasis
ligados igualmente ao mundo
empresarial
como ao meio estudantil
e com referências de psicoterapia e saúde mental





Pecados mortais dos estudantes - # 6 - a inoperância

22 09 2005

Depois de
1 - a preguiça intelectual
2 - a inveja
3 - a indiferença
4 - A desonestidade
5 - A calúnia

6 - A inoperância

Trata-se da qualidade ou estado do que é in-operante. Logo, que tem in-capacidade de operar, não é efectivo, não produz - logo, associo à de co-operar, naturalmente.
Enquanto inoperantes, não estamos a falar da (presumível?) categoria dos “desacreditados”, os que podem ser identificados no tocante a alguma «marca» que se torna visivel quando expostos às interações sociais mais «normais» (leia-se, regulares) no meio estudantil.
Excluamos o estigma, o estereotipo. Excluamos, por agora, as trajectórias existenciais complicadas e as incapacidades exteriores à vontade.

Trata-se mesmo de não ser produtivo, nem eficiente.
Da negação do investimento, da finalidade de ou em realizar algo.
Pode ser décalage excessiva (entre os tempos de dever e os tempos de fazer, por não ser feito)…
Contudo, também me parece que pode ser visto de modo organizacional - sim, estou a pensar na inoperância ligada ao sistema de participação, as ausências ao Conselho Geral e a Conselho Pedagógico, o papel ocasionalmente inoperante das Associações.
Tenho para mim que a inoperância é parente da estagnação e, em certas variantes, decorrente de algum umbigocentrismo.

conversamos?!





Pecados mortais dos estudantes - # 5 - a calúnia

15 09 2005

Depois de
1 - a preguiça intelectual
2 - a inveja
3 - a indiferença
4 - A desonestidade

5 - A calúnia

Comecemos por definir calúnia.
Dizem os manuais e os eruditos que há três crimes contra a honra - a calúnia, a difamação e a injúria. Caluniar consiste em atribuir (há quem prefira imputar) falsamente a alguém a responsabilidade pela prática de algo, definido como crime. Difamar significa desacreditar, atribuindo a alguém algo ofensivo à sua (boa) reputação. Injuriar é ofender, verbalmente, por escrito ou fisicamente, a dignidade ou o decoro de outra pessoa (atribuindo-lhe uma qualidade negativa).

Portanto, caluniar reúne três elementos: que seja imputado um facto, que ele seja qualificado como crime e que exista falsidade na imputação. Note-se que se exige que o facto seja falso…

Quando foi proposta a calúnia, pensei nas afirmações levianas que são feitas pelos estudantes, e que, algumas vezes, configuram prática de um crime… mas que são falsas… Vão além da maledicência, do comezinho «corte e costura». Incorrem mesmo em calúnia.

Apetece comentar que, na generalidade, as pessoas têm de ser responsabilizadas pelo que afirmam. Em particular os que, como alguns estudantes, para ocultar ou desagravar o seu próprio comportamento, lançam pedras a outros e quaisquer telhados.

… conversamos?!





Pecados mortais dos estudantes - # 4 - desonestidade

11 09 2005

(imagem do blog profetizamorta.blogspot.com)

1 - a preguiça intelectual
2 - a inveja
3 - a indiferença

4 - A desonestidade

Des-honestidade, nega a honestidade.
O que é honesto, é virtuoso, sério, digno, conforme à lei moral, à honra.
Gosto de probidade, aqui - porque ser honesto é ser probo, ou seja, de carácter íntegro.

Precisaríamos de uma palavra para designar a virtude que rege as relações com a verdade.
Vou seguir na pista de André Comte-Sponville, e usar a boa-fé. Como facto, a boa fé é “a conformidade dos atos e das palavras com a vida interior, ou desta consigo mesma. Como virtude, é o amor ou o respeito à verdade”.

Este «amor à verdade» é a virtude filosófica por excelência – colocar a verdade acima do poder ou honra, do sistema… Escreve Sponville, que o filósofo “prefere saber-se mau a fingir-se bom, e olhar de frente o desamor, quando ele se produzir, ou seu próprio egoísmo, quando ele reinar (quase sempre!), a se persuadir falsamente de ser amante ou generoso.”
Também me parece que o «amor à verdade» é virtude intelectual e traço de investigador, de quem estuda no sentido de procurar os caminhos mais conformes (seja à ciência, à politica, à ética, entre outras).

Quem é desonesto, não está «de boa fé».
E por não o estar e por agir em não-conformidade com faz-me trazer a justiça para aqui, também, e recordar que (com Tomás de Aquino), se pode ser injusto por se ser transgressor da lei, o vulgo «infractor», em que o critério é a des-conformidade com a lei, ou por se agir contra a igualdade (ou querer mais bens ou mais dos bens ou querer menos ou menos parte dos males).

Quem é desonesto, atenta à verdade e à justiça, eis a minha tese.
Por inúmeras razões que se reflectem numa intenção-base:
obter um resultado de sucesso que não lhe é devido.

E a «esperteza» (pois!) diz que resulta ser desonesto. Basta olhar em redor, os exemplos sociais, culturais e políticos (na condição de permanecerem incólumes). Por aqui, nos blogs, as queixas abundam.
E até parece que o conceito de honestidade intelectual se torna uma espécie de raridade atávica. Plagiar posts, agravado por nem sequer haver o cuidado de referenciar de onde vem. Trata-se, para usar uma palavra mais clara, de se apropriar de algo (texto, comentário, opinião) que não é seu, agindo como se fosse. Desonesta a apropriação, desonesta a re-exposição como seu. Roubo de base, para dizer cruamente.

Olhando o estudante, os «sítios» mais evidentes de desonestidade estão na produção de provas - e entendo aqui, a prova da aquisição de saberes e de competências, que se exibe tanto os exames como os trabalhos.
Os contornos eventuais (que não fiz nenhuma investigação aturada sobre o assunto) dos maiores focos de desonestidade intelectual parecem-me estar exactamente na área da demonstração do adquirido.
Diferenciaria levemente a cópia (copiar no teste) do plágio (reproduzir num trabalho). E diferenciaria entre revisão bibliográfica pura e construção de opinião com base na revisão.
Claro que inclui a utilização textual não referenciada (aquelas situações de que afirmo «caíram-lhe as aspas») usada extensamente e apropriada como se «fui eu quem pensou isto».

Tenho, da experiência vivida (que não é muita, reconheço) que os textos plagiados parecem «pasteurizados» ou «patchwork», uma «manta de retalhos», costurada com «copy-past». E nos meus casos identificados, foi «zero» no teste e negativa no trabalho, com uma conversa algo longa com o estudante encontrado em falta.

Não me parece poder existir a menor dúvida que a cópia e o plágio são desonestidade.
Um copia por outro. Um plagia de alguém. Este «Um» falta à verdade e à justiça. Mas julgo que é mais do que isso.
Diria que é espelho de outras possibilidades: do sentimento de incapacidade pessoal do estudante, da auto-mutilação das suas potencialidades, de um hábito que se enraíza e assume formas diversas no ciclo da vida pessoal…

Outro aspecto mesmo ao lado é a da existência de muitas formas e seduções para o plágio - Internet, exemplo paradigmático. E as variantes vão de reproduzir (copy-paste) textos encontrados em sites até sites que disponibilizam trabalhos académicos já prontinhos (eu mesma fiquei espantada com a quantidade de ofertas quando fiz busca com «trabalhos prontos») ou por encomenda. A ideia é simples: dois clicks, um trabalho….(acresce que há comentários de estudantes agradecidos com as classificações obtidas).

Há, naturalmente, outras formas de desonestidade activa e passiva do estudante.
Estas eram activas. Pactuar com, é passivo. E a permissividade custa menos esforço do que ajudar o Outro a desenvolver-se e a aprender.

E tanto me refiro ao colega estudante como ao professor.
É preciso cuidado com a inadimplência (palavra derivada de inadimplir, “não cumprir algo nos termos convencionados”) quanto aos aspectos disciplinares, que a permissividade também alimenta a improbidade.

Questões que me ficam (apesar da extensão do texto):
Que ferramentas à disposição dos estudantes para combater a tentação? e dos professores?
Interrogaria se que quando os professores pedem trabalhos com temas vagos e sem necessidade de opinião/argumentos do estudante, não estão a promover indirectamente. Se quando pedem 4 ou 5 trabalhos por mês, com algum porte, não podem estar também a ajudar a «cair em tentação». Penso que o desconfiómetro é insuficiente - diria que é fundamental orientar os trabalhos, premiar o pensamento autónomo e criativo, supervisar a realização e punir os casos detectados de forma dissuasora.

Conversamos?!





Pecados mortais dos estudantes - # 3: a indiferença

23 07 2005


A indiferença fica à margem da preocupação com os outros e com o mundo.
Não se importa com as vozes que falam de crueldade, de fosso entre ricos e pobres, de poluição do planeta, de fome, de…. seja do que fôr. A indiferença alheia-se da participação e da responsabilização. Carece de expectativas, não quer saber delas e, por isso, coloca o hoje e o amanhã em risco.

Um estudante cair no pecado da indiferença, significa que não-se-importa com os outros, com o ambiente, com o mundo. É um pleno atentado contra a cidadania cívica, política, social.
Ademais, a indiferença gosta da cegueira e da passividade, da incapacidade persistente.
Ah, e de clientelas corporativas e burocráticas, da dureza de coração e da frieza, da insensibilidade.

No meio académico, a indiferença veste as roupagens do não-quero-saber, não-me-incomodem, não-te-estendas- na minha direcção. O agora é pouco valioso, o logo nem existe.
Não se trata de estoicismo - aqui, qualquer esforço tem o sentido de preservar a estabilidade amorfa.

Por isso o indiferente torna-se um ser estranho: tem cérebro e não pensa na direcção de fora-de-si, tem coração e não sente, tem alma e não ama. Dir-se-ia que o contrário do amor não é o ódio, como se pensa. É a indiferença.

conversamos?!





Pecados mortais dos estudantes - # 2: a inveja

18 07 2005

A inveja tem uma ligação ao «quero», mas num querer que é «do que é do outro», de viver o que o outro vive, ter o que o outro tem. É algo sombrio, que se procura esconder - a palavra de raíz é “invidia” que significa «olhar enviesado, de soslaio».
Basta o sucesso de alguém para a despertar - ora, isto pode ser gritante no meio académico…
É vê-la a a jorrar mas sem o toque de admiração sincera e/ou de estímulo que poderia levar o próprio a desenvolver-se!

O invejoso presta muito atenção ao que os outros fazem ou deixam de fazer - para falar mal de tudo e de todos e por todo e qualquer motivo.
Naturalmente, encontra sempre uma forma de depreciar, de desvalorizar.
E é dramático porque não há forma de agradar a um invejoso – a não ser apagando-se!
O impulso e o comportamento de quem inveja, é de querer retirar ou estragar o que é desejável - e, bem vistas as coisas, é do outro.

Entre estudantes, na relação com os professores, a inveja pode assumir traços de ser melífluo, insinuante, maldizente… pode aparecer ligada às pautas (e às «notas») assim como ao sucesso na tuna ou na associação.
É só estar atento… ou não?!





pecados mortais dos estudantes - # 1 - preguiça intelectual

13 07 2005


Preguiça… S. Tomás de Aquino e os medievais chamar-lhe-iam «acédia», que é mais do que uma mera indolência física. É uma atitude de estar de costas voltadas para o mundo, é um apático enfraquecimento da vontade que impede de investir.
Trata-se de «dissipação do espírito», que se pode ligar à negligência, ao tédio e ao descuido.
Portanto, é mais do que mera aversão ao trabalho…
Mercê desta preguiça, desqualificam-se os problemas (e a procura de respostas ou de soluções, claro) - tanto se aplica ao pensar como ao sentir e ao agir.
É um «deixa para depois», que é sempre depois…

Encontra-se na «selva académica» em estudantes cujo traço principal é omissivo - o que mais se ressalta é a omissão: de acção, de pensamento, de iniciativa, de interesse, de investimento…
Daqui resulta um espreguiçamento ocasional e um vai-andando indolente.

Que se articula com uma diversidade considerável de posturas, desde o «qu’é que eu tenho de saber p’ó teste?» até «dá os “powerpoints”?», desde fazer «patchwork» em vez de trabalho de grupo até à procura (às vezes, surpreendente) de formas airosas de esforço mínimo…

Conversamos?!





de outro estilo ou cruzo com eles tantas vezes!!!

12 07 2005

(dragon mirror)

Se a ideia dos «pecados mortais» de S. Tomás de Aquino já teve tantas transformações, desde o filne Seven aos gelados da Olá, não deixa de ser curioso que os encontre tantas vezes…
Os do chefe medíocre, já ficaram lá atrás.
Os dos professores, também.
Preparando o primeiro dos estudantes, cruzei com os pecados mortais da autocrítica.
E o mais «bizarro» é que lhes acho graça. E ajustam-se aos acontecimentos quotidianos!

Seria suposto que o papel da crítica fosse melhorar a qualidade.
Por isso, como outra qualquer habilidade, a crítica pode ser melhor ou pior utilizada.

Sete exemplos de mau uso, sobretudo da crítica aplicada a si mesmo:

1: Criticar o passado com os olhos actuais
2: Criticar o futuro com os olhos actuais
3: Criticar por um só aspecto
4: Criticar a autocrítica
5: Não fazer autocríticas
6: Não criticar no momento oportuno
7: Criticar-se sem propósito de melhoria

A autocrítica é feita para usar e para melhorar-se.
Ter uma intenção convicta de aperfeiçoamento é algo tão poderoso que, mesmo quando alguém recebe uma crítica pretensamente destrutiva, ela é transformada em construtiva pela receptividade e pela disposição de aproveitar as oportunidades de aperfeiçoamento expostas. Quem tem tais intenções sabe que, no fundo, não faz muita diferença de quem vem ou como vem ou ainda quando vem uma crítica; o importante mesmo é descobrir - para poder aproveitar - as oportunidades.”

Auto-critica, então…





Pecados mortais do professor - um a um (7 de 7)

5 06 2005

Depois da arrogância titulada
http://conversamos.blogspot.com/2005/05/pecados-mortais-do-professor-um-um-1.html

da acédia ou a inacção profissional
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da discriminação ou a des-igualdade
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da ignorância-quando-era-suposto-saber
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da pequenez de visão e de espírito
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do embotamento emocional
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7 - da pressa e dos des-cuidar

Os ritmos podem ser muito relevantes. Há gente mais rápida e menos rápida, com nuances consideráveis nos tempos de apreensão, de compreensão ou de realização. Há estudantes que apreendem o todo para aprender e outros que caminham por etapas, de modo procedimental. O professor tem de considerar todos os estilos quando procura ser efectivo no processo de ensino-aprendizagem.
Ser professor tem sempre muitas solicitações - umas mais centrais, outras acessórias. Noto que a pressa pode ser amiga do distanciamento, da precipitação, do descuido. Nem sempre é preciso ser vagaroso mas «depressa e bem, há pouco quem».
E a pressa relaciona-se, também mas não de modo exclusivo, com a ocupação e a disponibilidade. Mas também relevo que há gente rápida que dá poucos sinais de apressar os outros e há gente que só dá sinais de se apressar sem ser eficaz nos resultados.

Às vezes, em certos meios, como “a selva académica”, é possível deixar-se obcecar - «publicar ou morrer» é uma expressão forte mas representativa. A pressa de correr de aula em aula, de laboratório em laboratório, de conferência em conferência - por si só, pode significar produtividade. Mas é apenas «pode»…
A pressa pelo não-se-deter, pelo ir apressado, pode significar tanta coisa: como não ver, não prestar atenção, não poder intervir porque nem se viu que era preciso…
Por isso me tentou incluir a pressa como favorecedor de um des-cuido face ao Outro. Neste caso, ao estudante de quem é suposto que se cuide, em sentido pedagógico (diferente do terapêutico ou do psicossocial, naturalmente).
Finalmente, e por outro lado, se acumular com outros traços, a pressa pode ser altamente prejudicial - por exemplo, “a «minha» matéria é tão complexa que só os mais inteligentes entendem e se mesmo esses têm dificuldade em me acompanhar é porque «sou francamente muito bom nisto»”. Falso!

É preciso desenvolver a procura do ritmo mais ajustado, verificar a largura do passo e garantir os processos de aprendizagem tanto ou mais que os de ensino.
Reabro o poema ofertado em comentário:

professor

não tenhas pressa

saí agora de casa
tenho a amarga sensação
de perda não sei de quê
de um regaço
de um abraço
que me ficou na memória

professor
não tenhas pressa

não sou um quadro vazio
já trago dentro de mim
os traços de outras viagens
imaginárias
reais
dos dias da minha história

Vieira da Silva





Pecados mortais do professor - um a um (6 de 7)

3 06 2005


teacher Posted by Hello

Depois da arrogância titulada
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da discriminação ou a des-igualdade
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da pequenez de visão e de espírito
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6 - do embotamento emocional

O princípio básico da inteligência emocional de acordo com Goleman, liga-se ao equilíbrio e à assertividade na abordagem da emoção, construindo a capacidade de cada um gerir-se e afirmar os seus valores e crenças, convicções e perspectivas. E quando toca a zangar, será “com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo, e da maneira certa” (o que constitui umas das definições aristotélicas de virtude).

Fortemente centrados no conceito de racionalidade, fomos reservando lugar secundário para a emoção, uma espécie de parente pobre. Ainda hoje me parece que emocionar-se é considerado quase «uma fraqueza» - o que é tolo, pois des-considera a pessoa integral, e a sua emoção, a motivação, a realização pessoal e a satisfação.
Todavia, não basta estar consciente da atitude correcta a ser tomada. É necessário, acima de tudo, que a pessoa seja capaz de se comportar da maneira adequada. E, conforme explica Daniel Goleman, a parte mais primitiva do cérebro dispara comportamentos instintivos antes que a “consciência” possa avaliar a situação e escolher a forma mais conveniente para se agir em cada contexto.

Pode ser encontrado na “selva académica”, como alguém que passa pelas coisas como que anestesiado, entorpecido. Atribui poucos significados, valora pouco, desdenha do incentivo ou do elogio, não compreende as lágrimas ou a ansiedade. Frequentemente, objectifica ou «coisifica» os outros (trata-os como objectos, em vez de sujeitos).
Será o tipo de professor que não se incomoda com o insucesso dos estudantes, nem com o sucesso, sejamos francos. O júbilo é-lhe desconhecido e a emoção soa-lhe a ser refém de sentimentos menores. Endeusa o racional, o objectivo, o factual.
Em sentido diverso, o embotamento emocional gera dificuldades na empatia, na relação e na comunicação - poderá dar-se o caso de ser alguém agressivo ou passivo ou manipulativo.
Este pecado sê-lo-á mais por se ser professor? sim, se professor fôr também entendido como arte de influenciar positivamente, de ganhar as pessoas pelo entusiasmo, de passar mensagens e criar discípulos.

Tarefas:
- pensar a inteligência emocional em relação aos deveres e direitos da profissionalidade docente
- ampliar o enfoque e, aos limites da relação entre a racionalidade e a emoção, juntar as questões do poder e dos factores culturais, políticos e económicos.

Desenvolver: a consciência de si e a aprendizagem emocional.

COnversamos?!





Pecados mortais do professor - um a um (5 de 7)

2 06 2005


cellule nerveuse Posted by Hello
http://www2.unil.ch/edab/images/Cerveau/cellule_nerveuse/Synapse.jpg

Quando vamos conversando acerca dos pecados capitais do professor, torna-se claro que se explora uma perspectiva dos males, das falhas, potenciais ou reais. A que deve suceder-se a expressão dos bens ou das virtudes.
Por ora, concluamos o caminho da identificação dos pecados.
Depois da arrogância titulada
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da acédia ou a inacção profissional
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da discriminação ou a des-igualdade
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da ignorância-quando-era-suposto-saber
http://conversamos.blogspot.com/2005/05/pecados-mortais-do-professor-um-um-4.html

5 - A pequenez de visão e de espírito

Apetece trazer aqui a alegoria da caverna. E as ideias de que se tomam as sombras pelo real ou que é preciso alguém (um professor?) para ajudar a sair ou forçar a sair da caverna…
A pequenez está no pólo oposto da grandeza ou da amplitude. Porque se trata de pequenez de espírito e de visão - garantida pelo uso de palas, lateralmente aos olhos, e assegurada se a direcção do olhar não exceder meio metro à volta dos próprios pés. Trata-se de alguém que dificilmente conseguirá ser movido a saber-por-saber e verá claras inconveniências na companhia dos que não páram sossegados com o que já possuem/já sabem.

Pode ser encontrado na “selva académica”, em nuances diferentes, desde o zeloso cumpridor dos programas ao repetidor obsessivo de máximas e conclusões.

Trata-se de cumprir estritamente as linhas definidas, de se manter dentro dos limites traçados pelo programa, de proibir a dispersão ou a construção de pontes entre as áreas.

Consequências
- os assuntos tendem a ser delimitados e circunscritos no ensino e na utilização dos exemplos; nenhum tema é infinito, nem será suposto que seja e o que mais importa é o agora e o próximo, tão sómente,
- os alunos apreendem a redução da visão como simplificadora do real e do conhecimento;
- é aquele professor que a perguntas diferentes, responderá com a mesma fórmula e, provavelmente, da mesma maneira; é um risco ser estudante deste professor se se possuir imaginação, desejo de inovar e se perguntar muitas vezes «e depois?», e «porquê?», ou «e mais?». Como “não há mais”, senão as páginas tal a tal, o estudante pode ser rotulado de imbecil, inadequado ou outros epítetos. Afinal, para quê complicar o que é simples e está no livro? perdão, na sebenta.

Tarefas
a) compreender a relação entre a pequenez e a imobilidade
b) interrogar sobre as formas de desafiar a procurar os limites
c) questionar a relação entre a construção e o já-construído, usando cautelosamente a noção de concluído, alcançado, finalizado.

Virtude a desenvolver: a curiosidade.

conversamos?!





7 pecados do chefe medíocre

3 05 2005

É ler e conferir quais é que o (seu) chefe (ou você) costuma cometer…

1. Tem que estar sempre certo: precisa de ganhar sempre as discussões, de forçar as pessoas a concordar e fazer tudo ao seu jeito.
Consequência: atrai gente que só diz que «sim», eliminando a criatividade ou a inovação dentro da equipa.

2. Externaliza os problemas, atribuindo a culpa aos outros: a maioria prefere apontar e culpar os outros a assumir os seus próprios erros.
Consequência: em vez de ajudar a resolver o problema, só consegue aumentar os ressentimentos e a desmotivação dentro da equipa.

3. Precisa de estar no controle de tudo: imagina que é perfeito, que toda a gente o toma como modelo ou mestre. Acredita que se não controlar tudo, o caos e a confusão reinarão.
Consequência: ele torna-se o centro dos problemas.

4. Tem medo de delegar: rodeia-se de pessoas parecidas, tanto na forma de pensar como de se comportar e até mesmo de se vestir.
Consequência: a não delegação mata o talento, a criatividade e qualquer possibilidade de mudança.

5. Não tem um propósito maior na vida: “Eu quero resultados” é a sua frase preferida.
Consequência: tudo o resto são detalhes, a desvalorizar.

6. Não tem autenticidade: meias-verdades, falsas promessas. O que diz não é exatamente o que pensa.
Consequência: trabalhar com um chefe assim é desmotivador e improdutivo.

7. Tem baixíssima inteligência emocional: é tecnicamente inteligente e capaz, porém não sabe lidar com pessoas.
Consequências: reflexos noutras áreas, como recrutamento e seleção inadequados, o que cria um ciclo vicioso de demissões e alto turn-over.

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