PNSM: interessa(nos) a todos

12 03 2008

 

O Plano Nacional de Saúde Mental (2007-2016) aprovado por Resolução do Conselho de Ministros e publicado no Diário da República de 6 de Março, tem como objectivos:

- Assegurar o acesso equitativo a cuidados de saúde mental e qualidade a todas as pessoas com problemas de saúde mental no País, incluindo as que pertencem a grupos especialmente vulneráveis;

- Promover e proteger os direitos humanos das pessoas com problemas de saúde mental;

- Reduzir o impacte das perturbações mentais e contribuir para a promoção da saúde mental das populações;

- Promover a descentralização dos serviços de saúde mental, de modo a permitir a prestação de cuidados mais próximos das pessoas e a facilitar uma maior participação das comunidades, dos utentes e das suas famílias;

- Promover a integração dos cuidados de saúde mental no sistema geral de saúde, tanto a nível dos cuidados primários, como dos hospitais gerais e dos cuidados continuados, de modo a facilitar o acesso e a diminuir a institucionalização

Leia por si mesmo: Resolução do Conselho de Ministros n.º 49/2008





dar conta de…

3 10 2007

… um blog dirigido à Saúde Mental Escolar.

“A educação falha se não toma cm consideração todas as interligações da criança com o ambiente, se está, distanciada da sua vida real, das condições subjectivas, da história precedente do desenvolvimento de cada aluno, das suas capacidades e interesses.
A etapa da infância e adolescência assume extrema importância e vulnerabilidade, estes jovens vão se encontrar num processo de formação de hábitos, crenças e competências, que irão permitir desenvolver o sujeito como pessoa e cidadão. Se bem que aos seis anos o desenvolvimento mental e social da criança já seja adequado para enfrentar a experiência escolar, a entrada na escola representa sempre um trauma afectivo. A criança que nunca frequentou a creche entra num mundo desconhecido, onde vigoram regras e relações nunca antes experimentadas. De centro da atenção familiar, ela torna-se num anónimo entre vários. Agora deve contar com os outros.”

continuar a ler…





do desamparo aprendido ao optimismo

10 04 2007

Queremos mais para as nossas crianças do que corpos saudáveis. (…) A nossa maior esperança é que a qualidade de vida delas seja melhor do que a nossa, o nosso maior desejo é de que elas aprendam todos os nossos pontos fortes e pouco das nossas fraquezas“.

(Seligman, The optimistic child: a proven program to safeguard children against depression and build lifelong resilience. New York: Harper Perennial. 1995. p. 6)

Já por aqui andámos em torno da resiliência, e, frequentemente, do bem estar, da empatia, da compaixão, do optimismo. Voltei a deparar-me com a «teoria do desamparo aprendido» (em bom rigor, porque uma estudante estava a lê-la) , deste mesmo Seligman, um dos promotores da Psicologia Positiva, para o enfoque das habilidades positivas do ser humano e para a qualidade de vida.
Nas pesquisas acerca do desamparo aprendido, Seligman descobriu que as pessoas pessimistas eram mais propensas ao desamparo e tinham maior risco de entrar em depressão enquanto as pessoas optimistas não desistiam diante de problemas sem solução e resistiam ao desamparo.

Seligman chamou estilo explicativo de cada pessoa a esta «expectativa de eventos» e reconhecem-se três dimensões deste estilo explicativo:
- a permanência (quanto os efeitos do tal evento permanecem no tempo);
- a difusão (quanto os efeitos do evento se propagam para outras situações que se lhe seguiram) e
- a personalização (quanto a causa é atribuída a factores externos ou internos)

Os optimistas atribuem explicações permanentes, difundidas e internas para os eventos bons, e explicações temporárias, específicas e externas para eventos desagradáveis.
O contrário acontece com os pessimistas - os eventos bons são vistos como temporários, específicos, e externos (a pessoa acredita que o bom que aconteceu não foi determinado pelo seu próprio esforço) enquanto os desagradáveis como permanentes, difundidos e internos (a pessoa culpa-se sempre).

Se uma criança acredita que os seus problemas vão durar para sempre e que determinam tudo na sua vida, pára de fazer novas tentativas – e isso deixa a criança sem esperanças (hopelessness), leva-a a desistir de novas oportunidades e a ficar passiva. O que representa, além de desamparo aprendido, um passo rumo à depressão. E, efectivamente, o estilo explicativo pessimista tem sido apresentado como um factor de risco para a depressão.

Portanto, a forma de explicarmos as causas dos eventos bons e desagradáveis (o nosso estilo explicativo) está associado com a nossa saúde.

“If you are a pessimist in the sense that when bad things happen you think they are going to last forever and undermine everything you do, then you are about eight times as likely to get depressed, you are less likely to succeed at work, your personal relationships are more likely to break up, and you are likely to have a shorter and more illness-filled life. That’s the main discovery that I associate with my lifetime.”

Cf.

El optimismo y la experiencia de ira en relación con el malestar físico
Interview with Seligman
Avaliação da validade do questionário de estilo de atribuição para crianças
Modelos cognitivos clínicos da depressão

Modelos de depressão derivados da «ciência cognitiva»
Psicologia positiva

foto daqui





Saúde Mental

23 10 2005





(foto aqui)

A Direcção Geral de Saúde tem um artigo novo, dedicado a informar sobre a
Estratégia em Saúde Mental para a União Europeia
A Comissão Europeia (CE) está a preparar um Green Paper para melhorar a saúde mental das populações na União Europeia (UE). No início de Outubro, a CE iniciou um processo de consulta dos estados membros, solicitando aos países o preenchimento de um questionário e a elaboração de um perfil actual do país (country story) relativamente ao ponto de situação das respostas existentes, no âmbito da promoção da saúde mental e prevenção da doença mental.”

Vale a pena ir ver o Green Paper.
Para todos, e com alguma particular relevância aos que se interessam por saúde mental e estilos de vida ou determinantes de saúde.





DSM-IV

7 07 2005

Vejo a lista
de 11 padrões clínicos de personalidades
de acordo com Theodore Millon e resumidas no Blog do Conhecimento.

Esquizóide - Evitante - Depressivo - Dependente - Histriónico - Narcisista - Antisocial - Sádica - Compulsivo - Negativista - Masoquista.

Tanto como a questão acerca de se reconhecer alguém, que o LP coloca, seria de perguntar, ao espelho de si, se existem traços leves nas condutas quotidianas e como se pode prevenir, proteger a saúde mental… cada vez mais.
Porque ela está, provavelmente, mais ameaçada do que parece nos dias de hoje.

Conversamos?!





em situação-limite

2 06 2005

SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES
CONVOCA GREVE NACIONAL PARA 29 DE JUNHO

Reproduzo excertos da Nota à Comunicação Social

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses analisou, em Conselho Nacional, as medidas anunciadas pelo Governo para a Administração Pública e, pelas implicações que tem para todos os enfermeiros e decidiu decretar um dia de greve nacional de enfermeiros, caso o Governo mantenha a sua posição de alterar as condições de aposentação destes profissionais.

…o cenário económico do país, anunciado pelo Primeiro-ministro é preocupante mas não pode admitir que, mais uma vez, sejam os trabalhadores da administração pública e concretamente também os enfermeiros, a pagarem uma factura que, em primeira análise só se deve às más politicas de gestão dos sucessivos governos que têm gerido o país…

… na linha do que vinha sendo feito pelo governo anterior, mais uma vez se tente diabolizar o papel dos funcionários públicos, procurando atribuir-lhes a responsabilidade pelas deficiências de funcionamento…

… o Primeiro Ministro tenha sido tão objectivo e rápido em definir medidas anunciadas para a Administração Pública, nomeadamente, aumento do tempo para a aposentação e corte nas progressões nas carreiras dos trabalhadores, sabendo que não resolvem o defice quando, segundo a Direcção Geral de Contribuições e Impostos, existem nos tribunais 3 milhões de processos, por fuga ao pagamento de impostos, à espera de resolução que se traduziria em cerca de 15 mil milhões de euros arrecadados para os cofres do Estado ou ainda, que existem cerca de 11,4 mil milhões de Euros em processos identificados, de impostos não cobrados.

Esta questão é tanto mais grave porquanto no debate mensal na Assembleia da República, o Primeiro Ministro anunciou que faltavam 5, 5 mil milhões de euros para que se cumprisse o défice de 2,9% previsto no Orçamento de Estado para 2005. Bastaria ao Governo executar a cobrança de metade das dividas identificadas para existir défice zero!


Não sei se é do domínio público mas a greve dos enfermeiros não coloca em causa os cuidados a prestar às pessoas nem os serviços hospitalares deixam de funcionar por causa disso. Definem-se os chamados «serviços mínimos» e as pessoas trabalham.
Ademais, o desempenho da sua função é tão importante que eu continuo a pensar que os outros sectores todos da administração pública deviam fazer greve por eles - o que nem seria inaugural na Europa (mas, enfim, ainda me acusam a sério de andar por outra galáxia…).

Quanto à questão da fuga aos impostos - só apetece dizer “haja moralidade! meus senhores…”

Irá a greve adiante? (pois, está lá um “caso o Governo…”)
Este é um aviso de greve, uma pré-”chamada às armas”! E, na verdade, na ausência de outros e mais recursos, é o meio que resta. Como bem sabemos.





ponto pé de flor….

27 04 2005

Hoje, queria fazer uma entrada pequenina, com uma espécie de pontos assinaláveis.

Do género:
assinalam-se hoje as efemérides do nascimento de Antonio Oliveira Salazar (1889) e da execução de Benito Mussolini (1945) .

Ou do género: assinalase que está disponível o Trends IV
http://www.eua.be/eua/jsp/en/upload/TrendsIV_final.1114509452430.pdf
(obrigada, JVC).

Na realidade, continuo a pensar que um em cada três portugueses sofre de distúrbios mentais.
Distúrbio mental, em lato senso, é aqui considerado do foro psiquiátrico ou neurológico.
O Conselho Europeu das Doenças Cerebrais analisou a prevalência e o impacto económico das chamadas 12 «doenças do cérebro» mais vulgares, em 28 países (os 25 + Islândia, Noruega e Suíça).
Conclusão relevante: custos anuais de 6,6 mil milhões de euros em cuidados de saúde e absentismo no trabalho.

Portugal ocupa o 12º lugar na prevalência das doenças do foro psiquiátrico ou neurológico.
O conjunto das doenças atinge 2,9 milhões de pessoas, com principal incidência nos distúrbios de ansiedade, enxaquecas, desordens afectivas e dependências.
O distúrbio que ficou «mais caro» foi o relacionado com os desequilíbrios afectivos (depressões e esgotamentos), na ordem dos 1.738 milhões de euros, seguido da demência (1.083 milhões) e das dependências (881 milhões).
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=62&id_news=170170

Analogia grosseira: se duas pessoas estiverem consigo, um dos três tem distúrbio mental…





na sequência de: "insistindo em não se considerar"

14 02 2005


aging Posted by Hello

Apetece-me trazer «para cima» o comentário da VC a quem solicitei fazê-lo e concordou (obrigado!) e deixá-lo como «post», aberto à discussão.

“ Não devemos associar sistematicamente velhice a doença” - Posso concordar com esta tua expressão. Mas, apetece-me dizer que não devemos mesmo estabelecer essa associação ainda que a perda da homeostasia seja mais frequente à medida que a idade avança, facto é que temos cada vez mais idosos de boa saúde física e mental.

É verdade que temos muitos dependentes da indústria farmacêuticas, mas se quisermos “olhar sobre o ombro” à tua maneira, constatamos que cada vez mais cedo os indivíduos ficam dependentes da indústria farmacêutica. A pretexto da prevenção, inicia-se na barriga da mãe a toma do cálcio e das vitaminas, continuamos na infância e, se na juventude tomamos menos drogas com receita médica, tomamos mais sem ela, desde os anabolizantes para ficarmos fortes aos cosméticos para ficarmos lindos/as, depois passamos à terapêutica de substituição, ao viagra, ao combate ao colesterol, à prevenção das doenças cardíacas…
Eu diria que nós hipotecamos o orçamento familiar e a saúde, primeiro alimentando-nos com abastança, depois corrigindo com terapêutica o que estragamos a comer.

Louise L. Hay, escreve que a indústria Farmacêutica condiciona a sociedade criando cada vez mais medicamentos e aditivos alimentares e que, através de métodos agressivos de publicidade cria nos consumidores necessidades até há pouco impensáveis.

Também relativamente à terceira idade ela diz que é a sociedade que condiciona o velho para a doença. Quando abre uma residência para idosos, a publicidade informa logo que há apoio médico e de enfermagem, de fisioterapia… (enfim podem estar doentes à vontade), são raros os casos que informam que há ginásio, sala de baile, cabeleireiro ou circuito de manutenção. Esta informação sim, pode condicionar-nos de alguma forma para uma velhice saudável. E, se é verdade que parar é morrer, então porque paramos logo que deixamos a correria para o trabalho?

Eu acredito que hoje em Portugal já algumas instituições têm esta filosofia subjacente e os velhos, ainda que com grandes críticas por partes dos adultos jovens, lá se vão divertindo e até alguns deles casando, numa idade que os familiares e a comunidade se apressa a recriminar.

Contudo acredito que nem só do lazer vive o homem, parece-me importante que o idoso (> de 65 anos), tenha um projecto de vida que o faça sentir-se útil, porque não como tu sugeres em actividades sociais.
VC





insistindo em não se considerar…

13 02 2005
“Parado e atento à raiva do silêncio,
num relógio partido e gasto pelo tempo,
estava um velho sentado num banco de um jardim,
a recordar fragmentos do passado”
Mafalda Veiga, Velho

Parece-me claro que estamos perante uma sociedade envelhecida… que insiste em não se considerar como tal nem em gerir as perspectivas do futuro.

Em 2005 a população idosa representa 1/3 da população total (dados do INE).
Em Portugal, os idosos representarão (em 2010) cerca de 18% da poopulação. Não será prec
iso dizer que os idosos têm mais de 65 anos…

Insistimos em não considerar…

Nós, gente (provavelmente, cada um e todos nós) com projecto de vida limitado à “vida produtiva” que exclui o envelhecimento. Gente que corre para o trabalho, com poucas actividades e lazeres paralelos, com escassos laços de amizade…

Assiste-se, todos os dias, à discriminação dos idosos a nível social e familiar. Acresce que as situações socio-económicas precárias não ajudam a envelhecer de forma saudável.
Mas o idoso não é um ser passivo, sem autonomia, sem «utilidade».
Nem devemos associar sistematicamente velhice a doença. Até parece que nos esquecemos que o envelhecimento é um processo natural - e invalidamos idosos saudáveis, sobretudo nas (grandes) cidades…

E o que sabemos do assunto? Ainda não se aposta (ou aposta-se pouco) na formação de especialistas em Gerontologia e Geriatria!

Mas podemos todos (e é nossa responsabilidade) ajudar os idosos a reconstruir ou a preservar a sua identidade, incentivar a participar em actividades sociais (adequadas às expectativas e limitações). Ah.. conhecem decerto o slogan de “não basta acrecentar anos à vida é preciso acrescentar vida aos anos” . Diria que não basta aumentar a esperança de vida, é preciso aumentar o projecto pessoal e social de esperança no envelhecimento. Porque envelhecer é natural, pode ser saudável e é O QUE nos espera a todos se…

Hoje, pensemos nisso!





obriga a estar atento

8 02 2005



a sombra Posted by Hello

A depressão e os sintomas depressivos aumentaram, genericamente, nas últimas décadas.

Números da Sociedade Portuguesa de Suicidiologia apontam que cerca de 600 pessoas se suicidam, anualmente, em Portugal e talvez umas 24.000 protagonizem comportamentos para-suicidas ao ponto de serem atendidas em Serviços de Urgência.

Fala-se de ideacção suicida e, por vezes, sabemos que esta ou aquela pessoa pôs termo à vida (sem eufemismos, matou-se) ou tentou.

«Existem muitos jovens que fazem tentativas de suicídio (e de para-suicídio) e que fazem auto-mutilações, devidas a mal-estares psicológicos de inquietação e de ansiedade que necessitam de uma resposta por parte dos educadores e dos profissionais de saúde», afirmou Daniel Sampaio.



Com frequência, os adolescentes e jovens deprimidos apresentam sintomas complexos, em que emergem as perturbações do humor, ansiedade, inibição ou diminuição do rendimento intelectual, baixa actividade física e comportamentos autodestrutivos (como as condutas suicidárias ou adictivas). Os estudos demonstram elevada frequência de ideação suicida na população universitária.

Tratar-se de uma área de estigma, associado ao tratamento psicológico e psiquiátrico, não ajuda.

Por isso, é importante que existam serviços na comunidade que promovam a ajuda e o encaminhamento, desmistificando preconceitos e ideias erradas.

Há iniciativas que ajudam - e vou citar apenas três, de fontes diferentes.

A Associação Académica de Coimbra criou a linha SOS-Estudante em 1997, com a finalidade de fazer a prevenção do suicídio, dar apoio emocional em situações de crise, angústia, solidão, ou simplesmente uma escuta activa.

A Universidade do Porto tem (desde 2001, salvo erro) uma Linha SOS - em cujos objectivos se contam a ajuda psicológica e a prevenção do suicídio dos universitários.

Os Serviços de Acção Social (1993) do Instituto Politécnico de Setúbal, através do gabinete de Psicologia, desenvolvem actividades de aconselhamento psicológico e apoio psicoterapêutico.

Mas de que serve existirem alguns meios, se não forem usados?

Pergunto-me: quando notamos alguns comportamentos de risco, encaminhamos alunos para os Serviços de Acção Social (SAS), os Gabinetes de Integração Escolar e de Apoio Social (GIEAS) ou seus congéneres?!

http://www.spsuicidologia.pt/principal.php

http://www.admd.pt/depressao/depressao_juventude/depressao_juventude.htm