profissional e profissionalidade docente

12 01 2008

Considero poder definir profissional como aquele que tem a competência, a autonomia e a responsabilidade de realizar actividades com formulação fundamentada de resultados esperados, numa situação complexa. Se pensarmos assim, os executantes (costumo chamar operários) são diferentes dos profissionais.Pois que o profissionalismo vai além de ter domínio de conhecimentos – relaciona-se também com esquemas e processos de percepção, análise, decisão, planeamento e avaliação que permitam mobilizar os conhecimentos ao serviço (e em benedício da resolução) de uma determinada situação.

Para se ter o perfil de um profissional docente, a isto, acrescente-se a convicção na educabilidade do Outro, o respeito pelo Outro, o conhecimento das suas próprias representações e limites, o domínio das emoções, a abertura à colaboração e o compromisso com o que faz. Pessoa em relação e em desenvolvimento, inscreve-se numa situação, é capaz de reflectir em acção e de adaptar-se, de responder e ajustar-se aos desafios e aos problemas, mantendo uma postura científica e responsável.

Imagem em texto de Perrenoud, aqui

 





Leituras sobre profissionalidade

22 04 2006

Ser professor implica a aprendizagem de uma profissão, caracterizada por saberes muito diversos, que vão do humano e relacional ao cognitivo e prático. Ora, nem sempre, sobretudo nos cursos de formação inicial e continuada e nos documentos reguladores das políticas educacionais, tem existido um olhar abrangente sobre os saberes docentes, privilegiando-se, de acordo com objectivos de formação profissional, os conteúdos ligados à eficiência e à qualidade centrada em resultados. “
(…)
Assim, o principal desafio que a sociedade do conhecimento nos coloca não é o de seguir a uniformidade da formação docente, a estandardização de competências, mas o de problematizar o docente como pessoa, que luta continuamente pela construção de uma profissionalidade deliberativa, libertando-o dos propósitos das seitas da formação para o desempenho (HARGREAVES, 2004, p. 236), unicamente voltadas para o lado cognitivo da aprendizagem.
Ser professor é admitir que há novos modos de olhar para a riqueza que existe no interior das escolas. Percorrer este caminho é uma luta que professores e formadores têm de travar, sabendo-se que a profissionalidade docente é algo que nos compromete com a qualidade dos processos de aprendizagem dos alunos.

Neste difícil processo de construção da profissionaliadde docente, com contrariedades muito diferentes tanto ao nível das escolas quanto ao nível das administrações educativas, debate-se o ser professor no palco da burocracria das tarefas e da sua “funcionarização”, como se fosse uma actividade susceptível de aparecer num “guia eficiente de formar professores”.
De modo a contrariar esta visão profissionalizante do docente, diremos que o docente tem que ser formado a partir de uma base epistémica comum (JACKSON, 1968), ou de um conhecimento base de ensino (SHULMAN, 1987).

Reconhecer-se-á, de igual modo, que a instituição de ensino superior assume um papel cada vez mais central nesse processo. Todavia, tal natureza exige a consideração da escola como um dos contextos de formação, na medida em que existem saberes, cujo processo aquisitivo se processa a partir de uma prática pedagógica real.

A (difícil) construção da profissionalidade docente
José Augusto Pacheco

(negrito é meu)





profissão e profissional

7 01 2005



Azulejo, Lisboa, LN, 2005-01-06

“Existe tradicionalmente uma relação estreita, na profissão, entre a ética e os saberes.

A profissão é uma comunhão de valores e de vida.

Instâncias legitimadas estabelecem regras e são encarregadas de velar por sua boa aplicação (…)

Exercer uma profissão supõe uma relação de serviço.

Exercer um ofício faz mais referência à operacionalização de um “saber-fazer” ou de uma especialização.

Se a profissão supõe o ofício, a relação inversa nem sempre pode ser afirmada.”

(Guy Le Boterf, Desenvolvendo a competência dos profissionais, p. 21).

Posto isto, as profissões têm Ordens, entre cujas finalidades se aponta a de garantir a confiança dos clientes ao confiarem-se a profissionais.

Ou seja, ser profissional supõe um nível de excelência no exercício, um grau de autonomia na condução das suas actividades e na gestão de situações complexas.

“O profissional dá um sentido à sua acção confrontando os seus valores com a realidade das situações nas quais intervém.

Ele saberá questionar-se.

A ética é uma busca: ela é ponto de partida e está sempre além de um regimento.

O profissional é capaz de uma reflexão ética.

Os valores, os compromissos, os princípios directivos são apenas um pretexto para essa reflexão” (Idem, p.23).

E por aqui me quedo agora. A pensar…