SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES
CONVOCA GREVE NACIONAL PARA 29 DE JUNHO
Reproduzo excertos da Nota à Comunicação Social
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses analisou, em Conselho Nacional, as medidas anunciadas pelo Governo para a Administração Pública e, pelas implicações que tem para todos os enfermeiros e decidiu decretar um dia de greve nacional de enfermeiros, caso o Governo mantenha a sua posição de alterar as condições de aposentação destes profissionais.
…o cenário económico do país, anunciado pelo Primeiro-ministro é preocupante mas não pode admitir que, mais uma vez, sejam os trabalhadores da administração pública e concretamente também os enfermeiros, a pagarem uma factura que, em primeira análise só se deve às más politicas de gestão dos sucessivos governos que têm gerido o país…
… na linha do que vinha sendo feito pelo governo anterior, mais uma vez se tente diabolizar o papel dos funcionários públicos, procurando atribuir-lhes a responsabilidade pelas deficiências de funcionamento…
… o Primeiro Ministro tenha sido tão objectivo e rápido em definir medidas anunciadas para a Administração Pública, nomeadamente, aumento do tempo para a aposentação e corte nas progressões nas carreiras dos trabalhadores, sabendo que não resolvem o defice quando, segundo a Direcção Geral de Contribuições e Impostos, existem nos tribunais 3 milhões de processos, por fuga ao pagamento de impostos, à espera de resolução que se traduziria em cerca de 15 mil milhões de euros arrecadados para os cofres do Estado ou ainda, que existem cerca de 11,4 mil milhões de Euros em processos identificados, de impostos não cobrados.
Esta questão é tanto mais grave porquanto no debate mensal na Assembleia da República, o Primeiro Ministro anunciou que faltavam 5, 5 mil milhões de euros para que se cumprisse o défice de 2,9% previsto no Orçamento de Estado para 2005. Bastaria ao Governo executar a cobrança de metade das dividas identificadas para existir défice zero!
Não sei se é do domínio público mas a greve dos enfermeiros não coloca em causa os cuidados a prestar às pessoas nem os serviços hospitalares deixam de funcionar por causa disso. Definem-se os chamados «serviços mínimos» e as pessoas trabalham.
Ademais, o desempenho da sua função é tão importante que eu continuo a pensar que os outros sectores todos da administração pública deviam fazer greve por eles - o que nem seria inaugural na Europa (mas, enfim, ainda me acusam a sério de andar por outra galáxia…).
Quanto à questão da fuga aos impostos - só apetece dizer “haja moralidade! meus senhores…”
Irá a greve adiante? (pois, está lá um “caso o Governo…”)
Este é um aviso de greve, uma pré-”chamada às armas”! E, na verdade, na ausência de outros e mais recursos, é o meio que resta. Como bem sabemos.